MAB ocupa Eletrobras em protesto contra alta tarifa de energia, em RO

Movimento reivindica fornecimento de energia a comunidades distantes. Militantes também reclamam de problemas causados por usinas hidrelétricas

[su_button url=”http://app.vc/painel_politico” target=”blank” style=”glass” size=”5″ radius=”round” icon=”http://painelpolitico.com/wp-content/uploads/2015/03/image.png” text_shadow=”1px 1px 1px #000000″]Baixe nosso aplicativo para celular[/su_button][su_frame align=”right”] [/su_frame]Cerca de 300 integrantes do Movimento dos Atingidos por Barragem (MAB) estão ocupando, desde a manhã desta terça-feira (10), as dependências da Eletrobras Distribuição de Energia, em Porto Velho, para protestar contra o aumento da tarifa de luz e reivindicar o fornecimento de energia a comunidades distantes. Segundo o movimento, a ocupação segue até que haja acordo entre o movimento e as partes envolvidas. Os funcionários que trabalham na sede da Eletrobras foram liberados por questão de segurança e a companhia prometeu ouvir as reivindicações, para encaminhar os pedidos aos setores e órgãos competentes.

No início da manhã, os manifestantes começaram a acampar na sede da distribuidora e mais dois ônibus com integrantes do MAB estão previstos para chegar ainda nesta terça e ocupar a empresa. Entre os militantes, estão moradores de Candeias do Jamari e dos distritos de Triunfo e Itapuã do Oeste atingidos pelas obras da Usina Hidrelétrica de Samuel, no Rio Jamari, além de famílias do Alto e Baixo Madeira afetadas pelas construções de usinas no Rio Madeira.

O principal objetivo do protesto é pedir a redução da tarifa de energia cobrada das comunidades Alto e Baixo Madeira e instaladas ao longo da BR-364. Mas, segundo o militante João Marcos Dutra, a ocupação na Eletrobras também tem como meta fazer com que as reivindicações cheguem até o Ministério de Minas e Energia, que controla a companhia por meio da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), já que a pasta fiscaliza também as obras das usinas hidrelétricas.

Dutra diz que há mais de mil famílias atingidas pela usina de Samuel que não tiveram reassentamento garantido e estão sem terra e sem acesso a energia elétrica. “Moro atrás de uma usina hidrelétrica e pago caro pela energia. Essa obra é para outros estados do país, não para nós”, protesta a dona de casa Alzira Ferreira dos Santos, que se diz atingida pela usina de Samuel.

Já entre os atingidos pelas Usinas Hidrelétricas Santo Antônio e Jirau, instaladas no Madeira, há pescadores que tiveram as atividades interrompidas e famílias remanejadas para áreas, segundo elas, improdutivas. O MAB denuncia ainda que há atingidos sem água potável porque o lençol freático do local para onde foram realocados estaria contaminado. “A gente não quer que as empresas privadas roubem o nosso rio, gerem lucro com a energia e deixem os problemas para o estado resolver”, finaliza Dutra.

O diretor-presidente da Eletrobras em Rondônia, Luiz Marcelo Reis de Carvalho, disse que a empresa vai ouvir as exigências dos manifestantes e comunicar os setores da empresa e órgãos competentes, além das usinas. De acordo com o diretor, entre os pontos reivindicados, apenas os pedidos de redução de tarifa e fornecimento de energia têm ligação com a distribuidora, o restante é relativo às usinas. “O movimento até agora é pacífico e nossos trabalhos continuam sem nenhum problema de atendimento à população”, informou Luiz Marcelo.

A Energia Sustentável do Brasil, concessionária da Usina Hidrelétrica Jirau, informou que o Programa de Remanejamento das Populações Atingidas está sendo executado conforme determinação dos órgãos fiscalizadores. Quanto ao reassentamento das comunidades afetadas, a empresa diz que os moradores já estão nos novos locais há pelo menos quatro anos e encontram-se adaptados aos novos endereços, além de receberem assistência técnica e o acompanhamento necessário.

Já a Santo Antônio Energia alegou que respeita a manifestação, mas acredita que não exista relação entre as reivindicações e a empresa, já que “todas as exigências estabelecidas nos estudos que nortearam a implantação e operação da hidrelétrica foram atendidas e os documentos que comprovam isso, entregues aos órgãos fiscalizadores”.

O Ministério de Minas e Energia, não respondeu as solicitações de entrevista sobre o tema.

Alan Alex é jornalista, editor do site e da coluna Painel Político. Natural de Porto Velho foi criador e editor do site Portal364, trabalhou na redação dos jornais Diário da Amazônia, Folha de Rondônia, revista Painel Político, foi assessor de imprensa, é roteirista, editor de conteúdo e relações públicas. Também atuou como repórter de TV e rádio. É filiado à ABRAJI.

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