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Investigada pelo MPF por ser fantasma, médica humilha paciente em hospital público

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“A senhora não tem perfil de paciente do João Paulo II”, disse a médica Adriana Oliveira Cortes a uma paciente que já havia passado por uma Unidade de Pronto Atendimento – UPA, Policlínica Ana Adelaide, um Posto de Saúde e, horas atrás, pelo próprio João Paulo II – maior hospital de urgência e emergência do Estado, sem conseguir atendimento em nenhuma dessas unidades.

Francisca Lima (nome fictício), 43 anos, reclamava de dor forte na cabeça, formigamento no pescoço, braço e perna, apresentava inchaço no olho esquerdo que também estava mais baixo em relação ao direito.

Como havia saído do trabalho direto para o pronto socorro, a paciente, que atua como chefe de gabinete de um órgão governamental, vestia-se conforme a função que desempenha requer: roupa sóbria e alinhada.

ATENDIMENTO – A mulher perguntou a médica qual era o perfil de um paciente digno de ser atendido no João Paulo. “Quase morrendo”, respondeu Adriana Cortes, medindo a paciente de alto a baixo com o olhar, sem manifestar o menor interesse em atendê-la.

A servidora pública mencionou que não estava se sentindo bem, relatou os sintomas e o sacrifício para conseguir atendimento na rede pública. Nem assim a médica quis atendê-la.

Percebendo a má vontade da profissional em Saúde em prestar-lhe assistência, Francisca pediu um encaminhamento para um neurologista. A médica orientou-a a procurar um clínico geral. A funcionária do governo perguntou-lhe qual era a especialidade que exercia no hospital. “Sou clínica geral”!

REGALIAS – Após muito insistir, a servidora púbica conseguiu convencer Adriana Oliveira a dar-lhe um encaminhamento. Mesmo assim, ouviu da médica: “É bom não se acostumar com isso, viu? Se eu facilitar daqui a pouco terei que fazer inúmeras concessões aqui. Esse hospital não é pra isso. É pra Urgência”!

Se sentindo humilhada, a Francisca saiu do pronto socorro sem ter sido examinada e apresentando os mesmos sintomas que motivaram sua ida ao hospital. Mas, antes da funcionária pública sair do consultório, uma atendente de Saúde entrou na sala com alguns papéis que foram colocados sobre a mesa da médica. “Doutora, esses aí são “indicação”.

Ao sair do João Paulo, a Francisca Lima foi obrigada a procurar atendimento particular, onde conseguiu diagnóstico e tratamento.

“FANTASMA” – Quando foi procurar ajuda no João Paulo II, a Francisca talvez desconhecesse o histórico de Adriana Cortes.

A médica é investigada pelo Ministério Público Federal – MPF – que, em dezembro de 2013, instaurou um inquérito civil público contra ela por não cumprir a carga horária para a qual foi contratada e ser, supostamente, funcionária fantasma.

Uma consulta ao Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde revelou que a jornada de trabalho de Adriana Cortez é mais que intensa. É impossível de ser cumprida. A médica possui vínculos em três municípios distintos: Em Porto Velho, onde é obrigada a exercer 40 horas semanais no Hospital de Base (ela foi cedida ao João Paulo II), em Ji-Paraná, onde teria que cumprir 40 horas a cada semana no Centro de Saúde km 5 e na Unidade Mista de Itapuã do oeste, cujo contrato é de 20 horas por semana. Totalizando 100 horas de trabalho em uma única semana.

Segundo a denúncia protocolada no MPF, a médica, em tese, ainda teria recebido por seis plantões extras de serviços médicos prestados no Hospital Municipal de Ji-Paraná, sem a devida contraprestação do trabalho.

Com 100 horas de serviço por semana, que totaliza 168 horas nos seus sete dias de duração, restariam apenas 68 horas para a médica se alimentar, dormir e viajar de um município a outro.

Procurada pela AGÊNCIA VANGUARDA, a assessoria jurídica do Conselho Regional de Medicina de Rondônia, disse ser “desumano e impossível” a qualquer profissional cumprir uma carga horária de 100 horas por semana. O CRM sugeriu que Francisca protocole reclamação em desfavor da profissional de saúde. A médica não foi localizada para responder as acusações.

ABERRAÇÃO – “A paciente pode formalizar denúncia ao hospital, ou ouvidoria do estado, defensoria pública, ou Conselho Regional de Medicina. O Estado pode abrir processo administrativo e tomar decisão após ouvir a médica. Isso não é comum, é aberração falhas desse tipo no serviço de saúde. A parte humana do atendimento tem que ser levada em consideração. A Secretaria de Saúde trabalha com capacitação, humanização do atendimento”, declarou o médico, Luis Eduardo, secretário adjunto de saúde. A médica não foi localizada.

As informações são da Agencia Vanguarda (avanguarda.com.br)

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