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Ministro da Saúde participou de ‘venda’ de cargo no governo do PR, diz delator da Operação Quadro Negro

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O ministro da Saúde, Ricardo Barros, foi citado em um dos depoimentos que o dono da Construtora Valor prestou ao Ministério Público Federal (MPF). O empresário Eduardo Lopes de Souza, investigado por fraudes em licitações na construção de escolas do Paraná que chegam a R$ 20 milhões, fechou um acordo de delação premiada. A colaboração precisa ser homologada pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

As informações foram divulgadas pela Folha de São Paulo nesta sexta-feira (1º) e confirmadas pelo G1 e pela RPC Curitiba. O ministro negou as acusações.

No depoimento, Souza afirma que Barros participou de uma “venda” de um cargo lotado no gabinete da vice-governadora do Paraná, Cida Borghetti, que é casada com o ministro.

O cargo teria sido prometido ao irmão de Cida, Juliano Borghetti, que já foi vereador em Curitiba. O ex-vereador poderia indicar alguém para essa função na vice-governadoria.

Conforme o delator, Juliano Borghetti afirmou que não poderia assumir o cargo público, pois ficou com a imagem desgastada, após se envolver em uma briga de torcidas de futebol em Joinville, em Santa Catarina.

“Disse que, entretanto, foi-lhe dado o direito à nomeação de um cargo na Vice-Governadoria, com salário de aproximadamente R$ 15 mil reais e me propôs a ‘venda’ dessa nomeação. Disse que eu poderia colocar meu filho Gustavo no cargo e em contrapartida eu pagaria ao Juliano uma quantia ‘por fora'”, diz trecho da delação.

O irmão da vice-governador apareceu nas imagens da confusão envolvendo torcedores do Atlético-PR e do Vasco, na última rodada do Campeonato Brasileiro de 2013. A briga teve repercussão nacional.

Ainda conforme o depoimento, Juliano Borghetti disse que precisava falar com Ricardo Barros, que à época era deputado federal. Segundo o empresário, o irmão de Cida disse que era Barros quem mandava.

O empresário afirmou que houve uma série de reuniões para tratar do assunto. Os encontros ocorreram na vice-governadoria e no Diretório Estadual do Partido Progressista, em Curitiba.

Em uma dessas reuniões, Ricardo Barros disse que concordava com a proposta, mas Eduardo Lopes de Souza deveria pagar R$ 15 mil ao mês para Juliano Borghetti. O dono da Valor disse que aceitou a proposta. Ele também afirmou que se encontrou com Barros por três ou quatro vezes.

Passado algum tempo, Cida Borghetti teria chamado o empresário até o gabinete dela para conversar sobre o assunto. Souza afirmou que ela agradeceu pessoalmente por ter resolvido a situação do irmão.

Após a nomeação da pessoa indicada por Souza, Juliano Borghetti teria recebido o dinheiro. Os pagamentos, segundo o delator, aconteceram no início de 2015. O repasse para o irmão de Cida foi de R$ 15 mil, por mês, durante três meses. Os valores foram entregues diretamente na sede da Construtora Valor.

Homologação

O acordo de delação de Eduardo Lopes de Souza foi encaminhado ao Supremo Tribunal Federal (STF). O ministro Luiz Fux está analisando o caso. O magistrado, no entanto, ainda não decidiu se vai homologar ou não o acordo.

Caso seja homologado, Souza deverá apresentar provas à Justiça sobre os atos ilegais que descreveu nos depoimentos. Em troca, ele poderá receber benefícios, como redução ou extinção de eventuais penas pelos crimes dos quais é acusado.

Já as autoridades policiais e o Ministério Público poderão abrir investigações para apurar todos os ilícitos apontados na delação. Não há prazo para que isso ocorra.

Fonte: g1.com

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