Painel Político
A maior agência de notícias em seu Whatsapp do Brasil

Mãe de Joaquim diz à polícia que padrasto a agredia e fazia ameaças

0

A mãe de Joaquim Ponte Marques, o menino assassinado em Ribeirão Preto na semana passada, Natália Ponte, afirmou à polícia que o marido, Guilherme Longo, padrasto da criança, ameaçou jogar o bebê do casal, de quatro meses, contra a parede durante uma briga com a mulher. Natália e Guilherme foram presos na noite de domingo por suspeita de participação na morte de Joaquim. O corpo do menino foi encontrado em um rio de Barretos, a cem quilômetros de Ribeirão, cinco dias depois de seu desaparecimento. Exame preliminar do Instituto Médico Legal (IML) mostrou que o menino não morreu por afogamento, o que reforça a tese de homiídio. O casal nega o crime.

— Já existe um histórico de agressão do padrasto contra a mãe. Em uma das crises, ele teria ameaçado jogar o filho de quatro meses na parede. Natália disse que o marido a vinha ameaçando nos últimos tempos e que pensava em abandoná-lo. Ela declarou isso ontem (domingo), mas informou que não reportou o caso à polícia, não fez Boletim de Ocorrência (B.O.)— disse o promotor Marcus Tulio Nicolino, por telefone, ao GLOBO.

Segundo o promotor, Natália não acusou o marido. O casal teve prisão de 30 dias decretada ainda no domingo, depois que o corpo foi encontrado.

— Temos agora certeza de que foi um homicídio. Isso, somado à evidência de que não há a participação de terceiros, torna o casal suspeito; mas não estamos responsabilizando ninguém ainda— disse o promotor.

O delegado Paulo Henrique Martins de Castro, que chefia a investigação, confirmou que Natália, desde que viu o corpo do filho para fazer o reconhecimento do cadáver, começou a falar sobre a relação com o marido.

— Ela ficou chocada quando viu o menino. Acredito que isso vai nos ajudar a saber o que aconteceu. Natália contou que Guilherme já a agrediu e ameaçou. Se ela não teve uma participação efetiva no crime, pode querer colaborar em esclarecer— disse o delegado.

O corpo de Joaquim chegou ao Velório Municipal de São Joaquim por volta de 10h30 desta segunda-feira. O enterro está previsto para acontecer às 14h, no Cemitério Municipal.

Investigação

Joaquim estava desaparecido desde terça-feira (05). De acordo com exames preliminares no IML (Instituto Médico Legal) de Barretos, não havia água nos pulmões da criança, o que indica que o menino teria morrido antes de ser jogado no rio.

Alfredo Risk/Futura Press

Os pais Natália (verde) e Arthur Paes prestam depoimento em Barretos (SP), neste domingo (10), após policiais encontrarem o corpo do menino Joaquim Ponte, de 3 anos

Policiais aguardam o laudo que vai apontar o que matou o garoto, mas já trabalham com a tese de agressão ou outro tipo de violência ou ainda envenenamento. “A hipótese de que ele teria sido morto e jogado no rio foi confirmada, mas ainda é preciso saber o que o matou”, disse o delegado João Osinski Júnior, diretor do Deinter-3 (Departamento de Polícia Judiciária do Interior).

O local onde o corpo foi encontrado no domingo (10) fica a cerca de 150 quilômetros de Ribeirão Preto. O corpo estava com o pijama que o menino usava para dormir no dia que sumiu e foi reconhecido pela mãe, a psicóloga Natália Mingoni Ponte, e pelo pai, Arthur Paes.

Uma das possibilidades é que Joaquim tenha sido jogado no córrego Tanquinho, que passa perto de sua casa e que vai desaguar no rio Pardo. Como choveu muito durante a semana, o corpo teria sido levado pelas águas até Barretos.

A localização do corpo ocorreu por volta das 11h30 e pouco tempo depois policiais militares se deslocaram para a casa do menino, no Jardim Independência, em Ribeirão Preto. O objetivo foi fazer um cerco preventivo para evitar que a mãe e o padrasto pudessem deixar o local.

Desde o início das buscas a Polícia Civil vinha apostando suas fichas que o menino estaria no rio. A suspeita aumentou após um cão farejador da polícia apontar que o menino teria ido de sua casa até o córrego na companhia do padrasto, Guilherme Longo. Ele, por sua vez, se defendeu dizendo que sempre ia ao córrego com o garoto e que, por isso, a descoberta não queria dizer nada.

Em matéria do programa Fantástico, da TV Globo, na noite de domingo, o padrasto demonstrou frieza ao saber que o corpo foi encontrado. “Foi reconhecido? Maravilha. A gente vai dar uma ligada para os advogados para ver o que está acontecendo.”

Histórico

O menino Joaquim Ponte Marques, 3, estava desaparecido desde a última terça-feira, 5, em Ribeirão Preto (SP). A polícia e o Ministério Público veem indícios da participação da mãe e do padrasto no sumiço, mas ambos negam. Ele sumiu de madrugada e todos os dois dizem que estavam dormindo naquele momento.

No dia seguinte ao desaparecimento, a polícia pediu a prisão temporária do casal, mas a Justiça negou o pedido, sob a alegação de que eles estavam colaborando na investigação. O desaparecimento do garoto gerou comoção na cidade e uma campanha feita nas redes sociais por celebridades como a apresentadora Angélica, a atriz Carolina Dieckman e a cantora Ivete Sangalo.

Comentários
Carregando