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Militares do Exército são investigados por utilizarem veículo oficial em prostíbulos

Eles são alvo de uma sindicância por indisciplina. Roubos ocorridos nos estabelecimentos de Frutal no mesmo dia da visita ainda colocaram os militares no meio de uma investigação da Polícia Civil

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Três militares do 36º Batalhão de Infantaria Motorizado (BIMtz) de Uberlândia são alvo de uma sindicância do Exército aberta nesta segunda-feira (27) por terem usado o veículo oficial da unidade em visita a duas casas de prostituição na madrugada da última quinta-feira (23) em Frutal.

Os dois sargentos e um soldado, que atuam como temporários no Exército, chegaram a ser presos por indisciplina na sexta-feira (24) e ficaram em reclusão por 72 horas.

Além de responder a procedimento interno do Exército, o trio acabou envolvido em uma investigação da Polícia Civil em torno de roubos registrados nos dois prostíbulos no mesmo dia em que os militares foram vistos nesses locais.

De acordo com a polícia, em um dos roubos, registrado à 1h44 de quinta-feira, testemunhas relataram que três suspeitos encapuzados e portando armas de fogo chegaram ao local em uma caminhonete de cor escura e cabine dupla. Cerca de 1h depois, outro prostíbulo visitado pelos militares também foi assaltado. Nesse segundo caso, o envolvimento dos militares foi descartado.

Procedimento interno

Em nota, o 36º BIMtz informou que os militares de Uberlândia foram para a região em uma missão na BR-153 sobre Plano Nacional de Contagem de Tráfego, parceria entre o Exército e o Departamento Nacional de Infraestrutura de Trânsito (Dnit).

O 36º BIMtz declarou que o comando realiza um procedimento administrativo interno para apurar o fato dos dois sargentos e um soldado terem se ausentado do Tiro de Guerra de Frutal – local onde deveriam estar durante toda a operação – e terem utilizado um veículo militar sem autorização.

Presos na sexta-feira por indisciplina, eles foram liberados nesta segunda-feira após o cumprimento das 72h de detenção, conforme regimento interno.

Além disso, o 36º BIMtz disse que repudia qualquer desvio de conduta apresentado por quaisquer integrantes e coopera com os órgãos de Segurança Pública para elucidação dos roubos.

“Não houve provas suficientes para que os militares temporários do Exército fossem presos em flagrante pelo crime de roubo e tudo isso está sendo apurado pela Polícia Civil. Já dentro do 36º BIMtz, uma sindicância apura durante, no mínimo 30 dias, se houve quebra da ética militar e por isso podem ser excluídos do Exército”, explicou o assessor jurídico do 36º BIMtz, Capitão Dutra.

Polícia Civil apura roubos

De acordo com o delegado responsável pelo inquérito dos roubos, Murilo Antonini Pereira, os militares prestaram esclarecimentos depois de serem apresentados pelo comando militar em condição de presos, ao praticarem crime de indisciplina.

“Eles foram vistos frequentando os locais e as vítimas relataram características semelhantes dos autores às deles. Mas eles informam que depois foram a um posto de combustíveis e o álibi fecha com o horário do crime. Há imagens disso. Não estamos descartando nada, mas ainda é muito inicial relacioná-los ao roubo”, disse Pereira.

O primeiro roubo foi registrado à 1h44 de quinta-feira em um imóvel localizado na BR-364, na altura do km 31. As vítimas informaram à PM que três homens estavam em uma caminhonete de cor escura de cabine dupla e entraram no estabelecimento encapuzados e portando armas de fogo. Depois de anunciarem o roubo, forçaram clientes e funcionárias do local a deitarem no chão.

Os suspeitos levaram um carro de passeio, celulares, dinheiro e o receptor do sistema de câmeras. Em seguida, as vítimas foram trancadas em um banheiro e conseguiram sair depois que o trio fugiu com os materiais. Ainda conforme o relato à polícia, o roubo ocorreu alguns minutos depois que os militares teriam saído do local e os suspeitos tinham porte físico parecido ao dos autores.
A PM informou que o receptor e o veículo roubados foram recuperados.

Segundo roubo

Outra coincidência apontada pelas autoridades policiais é de que, na mesma madrugada, os dois sargentos e o soldado estiveram em outro estabelecimento da região que funciona como ponto de prostituição.

O local também foi assaltado com menos de 1h de diferença da ocorrência anterior. Contudo, nesse segundo caso, a polícia descartou o envolvimento dos militares.

“Nós já identificamos um autor, que está foragido. Trata-se de um homem bastante conhecido aqui na cidade. Na casa dele, nós encontramos parte dos materiais roubados nesse segundo estabelecimento. Ainda não sabemos se os roubos têm alguma ligação, mas já descartamos o envolvimento dos militares suspeitos nessa ocorrência”, declarou o delegado.

G1/MG

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