Janot diz que sentiu “náusea” ao ouvir gravação de Joesley e Temer

O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, afirmou que investigações em curso poderão provocar novas denúncias criminais contra o presidente Michel Temer. A revelação foi feita em entrevista exclusiva ao jornalista Roberto D’Avila, da Globo News, na noite desta quarta-feira (5/7). O chefe da PGR descreveu o que sentiu ao ouvir a gravação de Joesley Batista, do grupo JBS, com o peemedebista: “Fiquei chocado e senti náusea. Foi minha reação física: um choque, e fiquei enjoado mesmo”.

O procurador-geral contou que precisou fazer uma “escolha de Sofia” entre dar imunidade total aos irmãos Batista ou perder a oportunidade de ter acesso ao material.

Janot afirmou também que “não tem nenhum protagonismo” contra o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes. O magistrado não tem poupado críticas ao procurador-geral. Principalmente, por causa dos acordos firmados com delatores. “Eu não brigo com ele [Gilmar], ele é que briga comigo. Briga com muita gente e vocês podem constatar que eu não tenho nenhum protagonismo contra ele. O que eu tenho são respostas quando ele se refere a mim”, respondeu.

Sobre a reação de Temer diante da denúncia contra si, Janot afirmou que “é uma técnica que não é desconhecida pelo MP de as pessoas investigadas ou denunciadas não se referirem aos fatos, mas tentarem desconstituir ou desacreditar a figura do investigador”. Em relação às críticas à denúncia que apresentou contra o presidente, o procurador avaliou que “a narrativa é fortíssima”: “Se isso é fraco, eu não sei o que seria forte”.

Acusação formal
A primeira denúncia do procurador contra Temer atribui ao peemedebista crime de corrupção passiva no caso JBS. Janot está convencido de que o presidente era o destinatário real de uma propina de R$ 500 mil da JBS — na noite de 28 de abril, o ex-assessor especial de Temer, Rodrigo Rocha Loures (PMDB-PR), foi filmado pegando uma mala de propina do grupo, 10 mil notas de R$ 50.

 “As investigações continuam. Cada investigação tem o seu tempo próprio, tem o seu próprio tempo de maturação. Ao final dessas investigações, o resultado será a denúncia ou arquivamento”, disse Janot.

Esta primeira denúncia foi enviada pelo STF à Câmara, que tem prerrogativa de autorizar ou não a abertura de ação penal contra o presidente. Nesta quarta, o advogado de Temer entregou à Comissão de Constituição e Justiça da Câmara uma defesa de 98 páginas em que sustenta que Janot faz ‘ilações’.

O procurador agora poderá apresentar nova acusação formal contra Temer, por obstrução de Justiça, baseado no áudio da conversa do presidente com o empresário Joesley Batista. “Vamos aguardar o encaminhamento das investigações, uma está mais adiantada do que a outra, para que possamos avaliar se haverá denúncia ou arquivamento”, disse Janot a D’Avila. “Elas (novas denúncias) poderão ocorrer ou não, depende do que a investigação nos conduzir”, completou.

Na noite de 7 de março, Joesley gravou a conversa com o presidente no Palácio do Jaburu. Temer teria incentivado o empresário a manter o silêncio do ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha, preso desde outubro de 2016.

Fonte: metropoles.com

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