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Mãe procura a polícia após descobrir que filha participava do ‘Jogo da Baleia Azul’

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Mãe disse que filho de 10 anos disse à ela que a irmã estava cumprindo desafios em Sinop. Adolescente usou navalha para desenhar uma baleia em um dos braços, segundo a mãe

Uma mãe procurou a Delegacia da Polícia Civil de Sinop, a 503 km de Cuiabá, após descobrir que a filha, de 15 anos de idade, estava participando do “Jogo da Baleia Azul”. Um boletim de ocorrência sobre o caso foi registrado na última segunda-feira (24), mas a mãe descobriu o envolvimento da filha no jogo na quinta-feira (20), após averiguar o alerta feito pelo outro filho dela, de 10 anos.

A mãe, que pediu para não ser identificada, afirmou que se atentou para a gravidade da situação após conversar com uma amiga, que é advogada e a explicou como os 50 desafios propostos pelo jogo funcionavam e que poderiam culminar na morte da jovem.

“Inicialmente, quando meu filho me disse que a viu jogando, eu relevei, porque achei que era uma coisa simples. Mas procurei ajuda após conversar com a minha amiga, que me falou da gravidade do jogo”, disse.

Ela, que tem três filhos, diz que a adolescente sempre foi quieta e tímida e que, nos últimos dias, aparentava estar ansiosa e nervosa. Ao descobrir sobre o jogo, decidiu questionar a filha, que não falou nada. A mãe, então, procurou o Conselho Tutelar. A adolescente foi acompanhada por uma conselheira e revelou, à psicóloga, que já estava na fase 28 do jogo.

De acordo com a mãe, ao verificar o celular da filha, ela se assustou ao encontrar fotos de cortes feitos pela adolescente em seu corpo. “Ela desenhou uma baleia em um dos braços, se cortou com navalha e fundo, ainda saía sangue. E, pelo que foi dito pela psicóloga, ela já estava na fase de não falar com ninguém, afirmou que [quem passava as tarefas] ameaçava matar a família dela se ela não cumprisse”, disse.

Segundo a mãe, a filha agora passa por tratamento psicológico e aparenta estar mais tranquila. O celular da adolescente foi entregue às autoridades e a família disse que aguarda a intimação da polícia para prestar depoimento sobre o caso.

A mãe disse que não sabe a forma ou a razão pela qual a filha decidiu participar do jogo e disse que, agora, alerta aos outros pais para notarem qualquer comportamento estranho nos filhos.

“É preciso ficar atento, porque eles [os filhos] começam a ficar acordados até amanhecer, dormem de dia, ficam sempre no smartphone. Tem que ver também o que eles postam nas redes sociais. As pessoas [que propõem o jogo] sabem quem escolher. A minha filha não é ‘descolada’, sempre foi bem calada, tímida, e entrou nisso”, afirmou.

Casos no estado

Na última semana, a polícia já havia identificado ao menos 11 adolescentes que participavam do jogo em Mato Grosso, durante um trabalho de conscientização de pais e alunos em escolas de municípios vizinhos de Vila Rica, a 1.276 km de Cuiabá, onde uma adolescente de 16 anos morreu, supostamente cumprindo um dos desafios do jogo. Os participantes identificados têm entre 16 e 18 anos e, de acordo com a polícia, procuraram ajuda após as palestras.

Em Vila Rica, a Polícia Civil investiga a morte da adolescente de 16 anos, cujo corpo foi encontrado em uma lagoa na cidade. Ela sumiu na madrugada do dia 11 deste mês e o corpo foi encontrado na tarde do mesmo dia. A mãe da adolescente relatou informalmente à polícia que a filha teria apresentado cortes nos braços há cerca de dois meses.

Investigação da PF

Nesta quarta-feira (26), o Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) determinou que a Polícia Federal (PF) investigue os 50 desafios que ficaram conhecidos como o “Jogo da Baleia Azul”. Os desafios do suposto jogo isolamento social, automutilação e incentivo ao suicídio de adolescentes e jovens. Instigar ou induzir ao suicídio é considerado crime pelo artigo 122 do Código Penal.

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