Justiça decreta prisão preventiva de ex-governador do AM e ex-primeira-dama; veja a lista de presos

A Justiça Federal converteu a prisão temporária em preventiva do o ex-governador José Melo (PROS) e decretou a prisão da ex-primeira-dama Edilene Gomes Oliveira. Cassado por compra de votos na eleição de 2014, Melo foi preso durante a terceira fase da Operação Maus Caminhos, que apura desvios de verba e fraudes na Saúde. A prisão temporária dele expirava nesta quinta (4).

A participação de Melo no desvio de verbas da saúde foi identificada por meio de conversas telefônicas interceptadas entre o irmão do ex-governador, Evandro Melo, e Mouhamad Moustafa, médico apontado como chefe do esquema. Ex-secretários também foram presos suspeitos de receber cerca de R$ 20 milhões em propina. O caso foi apontado na operação “Maus Caminhos”, em 2016.

De acordo com a decisão da Justiça Federal, assinada pela juíza Jaiza Fraxe na noite de quarta-feira, José Melo e a esposa serão acautelados em casa penal destinada à detenção provisória em Manaus. Nesta manhã, eles foram conduzidos à sede da Polícia Federal, na Zona Centro-Oeste da capital.

Durante a terceira fase da operação, a Custo Político, realizada dia 21 de dezembro, a Polícia Federal esteve em um salão de beleza de Edilene Oliveira, situado no bairro Vieiralves, Zona Centro-Sul de Manaus. A Polícia Federal diz que há movimentações financeiras atípicas nas empresas de Edilene. Ela chegou a ser conduzida para prestar depoimento, mas foi liberada seguida.

Maus Caminhos

O grupo é suspeito de participar de um esquema de desvio de verbas na Saúde do Estado. A “Maus Caminhos” foi deflagrada em 2016. Ex-secretários e o ex-governador José Melo (Pros) estão entre os presos ao longo das três fases da operação.

Os investigados possuíam contratos firmados com o Governo do Estado para a gestão da Unidade de Pronto Atendimento (UPA) Campos Sales, em Manaus; da Maternidade Enfermeira Celina Villacrez Ruiz, em Tabatinga; e do Centro de Reabilitação em Dependência Química (CRDQ) do Estado do Amazonas, em Rio Preto da Eva. A gestão dessas unidades de saúde era feita pelo Instituto Novos Caminhos (INC), instituição qualificada como organização social.

A investigação que apontou a existência da fraude iniciou a partir de uma análise da Controladoria Geral da União (CGU) sobre a concentração atípica de repasses do Fundo Estadual de Saúde ao INC.

Segundo a PF, o grupo utilizava o instituto para fugir dos procedimentos licitatórios regulares e permitir a contratação direta de empresas prestadoras de serviços de saúde administradas, direta ou indiretamente, por Mouhamad Moustafa, apontado como chefe do esquema.

As investigações que deram origem à operação demonstraram que, dos quase R$ 900 milhões de reais repassados, entre 2014 e 2015, pelo Fundo Nacional de Saúde (FNS) ao Fundo Estadual de Saúde (FES), mais de R$ 250 milhões de reais teriam sido destinados ao INC.

Ainda segundo a Polícia Federal, a movimentação financeira do ex-governador do Amazonas é considerada incompatível com sua renda. Ele teria recebido dinheiro em espécie do médico Mouhamad Moustafa.

“Nota técnica da CGU [Controladoria-Geral da União] aponta indícios de enriquecimento de José Melo, especialmente em virtude da aquisição de um imóvel de alto valor, avaliado em cerca de R$ 7 milhões, além de reformas vultuosas em sítio também de sua propriedade”, informou comunicado do MPF.

Presos

José Melo, ex-governador do Amazonas – prisão temporária;
Evandro Melo, irmão dele e ex-secretário de Administração e Gestão Evandro – prisão preventiva;
Wilson Alecrim, ex-secretário de Saúde – prisão preventiva;
Afonso Lobo de Moraes, ex-secretário de Fazenda – prisão preventiva;
Pedro Elias, ex-secretário de Saúde – prisão preventiva.
Também são investigados no esquema
Ex-chefe da Casa Civil, Raul Zaidan;
Médico Mouhamad Moustafá
Raul Zaidan e Mouhamad Moustafá tiveram indeferidos pedido de prisão preventiva. A Secretaria de Administração Penitenciária (Seap) confirmou que eles foram liberados.

Além de Moustafá e Zaidan, a decisão também envolve Keytiane Evangelista e José Duarte Filho. No documento, o juiz plantonista Wendelson Pereira Pessoa pontua que não foram verificados “fatos novos aptos à decretação de prisão preventiva dos investigados”.

Com G1

Alan Alex é jornalista, editor do site e da coluna Painel Político. Natural de Porto Velho foi criador e editor do site Portal364, trabalhou na redação dos jornais Diário da Amazônia, Folha de Rondônia, revista Painel Político, foi assessor de imprensa, é roteirista, editor de conteúdo e relações públicas. Também atuou como repórter de TV e rádio. É filiado à ABRAJI.

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