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Jovens respondem por apenas 2% das candidaturas no Brasil

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Dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) apontam que somente 2% dos candidatos à eleição de 2014 são considerados jovens. Ao todo, de 24.899 candidaturas registradas no TSE, apenas 502 são de pessoas com menos de 25 anos. Pela classificação do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), é considerada jovem qualquer pessoa com menos de 25 anos.

Pelos números do TSE, 148 pessoas com menos de 25 anos são candidatas ao cargo de deputado federal, outras 345 candidatas a deputado estadual e outras nove a deputado distrital (cargo existente apenas no Distrito Federal). Destes 502 jovens, apenas 23 pessoas que se candidataram a cargos eletivos nas eleições de 2014 tem menos de 20 anos. A candidata mais jovem do Brasil tem 16 anos e mora no Rio de Janeiro.

Ao contrário de outras faixas etárias, as mulheres são maioria dos candidatos com menos de 25 anos. Dos 502 jovens candidatos, 310 são do sexo feminino – 61% das candidaturas. Apesar do número relativamente pequeno de jovens candidatos em comparação com as eleições de 2010, o número de pessoas com menos de 25 anos que tentam cargos eletivos cresceu em torno de 55%. Naquele ano, apenas 323 pessoas com menos de 25 anos haviam se candidatado.

Desde a gestão do ex-presidente do TSE, o ministro Marco Aurélio Mello, existia uma preocupação da Corte Eleitoral em aumentar a participação do jovem na política brasileira. Esse ano, por exemplo, o TSE lançou campanhas educativas, inclusive na internet, com o lema #vempraurna para tentar estimular a participação política do jovem no processo político brasileiro.

De acordo com o cientista político da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Marco Antônio Teixeira, existem dois fatores que inibem a participação do jovem no Brasil: a descrença na política partidária aliada à resistência que os caciques das grandes legendas tem em arregimentar novas lideranças.

“Os protestos do ano passado mostraram que o jovem está insatisfeito com o sistema político do jeito que está”, afirmou Teixeira. “Uma possível solução para isso seria uma reforma política. Mas sendo uma reforma política que torne os partidos mais democráticos e acessíveis”, aponta o professor.

Já para o professor e cientista político da Universidade de Brasília (UNB), David Fleischer, as eleições gerais naturalmente tem uma participação menor de jovens em comparação com as eleições municipais, visto que os cargos disponíveis normalmente requerem lideranças consolidadas ou em processo de consolidação no Brasil.

Do outro lado, Fleischer admite que existe um desinteresse maior do jovem em participar do processo político desde os anos de 1990. “No processo de redemocratização era maior a participação de jovens na política, mas essa participação foi diminuindo gradativamente”, analisou o professor.

Fonte: Por Wilson Lima I iG Brasília

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