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Jornalistas que produziram matéria sobre supersalários de magistrados do PR vão receber prêmio da ANJ

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Na terça-feira, a Associação Nacional de Jornais (ANJ) anunciou que o jornal paranaense Gazeta do Povo e seus profissionais serão contemplados com o Prêmio ANJ de Liberdade de Imprensa. Segundo a entidade, a premiação representa o “apoio a pessoas, jornais ou instituições que tenham se destacado no exercício, na promoção e na defesa da liberdade de imprensa”.

E quem não gostou dessa notícia, e repudiou em nota, foi a Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB) que questionou o prêmio dado pela entidade ao jornal “ e cinco de seus profissionais por causa de uma série de reportagens sobre a remuneração de representantes do Judiciário e do Ministério Público do Paraná.

Na quarta-feira, a AMB divulgou nota em que classificou a reportagem da “Gazeta do Povo” de “tendenciosa” e disse que a decisão da ANJ de premiar o trabalho era “um atentado ao direito à informação”. A entidade dos magistrados acusa ainda o jornal de “má-fé” por publicar uma remuneração que inclui verbas indenizatórias recebidas esporadicamente, como se fosse mensal.

Publicada em fevereiro, a reportagem mostrou que o rendimento médio dos juízes e dos integrantes do Ministério Público no Paraná, em 2015, superou o teto constitucional em mais de 20%. Já no primeiro parágrafo, o texto diz que a “remuneração de juízes, desembargadores, promotores e procuradores foi complementada por indenizações, pagamentos retroativos e auxílios, incluindo o auxílio-moradia”.

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Os dados foram levantados nos portais da transparência do Tribunal de Justiça do Paraná (TJ-PR) e do Ministério Público do Paraná (MP-PR). Logo após a publicação da reportagem, os juízes citados ingressaram com uma série de ações contra o jornal e os profissionais. Até agora, foram abertos 45 processos, segundo o jornal.

As ações foram protocoladas em diferentes cidades paranaense no Juizado Especial, que aceita causas de pequeno valor (até 40 salários mínimos) e obriga os profissionais a comparecerem a todos as audiências de conciliação para não serem condenados à revelia. Os jornalistas têm sido obrigados a se afastar do trabalho para comparecer às audiências e rodaram mais de seis mil quilômetros pelo estado. A ANJ classificou a investida como “assédio judicial”.

A associação dos jornais destaca que respeita a atuação do Poder Judiciário e lembra que o mesmo prêmio entregue agora à “Gazeta do Povo” já foi concedido a dois ministros do Supremo Tribunal Federal (STF): Carlos Ayres Britto e Cármen Lúcia. No entanto, rejeita o “expediente utilizado no Paraná”, disse o presidente da ANJ, Carlos Lindenberg Neto.

Editado a partir de informações de O Globo

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