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Janaína Paschoal, que quer o impeachment de Dilma, defende procurador que deu cintadas na mulher

Sessão do CNMP está acontecendo nesta terça-feira

Janaina Paschoal, a autora do pedido de impeachment que ontem falou na USP em “acabar com a cobra”, está neste momento no Conselho Nacional do Ministério Público, em Brasília, representando um de seus clientes.

Ela defende o procurador Douglas Kirchner, que está prestes a perder o cargo sob a acusação de assistir e praticar castigos físicos em sua ex-mulher.

Segundo a acusação, Kirchner assistiu a uma pastora dar chibatadas na mulher com um cipó. Ele teria usado uma cinta.

A propósito, Janaína virou uma celebridade-instantânea desde ontem com o viralizado vídeo de seu inflamado discurso. Nos trending topics do Twitter, por exemplo, ocupa o sétimo lugar neste momento.

A manifestação foi organizada na Faculdade de Direito do Largo São Francisco, da Universidade de São Paulo (USP), no centro da capital paulista.

Um vídeo do ato que mostra a exaltação de Janaína despertou paixões e ódio nas redes sociais. Alguns internautas classificaram a manifestação como exagerada. Outros apoiaram o tom enfático da professora, que gritava “República da cobra” enquanto sacodia uma bandeira do Brasil. “Não não vamos deixar essa cobra continuar dominando as nossas mentes”, disse, referindo-se ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que se comparou a uma jararaca no dia em que teve de depor na Polícia Federal.

Num discurso que por vezes lembrava o tom de pregação de pastores ensandecidos, Janaína citou um diálogo que teve quando criança com o seu pai. “Ele disse ‘Janaína, Deus não dá asa à cobra’. E aí eu digo a ele: ‘Mas pai, às vezes a cobra cria asa. Mas quando isso acontece Deus manda uma legião para cortar a asa dessa cobra. Nós queremos liberar nosso País do cativeiro de almas e mentes'”.

Defesa do Procurador

A advogada Janaína Paschoal também é a responsável pela defesa do Procurador Douglas Kirchner que foi denunciado em 2014 por permitir, e participar, de sessões de espancamento em sua ex-esposa, em Porto Velho, Rondônia. Na sua defesa, Douglas alegou “vazamento ilícito” do sigilo da medida protetiva que a Justiça impôs contra ele, além de “quebra do sigilo profissional” da advogada de Tamires, que fez a denúncia pública.

Janaína defendeu (e conseguiu absolver) Douglas na sessão do Conselho Superior do Ministério Público Federal, em 14 de março deste ano (a decisão foi anulada por uma liminar do CNMP). Na ocasião do julgamento, ela informou ao CS do MPF que foi procurada por Douglas Kirchner e se interessou pelo caso por se tratar, na definição de Janaína, de um caso de “liberdade religiosa”.

Ouça abaixo a íntegra da sessão do CSMPF –

Tem mais de cinco horas de duração. Se você quiser ir direto para a descrição da violência cometida contra a ex-esposa do procurador, busque o áudio em 1h44m.

A certa altura da sessão, Janaína alegou que Douglas tinha “a mente propícia para ser cooptada”, ou seja, teria maltratado a mulher sob influência da igreja.

O Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) já votou em sua maioria (8 dos 14 conselheiros) pela demissão de Douglas. Como foi pedido vistas na sessão da semana passada, o processo voltou à pauta nesta terça-feira e está sendo julgado neste momento. Janaína defende o procurador.

Com informações de Lauro Jardim

Alan Alex é jornalista, editor do site e da coluna Painel Político. Natural de Porto Velho foi criador e editor do site Portal364, trabalhou na redação dos jornais Diário da Amazônia, Folha de Rondônia, revista Painel Político, foi assessor de imprensa, é roteirista, editor de conteúdo e relações públicas. Também atuou como repórter de TV e rádio. É filiado à ABRAJI.

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