Lava Jato: prendemos os corruptos, mas entregamos a soberania

Setores elétrico e petróleo foram parar em mãos estrangeiras, assim como as telecomunicações

Brasília – A soberania de um país não pode e nem deve ser negociada. Mas o Brasil não pensa assim. Setores estratégicos estão sendo entregues a estrangeiros em leilões porque as empresas brasileiras estão enfraquecidas graças a corrupção sistêmica que assola todo o sistema político. Sinto informar, leitor, mas a Odebrecht não é a mãe da corrupção. Ela, assim como praticamente todas as empresas que prestam serviços ao setor público, se vêem obrigadas a pagar propinas, seja através de “doações de campanha” ou mimos para diretores de estatais para que consigam obter contratos e receber em dia.

O esquema é simples e todo mundo conhece (menos a imprensa, que trata como se tudo fosse novidade). Empresas que prestam serviços ao poder público, seja na esfera de município, estado ou União precisam passar por processos licitatórios e é ai que a corrupção começa, na confecção dos editais, que normalmente são elaborados com a ajuda da empresa que vai vencer. Após a conclusão do processo, vem a fase de pagamentos, que é quando a coisa embola. Para receber, as empresas precisam agradar a todos, da “mulher do cafezinho” ao “diretor que manda”. Do contrário a enorme burocracia estatal entra em ação e o pagamento “emperra”.

Graças a esse sistema, as empresas que se submeteram a ele cresceram e prosperaram. Evidente que nada funciona sem a força e interferência política, que se locupleta e vive uma simbiose com a corrupção. O grande problema é que por causa disso, estamos perdendo nossa soberania e setores sensíveis e estratégicos estão indo parar nas mãos de chineses, mexicanos, europeus e americanos. Continuamos sendo uma colônia, disfarçada de democracia que pensa mandar, mas no fundo continuamos aceitando “espelhos e miçangas”, em troca de nosso futuro.

Esta semana está sendo discutida a venda da usina de Belo Monte (PA) para os grupos chineses State Grid e China Three Gorges (CTG). Atualmente a State Grid possui 7 000 quilômetros de linhas de transmissão em funcionamento e outros 6 600 em construção. O setor de telecomunicações foi privatizado ainda no governo FHC, em manobras eivadas de suspeitas e terminou caindo no colo de portugueses, italianos e mexicanos.

O setor de distribuição de petróleo só não caiu nas mãos de estrangeiros ainda, graças a uma decisão judicial que está mantendo suspensa a venda da Petrobrás Distribuidora, atendendo a um pedido do sindicato dos petroleiros de Alagoas e Sergipe, mas é uma questão de tempo. No modelo de venda da BR apresentado pela Petrobras, haverá uma estrutura societária que envolverá as classes de ações ordinárias e preferenciais, de forma que a Petrobras permaneça majoritária no capital total, mas com uma participação de 49 por cento no capital votante.

A corrupção impede o crescimento de empresas brasileiras, o enriquecimento da população e principalmente, nos mantém reféns de países do primeiro mundo. E esse cenário só tende a piorar.

Alan Alex é editor de Painel Político

News Reporter
Alan Alex é jornalista, editor do site e da coluna Painel Político. Natural de Porto Velho foi criador e editor do site Portal364, trabalhou na redação dos jornais Diário da Amazônia, Folha de Rondônia, revista Painel Político, foi assessor de imprensa, é roteirista, editor de conteúdo e relações públicas. Também atuou como repórter de TV e rádio. É filiado à ABRAJI.

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