Libaneses vão às urnas neste domingo para escolher 128 deputados

Cerca de 3,5 milhões de libaneses foram convocados às urnas para escolher 128 deputados entre 700 candidatos

Os centros eleitorais no Líbano abriram neste domingo (6) para o primeiro pleito parlamentar em nove anos.

Cerca de 3,7 milhões de libaneses foram convocados às urnas, que ficam abertas das 7h (horário local), 1h em Brasília) até as 19h (13h no Brasil).

Eles devem escolher 128 deputados entre os 700 candidatos sob uma nova lei eleitoral aprovada em 2017. As novas regras estabelecem um sistema proporcional, mas ainda mantêm a divisão do eleitorado em função da sua religião.

Estas eleições acontecem depois de o mandato no Parlamento ter sido ampliado três vezes, em 2013, 2014 e 2017. A instabilidade política gerada pela guerra na vizinha Síria foi o que amparou a extensão do mandado dos parlamentares.

Jogo político

O movimento armado xiita Hezbollah, aliado do governo sírio e iraniano, pode fortalecer seu papel se conquistar uma maioria de assentos, pela primeira vez desde 2005. É improvável, no entanto, que isso implique uma grande mudança, já que o Hezbollah domina o jogo político no Líbano.

O outro grande campo no Líbano é liderado pelo primeiro-ministro sunita Saad Hariri. Ele esteve no centro de uma polêmica por anunciar em novembro de 2017 sua renúncia surpresa, quando estava na Arábia Saudita, que disputa a influência regional com o Irã xiita. Depois disso, ele voltou atrás e se manteve no cargo.

Sem ‘mudança’

Apesar da agitação em trono da votação, grande parte dos 3,7 milhões de eleitores têm poucas esperanças.

“É a primeira vez que eu voto”, disse Theresa, uma eleitora de 60 anos, em frente ao local de voto. “Vim para apoiar a sociedade civil, porque ninguém mais me satisfaz, apesar de saber que provavelmente vão vencer.”
Para Jalal Naanou, outro eleitor de 28 anos, “viemos votar para termos novos deputados, porque sem mudança, nossa situação não vai mudar, talvez até piore”.

Sami Atallah, diretor do Lebanese Center for Policy Studies, não espera “nenhuma mudança fundamental”. Após as eleições, as “principais forças vão dirigir o país em conjunto”, acredita.

O Hezbollah, única facção a não ter abandonado as armas após a guerra civil (1975-1990), “vai manter o controle sobre as decisões do governo e não permitirá o debate sobre seu armamento”, afirma Hilal Khashan, professor de Ciência Política da Universidade americana de Beirute.

O movimento xiita “e seus aliados vão ter uma maioria dos (128) assentos” no Parlamento, em detrimento do campo de Hariri, aposta ele. Por aliados, ele quer dizer Nabih Berri, chefe do Parlamento desde 1992, e o presidente da República, Michel Aoun.

Apesar das profundas divergências e, por vezes, animosidade, as grandes decisões políticas geralmente são tomadas por consenso entre as forças políticas rivais.

No Líbano, segundo uma regra não escrita, as três principais funções do Estado são atribuídas a um cristão maronita (presidente), a um muçulmano sunita (primeiro-ministro) e a um muçulmano xiita (chefe do Parlamento).

Alan Alex é jornalista, editor do site e da coluna Painel Político. Natural de Porto Velho foi criador e editor do site Portal364, trabalhou na redação dos jornais Diário da Amazônia, Folha de Rondônia, revista Painel Político, foi assessor de imprensa, é roteirista, editor de conteúdo e relações públicas. Também atuou como repórter de TV e rádio. É filiado à ABRAJI.

Participe do debate. Deixe seu comentário