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Marcos Valério reforça delação de Delcídio sobre tucanos

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O empresário Marcos Valério Fernandes de Souza, preso desde 2013 por envolvimento no mensalão petista, teria prometido nesta terça-feira (21) ao Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) entregar documentos originais de empréstimos realizados pelo Banco Rural supostamente para financiar campanhas eleitorais e esquemas de corrupção tucanos em Minas Gerais.

De acordo com fontes ouvidas por O TEMPO, o incentivo a uma delação de Valério partiu da defesa do senador cassado Delcídio do Amaral (sem partido-MS), que citou a suposta maquiagem em dados do banco em sua delação premiada à força-tarefa da Lava Jato.

Advogados do ex-líder do governo Dilma Rousseff (PT) recorreram ao operador dos mensalões para que ele pudesse comprovar as informações que o ex-senador não tinha como provar.

Embora tivesse acompanhado o caso na CPI dos Correios como presidente do colegiado, Delcídio teria apenas sua palavra sobre o fato e precisaria de mais subsídios para garantir os benefícios de um acordo com os investigadores.

Nas tratativas para delação premiada relacionada ao mensalão mineiro, esquema que teria financiado ilegalmente a campanha à reeleição do então governador Eduardo Azeredo (PSDB) em 1998, Marcos Valério promete apontar outras testemunhas que já estariam dispostas a falar sobre o assunto e garantiu ter os documentos para comprovar as acusações.

O principal deles um conjunto de arquivos e extratos bancários que mostrariam o real cenário dos empréstimos feitos no Banco Rural e que teriam sido maquiados antes de serem entregues à CPI dos Correios em 2005, como disse Delcídio. A suposta fraude está em investigação no Supremo Tribunal Federal (STF), em um inquérito aberto após a delação do senador cassado.

O caso

Em seu acordo com a força-tarefa da operação Lava Jato, Delcídio do Amaral afirmou que o senador Aécio Neves (PSDB-MG), na época governador de Minas Gerais, teria atuado no sentido de alterar dados obtidos no Banco Rural pela CPI. O próprio delator afirma que, na ocasião, como presidente do colegiado, identificou algumas “maquiagens” em “dados comprometedores” fornecidos pelo banco e que, segundo ele, prejudicariam o ex-governador e o ex-vice-governador Clésio Andrade – além da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) e de Marcos Valério.

No relato de Delcídio, a maquiagem teria servido para esconder a gênese do mensalão, que teria surgido em Minas. Ele ainda cita na delação o hoje prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes (PMDB), na época deputado federal pelo PSDB, de quem teria ouvido detalhes do caso. Ele e Aécio são alvos do inquérito que está nas mãos do ministro Gilmar Mendes no STF.

Tanto na ocasião da divulgação da delação premiada quanto na da aceitação do inquérito pelo Supremo, o senador Aécio Neves e o prefeito do Rio rechaçaram as acusações. Aécio disse que as revelações são “mentirosas, que não se sustentam na realidade e se referem apenas a ouvir dizer de terceiros”.

Depoimento

Ontem, Valério foi ouvido por três promotores de Defesa do Patrimônio Público. O operador do mensalão chegou em um carro fechado do sistema prisional e não teve contato com a imprensa. Ele falou por cerca de três horas com os membros do Ministério Público e detalhou como poderia colaborar com as investigações do mensalão mineiro, que ainda está sendo julgado pela Justiça mineira. O próprio Valério é réu em uma das ações do caso.

De acordo com fontes próximas das negociações para acordo de delação, Valério teria munição para implicar até 18 pessoas, incluindo cerca de dez autoridades que têm foro privilegiado nos níveis federal e estadual.

Defesa e MP evitam falar do assunto

O advogado de Marcos Valério, Jean Robert Kobayashi, não confirma as informações repassadas à reportagem. Em conversa rápida com a imprensa na saída da sede do Ministério Público, ele apenas confirmou que foi feita uma “delação informal”, que cita “vários nomes, alguns com foro privilegiado”, e que os promotores “gostaram do que ouviram”.

O advogado afirmou que, em relação a eventuais autoridades com foro em instância federal, parte do acordo teria que ser compartilhada com a Procuradoria Geral da República (PGR). Segundo ele, a defesa aguarda agora um retorno dos promotores para saber se a delação será de fato levada adiante. Por conta da amplitude da delação, as tratativas e os depoimentos devem durar vários dias. Os promotores do MP também não quiseram dar detalhes sobre a conversa com Marcos Valério.

Outras motivações

Segundo apurou a reportagem, Marcos Valério também decidiu colaborar com as investigações ao se assustar com a alta pena aplicada ao ex-governador e ex-deputado federal Eduardo Azeredo (PSDB), condenado em primeira instância a 20 anos e dez meses de prisão por participação no mensalão mineiro. Com uma pena que ultrapassa 37 anos no mensalão do PT, Valério temia passar o resto da vida atrás das grades.

No caso desta condenação, como já houve o trânsito em julgado e a pena já está sendo cumprida, não há mais como Valério obter qualquer benefício judicial.

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