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Impeachment de Dilma Rousseff custou R$ 1 milhão com votos comprados no dia da sessão

O operador financeiro Lúcio Funaro afirmou em depoimento de delação premiada à Procuradoria Geral da República (PGR) que repassou R$ 1 milhão para o ex-deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) “comprar votos” a favor do impeachment de Dilma Rousseff (PT) em 2016. Funaro disse que recebeu uma mensagem de Cunha, então presidente da Câmara, dias antes da votação no plenário, ocorrida em 17 de abril.

“Ele me pergunta se eu tinha disponibilidade de dinheiro, que ele pudesse ter algum recurso disponível pra comprar algum voto ali favorável ao impeachment da Dilma. E eu falei que ele podia contar com até R$ 1 milhão, e que eu liquidaria isso para ele em duas semanas no máximo”, disse o doleiro em depoimento prestado em 23 de agosto.

No vídeo da oitiva, ao qual a “Folha de S.Paulo” teve acesso, uma procuradora questiona: “Ele (Cunha) falou expressamente comprar votos?”. Funaro respondeu: “Comprar votos”. O doleiro, apontado como operador de propinas de Cunha e do PMDB, disse que o valor de R$ 1 milhão acabou sendo repassado. “Consolidou esse valor?”, perguntou a PGR. “Consolidei o valor”, disse o operador, preso na Papuda, em Brasília.

“Depois de uma semana de aprovado o impeachment, comecei a enviar dinheiro para ele (Cunha) ir pagando os compromissos que ele tinha assumido”, disse Funaro. Segundo ele, o dinheiro foi entregue em Brasília, Rio e São Paulo.

O delator deu como exemplo de deputado “comprado” Aníbal Gomes (PMDB-CE), que acabou faltando à sessão de votação do impeachment. “Tem um caso até hilário, mas um dos deputados que ele (Cunha) comprou e pagou antecipado, pelo que ele me disse, foi o Aníbal Gomes. Ele disse que tinha pago R$ 200 mil para o Aníbal Gomes votar favorável ao impeachment. O que aconteceu? O Aníbal Gomes não veio no dia da votação, faltou”, afirmou Funaro. “Aí, ele (Cunha) ficou louco (…). O cara deu a volta nele”, disse.

Procurado, Aníbal Gomes afirmou que as declarações de Funaro são “uma mentira deslavada”. O deputado disse que não conhece o operador e que “nunca recebeu dinheiro de Eduardo Cunha”. Aníbal afirmou que faltou à votação do impeachment porque estava em São Paulo “operado da coluna”.

A Câmara aprovou a instauração do processo de impeachment com 367 votos favoráveis. O Senado acabou condenando a petista, que deixou o cargo no segundo semestre de 2016.

Em nota divulgada nesse sábado (14), Eduardo Cunha, que também está preso, rebateu a delação de Funaro, de quem era aliado. “Repudio com veemência o conteúdo, e se trata de mais uma delação sem provas que visa a corroborar outras delações também sem provas, onde o delator relata fatos de que, inclusive, não participou”, afirma Cunha. “As atividades criminosas confessadas pelo sr. Lúcio Funaro foram feitas por sua conta e risco”, completou. Cunha também afirma ser uma “absoluta mentira” as referências de Funaro a outros políticos.

Funaro foi ponte para propina de Barata Filho

O doleiro Lúcio Funaro disse em depoimento ao Ministério Público Federal que repassou, em 2014, propina de 5 milhões de francos suíços do empresário Jacob Barata Filho, dono de empresas de transporte público no Rio, para o ex-deputado federal Eduardo Cunha e para o presidente da Assembleia do Rio de Janeiro (Alerj) Jorge Picciani. A informação já havia sido divulgada, mas o vídeo do depoimento revela detalhes da operação financeira montada pelo doleiro para atender os políticos do PMDB.

Segundo Funaro, Cunha perguntou se ele tinha uma conta na Suíça que poderia receber o dinheiro da propina. A conta era no Banco Audi, e o doleiro disse que tinha “facilidades” nessa instituição porque conhecia o dono, o libanês Mark Audi. Segundo Funaro, ao informar a Cunha que o valor estava na conta, o então deputado pediu para “ir passando na medida do possível”.

O operador disse que ficou curioso para saber quem era o dono do dinheiro, e Cunha disse que a propina era do empresário Jacob Barata Filho, que também é alvo da Lava Jato no Rio. Cunha teria dito que era um acerto entre Barata e Picciani para financiar a campanha de deputados fluminenses.

Alan Alex é jornalista, editor do site e da coluna Painel Político. Natural de Porto Velho foi criador e editor do site Portal364, trabalhou na redação dos jornais Diário da Amazônia, Folha de Rondônia, revista Painel Político, foi assessor de imprensa, é roteirista, editor de conteúdo e relações públicas. Também atuou como repórter de TV e rádio. É filiado à ABRAJI.

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