John McAfee, o milionário que montou seu próprio país, na Netflix

Gringo: the Dangerous Life of John McAfee”, no Netflix. Trata-se de um documentário sobre a vida de John McAfee, um pioneiro da cybersegurança que ficou milionário nos anos 80 com um dos primeiros antivírus vendidos comercialmente.

Mas essa é a parte legal da história. A outra, muito mais sombria, violenta e misteriosa, diz respeito aos últimos dez anos da vida do ricaço. McAfee sempre foi excêntrico: mestre em yoga e fanático por meditação, promovia o sexo livre em suas empresas. No filme, exfuncionários contam que bacanais eram comuns no escritório.

Depois de perder uma fortuna na crise de 2008, McAfee emigrou para Belize, na América Central, e disse a amigos que iria viver “como o coronel Kurtz de ‘O Coração das Trevas’”. Em Belize ele comprou uma imensa propriedade à beira-mar, gastou milhões de dólares em “doações” para a polícia local, montou uma milícia de bandidos e traficantes para fazer sua segurança, e cercou-se de um séquito de prostitutas adolescentes. Fotos mostram McAfee e sua turma na praia, os homens empunhando metralhadoras e as mulheres, de biquíni. McAfee virou um verdadeiro déspota: mandava e desmandava na cidade, aterrorizava os vizinhos com seguranças armados e cães violentos, e foi acusado de tramar a tortura e morte de um bandido que ameaçou sequestrá-lo.

Mas as coisas começaram a piorar para o milionário depois que um vizinho, a quem McAfee acusou de ter envenenado seus cachorros, apareceu executado com um tiro na cabeça. Mesmo com as ridículas condições de trabalho da polícia forense de Belize, onde menos de 3% dos crimes são solucionados por provas técnicas, os policiais tinham certeza de que ele fora o mentor do crime.

McAfee fugiu para a Guatemala e depois voltou aos Estados Unidos, onde se candidatou à presidência do país pelo Partido Libertário (acabou perdendo a indicação para Gary Johnson). “Gringo” foi dirigido pela jornalista Nanette Burstein, que fez um ótimo trabalho investigativo, entrevistando ex-funcionários de McAfee, meninas que fizeram parte de seu harém particular, e bandidos barra pesada que faziam sua segurança.

O filme peca bastante por uma forma narrativa que mais se assemelha a de uma reportagem televisiva: a diretora aparece o tempo inteiro, narrando a história e contando detalhes sobre os entrevistados. Mas a história é tão boa, e os personagens tão interessantes, que isso ficaq em segundo plano. O que resta é a história chocante de um gringo rico, arrogante e manipulador, que usou sua fortuna e poder para criar um verdadeiro reino fictício num país do Terceiro Mundo

A dica é de André Barcinski, do UOL

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Alan Alex é jornalista, editor do site e da coluna Painel Político. Natural de Porto Velho foi criador e editor do site Portal364, trabalhou na redação dos jornais Diário da Amazônia, Folha de Rondônia, revista Painel Político, foi assessor de imprensa, é roteirista, editor de conteúdo e relações públicas. Também atuou como repórter de TV e rádio. É filiado à ABRAJI.

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