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Maia diz que é ‘basicamente impossível’ Câmara manter sigilo sobre conteúdo da delação de Funaro

Gabinete de Fachin disse que vídeos do doleiro 'não deveriam ter sido divulgados'. Presidente da Câmara afirmou ter certeza de que divulgação não vai afetar votos de deputados sobre a denúncia.

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Envolvido em uma polêmica com o Palácio do Planalto e o Supremo Tribunal Federal (STF) por ter autorizado a divulgação dos vídeos da delação premiada do doleiro Lúcio Funaro, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), afirmou nesta terça-feira (17) que é “basicamente impossível” pressupor que esse sigilo fosse mantido até o final da análise da segunda denúncia contra o presidente Michel Temer.

Após a divulgação dos vídeos e do conteúdo da delação, a assessoria do gabinete do ministro Edson Fachin, relator da Lava Jato do Supremo, informou no domingo (15) que o magistrado não retirou o sigilo da delação de Lúcio Funaro e que, no entendimento dele, os vídeos dos “não deveriam ter sido divulgados”.

Maia ressaltou que tem “certeza” de que o fato de as gravações terem vindo a público não vai ‘afetar o voto de qualquer deputado’ na sessão que vai decidir sobre o encaminhamento da denúncia ao Supremo.

“É basicamente impossível você imaginar que vai enviar uma denúncia para a Câmara dos Deputados para que 513 deputados e deputadas avaliem o documento e que você vai manter esses documentos sob sigilo. É basicamente impossível que esse sigilo fosse mantido até o final do julgamento”, disse o presidente da Câmara a jornalistas nesta terça ao ser questionado sobre o episódio.

Na visão de Maia, ainda que os vídeos fossem inéditos, o conteúdo das delações já era conhecido. Na semana passada, a divulgação dos vídeos da delação de Lúcio Funaro gerou um mal-estar entre o advogado de Temer, o criminalista Eduardo Carnelós, e o presidente da Câmara.

No último sábado (14), o defensor do presidente da República, citado nas delações de Funaro, classificou a divulgação dos vídeos de “criminoso vazamento”. O advogado disse ainda que a liberação dos vídeos constituía “mais um abjeto golpe ao estado democrático de direito”.

O material, entretanto, foi enviado pelo STF no dia 22 de setembro, em ofício endereçado ao presidente da Câmara dos Deputados. Os vídeos ficaram disponíveis no site da Câmara desde o dia 29, mas só começaram a ser divulgados na última sexta-feira (13).

Em nova nota divulgada no domingo, após o Jornal Nacional revelar que os vídeos estavam disponíveis há duas semanas no site da Câmara, Carnelós afirmou desconhecer que os vídeos estivessem disponíveis no portal da casa legislativa desde setembro e disse que “jamais” quis imputar crime a Rodrigo Maia.

No domingo (15), mesmo depois da explicação de Carnelós, o presidente da Câmara reagiu às declarações do advogado de Temer. Em entrevista ao Blog de Andreia Sadi, Maia se disse “perplexo” com a acusação.

Também neste domingo, depois que o gabinete de Fachin informou que os vídeos não deveriam ter sido divulgados, Maia afirmou ao G1 que a Câmara está “seguindo a determinação do ministro Fachin”. Antes, em nota da Presidência, a Câmara já havia afirmado que estava cumprido “as regras legais”.

“A determinação do ministro Fachin foi respeitada pela Secretaria-Geral da Mesa. E tenho certeza de que nenhuma dessas polêmicas dos últimos dias vai afetar o voto de qualquer deputado. A narrativa desses vídeos já era pública, então, ninguém se surpreendeu com aquilo que foi dito tanto por um delator quanto por outro”, enfatizou Maia nesta terça-feira aos jornalistas.

Fonte: g1

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