Mercados reagem a queda histórica do PIB, Copom e Delcídio

Os mercados deixam o cenário internacional em segundo plano e focam no forte noticiário doméstico político e econômico nesta quinta-feira (3). Decisão sobre taxa de juros,queda histórica do PIB (Produto Interno Bruto) e delação do senador Delcídio do Amaral (PT-MS) concentram as atenções dos investidores.

As taxas dos juros futuros com vencimento no curto e médio prazo sobem em um movimento de ajuste após os agentes de mercado terem precificado ao longo da semana alguma sinalização do Banco Central de que começaria a cortar a Selic em breve.

O Copom (Comitê de Política Monetária) decidiu, alinhado à expectativa do mercado, pela manutenção da Selic em 14,25%. Todos os olhos se voltaram para o comunicado e para o placar da decisão. O intuito era buscar pistas sobre quando a autoridade vai começar as cortar os juros.

A falta de consenso entre os membros do Comitê, com dois diretores ainda votando pela alta do juro, contradiz as apostas que se firmaram no mercado de juros nesta semana de que um ciclo de corte da Selic comece ainda em 2016. O placar dividido diminui a chance de queda da Selic no curto prazo, mas alguns economistas ainda veem possibilidade de corte antes do Natal.

“Alguns do mercado já esperavam votação unânime e as pessoas podiam pensar em corte da taxa em abril. Hoje eles fecharam essa porta”, avalia Carlos Kawall, economista-chefe do banco Safra. Ele não descarta, porém, um corte na Selic ainda neste ano.

[su_frame align=”right”] [/su_frame]Tatiana Pinheiro, economista do Santander, avalia que apesar do dissenso, o fato de o BC continuar colocando como relevante as incertezas domésticas – notadamente a questão da atividade econômica – reforça o viés de que o próximo passo da autoridade monetária será de um ciclo de corte dos juros, o que deverá começar no segundo semestre deste ano.

Política

A queda das taxas de juros do longo prazo é impulsionada pela notícia de que o senador Delcídio do Amaral revelou em depoimento que a presidente Dilma Rousseff tentou interferir na Operação Lava Jato, segundo informações da revista Isto É.

Em depoimento, Delcídio afirmou ainda que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva também atuou para ajudar um dos investigados pela operação. Lula teria sido o articulador do encontro entre Delcídio e Bernardo Cerveró, o filho do ex-diretor da Petrobras Nestor Cerveró. A gravação do encontro teria desencadeado a prisão do senador em dezembro.

O tombo histórico da economia brasileira ajuda a manter as expectativas de que, em algum momento, o Banco Central terá que cortar os juros para tirar uma parte da pressão sobre a economia brasileira.

O PIB (Produto Interno Bruto) encolheu 3,80% em 2015, segundo dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). O resultado é o pior desde 1990, quando a economia havia encolhido 4,35%, e a maior da nova série histórica do IBGE iniciada em 1996.

“A curva mais longa está reagindo ao BC vigilante. A queda da formação bruta no PIB também ajuda na queda dos juros”, afirma Paulo Petrassi, chefe de renda fixa da Leme Investimentos.

A formação bruta de capital fixo (FBCF) no país despencou 14,1% em 2015, no maior tombo desde 1996 e segunda queda anual consecutiva. A formação bruta de capital fixo reflete o aumento da capacidade produtiva do país por meio de investimentos em ativos, como máquinas e equipamentos.

Neste contexto, a taxa de juros negociada na BM&F (Bolsa de Mercadorias e Futuros) com vencimento em janeiro de 2017 tinha alta de 14,05%, no fechamento do último pregão, para 14,08%. O contrato do juro para janeiro de 2018 avançava de 14,32% para 14,39%. No longo prazo, a taxa para janeiro de 2022 recuava de 15,37% para 15,25%.

Ibovespa sobe mais de 2% e dólar cai a R$ 3,85

O Ibovespa sobe mais de 2% e caminha para o quarto pregão consecutivo de alta impulsionado pela leitura positiva dos agentes de mercado sobre a delação de Delcídio.

A avaliação dos agentes de mercado é de que as denúncias envolvendo Dilma Rousseff aumente as chances de um impeachment da presidente.

Por volta das 10h57, o Ibovespa subia 2,02%, a 45.803 pontos. Entre as ações com maior giro financeiro, destaque para os papéis da Petrobras (PETR4; 5,66%), Vale (VALE5; 1,70%) e Itaú Unibanco (ITUB4; 3,67%).

O dólar à vista tinha queda de 1,07%, cotado a R$ 3,8563, após ter descido na mínima de R$ 3,8349 nesta manhã.

As informações são de O Financista

Alan Alex é jornalista, editor do site e da coluna Painel Político. Natural de Porto Velho foi criador e editor do site Portal364, trabalhou na redação dos jornais Diário da Amazônia, Folha de Rondônia, revista Painel Político, foi assessor de imprensa, é roteirista, editor de conteúdo e relações públicas. Também atuou como repórter de TV e rádio. É filiado à ABRAJI.

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