Marqueteiro do PT deve ser ouvido pela Polícia Federal nesta quinta-feira

Está marcado para esta quinta-feira (25) o interrogatório do publicitário João Santana, preso na 23ª fase da Operação Lava Jato. Ele deveria ter sido ouvido na quarta (24), mas o depoimento da mulher dele, Mônica Moura, demorou mais do que o esperado, e por isso a oitiva de Santana foi adiada. O interrogatório deve começar às 9h30.

Além do marqueteiro do PT, devem ser ouvidos pela PF o investigado Vinícius Borin e a funcionária da Odebrecht Maria Lúcia Tavares, que também foram presos nesta última etapa da operação.

João Santana e a mulher Mônica Moura são suspeitos de receber US$ 7,5 milhões em conta secreta no exterior. A PF suspeita que os recursos tenham origem no esquema de corrupção naPetrobras investigado na Lava Jato. Ele é publicitário e foi marqueteiro das campanhas da presidente Dilma Rousseff (PT) e da campanha da reeleição do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), em 2006.

A atual fase foi batizada de Operação Acarajé, que era o nome usado pelos suspeitos para se referirem ao dinheiro irregular. A PF suspeita que os recursos tenham origem no esquema de corrupção na Petrobras investigado na Operação Lava Jato. Uma das principais linhas de investigação são os repasses feitos pela Odebrecht ao marqueteiro.

[su_frame align=”right”] [/su_frame]Após o depoimento de Monica, na quarta (24), o advogado Fábio Tofic afirmou que a cliente conseguiu demonstrar cada movimentação da conta no exterior no depoimento prestado aos delegados da PF,  que durou cerca de três horas.

Fábio Tofic relatou não existir nenhuma prova de que os recursos recebidos pelo casal sejam provenientes de corrupção ou de campanhas brasileiras.

“Eles receberam recursos lícitos pelo trabalho honesto que fizeram ao longo de anos. Não são lavadores de dinheiro, não são corruptos, nunca tiveram contrato com o poder público. São trabalhadores honestos – gostemos, gostem ou não, dos clientes deles. Agora os recursos são lícitos, não envolvem campanha brasileira”, disse o advogado.

“Está claro que ela e o João estão presos por um crime de manutenção de conta não declarada no exterior. Um crime pelo qual não existe uma pessoa presa neste país. Não vou dizer que é um crime leve, mas é um crime que não enseja prisão de qualquer cidadão desse país”, afirmou Fábio Tofic.

O casal estava na República Dominicana e participava da campanha de reeleição do presidente do país. Os dois foram presos na terça (23) ao desembarcar no Aeroporto de Cumbica, em Guarulhos (SP). A prisão temporária de ambos vence no sábado (27) e pode ser prorrogada por mais cinco dias.

Caso as autoridades achem necessário, poderão ainda pedir a conversão da prisão para preventiva, que é quando não há prazo para que o investigado deixe a carceragem.

Aumento de patrimônio
Um relatório da Receita Federal aponta divergências nas declarações de Imposto de Renda de João Santana e da mulher. De acordo com o levantamento, o patrimônio de Santana aumentou de R$ 1 milhão em 2004, para R$ 59 milhões em 2014, em valores não corrigidos.

Conforme o relatório da Receita, parte do dinheiro que aumentou entre 2004 e 2014 não passou pelas contas bancárias de Santana.

Em 2012, por exemplo, o publicitário não informou nenhuma movimentação financeira, mas declarou rendimentos de R$ 7,8 milhões.

O levantamento da Receita também mostra que o marqueteiro do PT teve gastos elevados com cartões de crédito de mais de R$ 500 mil em 2012, mas esses valores não circularam pela conta corrente dele.

A compra de um apartamento em São Paulo, em 2013, por R$ 3 milhões também não consta na movimentação da conta bancária de Santana.

Alan Alex é jornalista, editor do site e da coluna Painel Político. Natural de Porto Velho foi criador e editor do site Portal364, trabalhou na redação dos jornais Diário da Amazônia, Folha de Rondônia, revista Painel Político, foi assessor de imprensa, é roteirista, editor de conteúdo e relações públicas. Também atuou como repórter de TV e rádio. É filiado à ABRAJI.

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