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Mineiro que matou três mulheres em Portugal é denunciado pelo MPF
MPF 

Caso seja condenado na 11ª Vara da Justiça Federal em Belo Horizonte, que já recebeu a denúncia, ele poderá ser preso por até 43 anos

O pedreiro Dinai Alves Gomes, de 35 anos, foi denunciado pelo Ministério Público Federal (MPF) pelo triplo feminicídio e ocultação de cadáver cometido em Portugal contra três brasileiras, em fevereiro de 2016. Caso seja condenado na 11ª Vara da Justiça Federal em Belo Horizonte, que já recebeu a denúncia, o mineiro poderá ser preso por até 43 anos.

Conforme o órgão federal, os assassinatos cometidos em Tires, distrito de Cascais, que fica na região metropolitana de Lisboa, foram caracterizados como feminicídios por conta da motivação por gênero. A investigação da Polícia Federal (PF) apontou que o suspeito teria matado as mulheres para evitar que sua esposa, que adiantara sua viagem ao país europeu, descobrisse o relacionamento extraconjugal que mantinha com uma das vítimas.

Com isso, os assassinatos tiveram início ainda na manhã do dia 1º de fevereiro, quando, entre oito e nove horas, o pedreiro matou as brasileiras Lidiana Neves Santana, de 16 anos, e Thayane Milla Mendes Dias, de 21. As mortes aconteceram de forma premeditada, assim que Michele Santana Ferreira, 28, a irmã de Lidiana com quem se relacionava, saiu do trabalho. O objetivo era garantir que nada atrapalhasse a morte da mulher horas mais tarde, quando ela chegou do serviço.

Ainda de acordo com o MPF, Dinai vivia em Portugal desde 2004, onde trabalhava como encarregado geral de um Canil e Gatil no distrito de Tires. Apesar ter uma mulher com quem era casado no Brasil, o suspeito começou o relacionamento com Michele, mineira de Campanário, na região do Rio Doce, que emigrou para o país em 2008.

“Testemunhas afirmaram que se tratava de um relacionamento bastante conturbado, inclusive com ameaça de morte feita pelo acusado a Michele caso ela engravidasse. Segundo a denúncia, é possível que ela estivesse grávida, conforme mensagem que enviou à mãe relatando a suspeita da gravidez”, explica o MPF.

Dinâmica

A irmã adolescente de Michele chegou ao país em novembro de 2015, onde passou a morar com ela na casa do acusado. Já em janeiro de 2016 foi a vez de Thayane, capixaba que namorava a menor, chegar ao país, sendo que o próprio Dinai, segundo as investigações, teria intercedido junto ao Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF) para que ela pudesse entrar no país.

Entretanto, dois dias depois da chegada da terceira vítima ao país europeu, a mulher do pedreiro teria o avisado que anteciparia a viagem para vê-lo, que estava prevista para acontecer no final de fevereiro. Com isso ele matou primeiramente o casal formado pela adolescente irmã de Michele, ocultando os corpos no interior de uma fossa séptica que ele próprio montou no canil em que trabalhava.

Depois de remover os objetos e documentos das vítimas da casa, o suspeito foi até o aeroporto para buscar a mulher e sua filha, que acabavam de chegar do Brasil. Por volta das 19h30 ele buscou Michele no trabalho e uma hora depois a matou, escondendo o corpo da jovem no mesmo lugar de sua irmã e a companheira.

“Após a ocultação dos três cadáveres, Dinai teve o cuidado de elevar a boia que controlava o nível da água, a fim de que a fossa ficasse quase cheia, bem como cortou o fio elétrico do alarme de aviso do nível da água e recolocou a proteção metálica sobre a fossa, tudo com a finalidade de garantir que os corpos não fossem descobertos”, afirma a denúncia.

Para evitar a descoberta da morte das vítimas, o suspeito usou diversas artimanhas. Ele ligou para a empregadora de Michele e disse que a mãe dela teria falecido, o que fez com que a mulher e a irmã voltassem para o Brasil. O homem também entrou em contato com a mãe das vítimas por um aplicativo de celular, fingindo ser as filhas dela, simulando que estavam vivas.

Já no dia 22 de fevereiro, o pedreiro falou para uma funcionária do canil onde trabalhava que sua sogra teria falecido, voltando para Minas no dia seguinte. Os corpos das mulheres só foram localizados cerca de seis meses depois, no dia 26 de agosto, durante procedimento de manutenção da fossa do estabelecimento.

Roubo

Além do triplo feminicídio e da ocultação dos cadáveres, Dinai também foi denunciado por roubo, uma vez que praticou outro crime violento contra Michele. No dia 14 de outubro de 2015 a mulher foi assaltada quando saía do trabalho, sendo agredida com socos por um homem pelas costas e levou seu celular. O assalto aconteceu justamente no momento em que ela não estaria vivendo com o acusado, por conta de brigas do casal.

Depois que o homem já havia retornado ao Brasil, o aparelho da vítima foi encontrado em uma prateleira do canil. O feminicídio é crime hediondo, com pena prevista de 12 a 30 anos. Já a ocultação de cadáver pode levar a prisão por 1 a 3 anos, enquanto o roubo tem pena de 4 a 10 anos.

Dinai se encontra preso na Penitenciária Nelson Hungria, em Contagem, na região metropolitana de BH, desde o dia 5 de setembro do ano passado.

Alan Alex é jornalista, editor do site e da coluna Painel Político. Natural de Porto Velho foi criador e editor do site Portal364, trabalhou na redação dos jornais Diário da Amazônia, Folha de Rondônia, revista Painel Político, foi assessor de imprensa, é roteirista, editor de conteúdo e relações públicas. Também atuou como repórter de TV e rádio. É filiado à ABRAJI.

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