Lava Jato atingirá membros do Judiciário, diz ex-ministra do STJ. “Muita coisa virá à tona”

“Judiciário está sendo preservado, como estratégia para não enfraquecer a investigação”, diz a ex-presidente do Conselho Nacional de Justiça Eliana Calmon, em entrevista ao jornal Folha de S.Paulo

Ministra aposentada do Superior Tribunal de Justiça (STJ) e ex-corregedora nacional de Justiça, Eliana Calmon voltou a estocar colegas de toga corrompidos pelo poder central – como já havia feito em 2011 ao criticar a “maledicência” dos juízes. Naquele ano, quando esteve à frente do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e provocou a irritação de associações da magistratura, Eliana foi alvo de duras críticas ao apontar a existência de bandidos por trás das togas. Agora, em entrevista publicada na Folha de S.Paulo deste domingo (16), a magistrada volta à carga e, na esteira dos desdobramentos da Operação Lava Jato, diz que as investigações atingirão juízes

“A Lava Jato pegará o Poder Judiciário num segundo momento. O Judiciário está sendo preservado, como estratégia para não enfraquecer a investigação. Muita coisa virá à tona”, diz Eliana, mantendo as críticas ao cenário da magistratura.

“Do tempo em que eu fui corregedora para cá, as coisas não melhoraram”, acrescenta.

A ministra aposentada também faz menção ao risco de acordão entre políticos para escapar da punição. “Vejo essa possibilidade, sim, pelo número de pessoas envolvidas e pela dificuldade de punição de todas elas. O Congresso Nacional já está tomando as providências para que não haja a punição deles próprios. Eles estão com a faca e o queijo na mão. É óbvio que haverá uma solução política para livrá-los, pelo menos, do pior”, afirma.

Ao responder à pergunta sobre a demora em a Lava Jato atingir nomes PSDB, Eliana foi na direção do que disse Emílio Odebrecht, patriarca da empreiteira, a respeito do longo histórico de ilícitos entre políticos e agentes privados.

“Eles [investigadores] começaram pelo que estava mais presente, em exposição, num volume maior. Toda essa sujeira, essa promiscuidade não foi invenção nem de Lula nem do PT. Já existe há muitos e muitos anos. Só que se fazia com mais discrição, ficava na penumbra. Isso veio à tona a partir do mensalão, e agora com o petrolão. Na medida em que foram ampliando essa investigação vieram os outros partidos. Estavam todos coniventes, no mesmo barco. Aliás, o PT só chegou a fazer o que fez porque teve o beneplácito do PSDB e do PMDB”, observou a ministra, dizendo-se surpresa com a inclusão dos nomes dos senadores José Serra (PSDB-SP) e Aloysio Nunes Ferreira (PSDB-SP), hoje ministro das Relações Exteriores, na lista de Fachin.

Veja a entrevista na página da Folha

 

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