A crise econômica que levou à eliminação de milhões de postos de trabalho no Brasil e à retração de investimentos continua mantendo um enorme contingente de trabalhadores desempregados no país, mas alguns setores começam a aumentar o número de vagas.

Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mais de 12,7 milhões de pessoas permaneciam em busca de emprego no trimestre terminado em agosto – apesar do período ter registrado a quinta queda consecutiva da taxa de desemprego, que ficou em 12,1%, e de setores como o industrial terem voltado a contratar.

Foram mais 112 mil postos de trabalho gerados em relação ao trimestre de março a maio.

Os dados também mostram 176 mil trabalhadores a mais que no trimestre anterior no setor de serviços, mais 61 mil no comércio e mais 253 mil na agropecuária.

“Mas o que tem (aberto mais vagas) mais mesmo é o pequeno empregador, o trabalhador por conta própria e o trabalhador doméstico, como efeito colateral da crise”, diz Cimar Azeredo, coordenador de Trabalho e Rendimento do IBGE. “Há muita informalidade, o aumento do trabalho sem carteira. São pessoas tentando se inserir de alguma forma para sobreviver”, acrescenta ele.

Apesar da incerteza que ainda resiste refletindo o cenário eleitoral, dados do Ministério do Trabalho, que registram dados do emprego com carteira assinada, e milhares de anúncios publicados na internet confirmam a tendência apontada pelos números do IBGE, de que avisos de “contrata-se” se multiplicam em áreas específicas.

“Não é que a crise tenha acabado”, alerta Ricardo Basaglia, diretor da consultoria de recrutamento Michael Page.

A coordenadora acadêmica e professora de gestão estratégica de pessoas da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Anna Cherubina, faz coro e reforça que “o movimento ainda é pequeno, muito cauteloso” e sem a força exigida para absorver o mundo de trabalhadores que ficou “sem serviço”.

Mesmo assim, tais “focos de crescimento” são vistos em segmentos do comércio, da indústria e, mais especificamente, no setor de tecnologia da informação, ou TI, “mais aquecido do que nunca”.

No comércio

No comércio varejista, um dos setores mais afetados pela crise, 61,3 mil novas carteiras foram assinadas de agosto de 2017 a agosto deste ano. Foi o primeiro saldo positivo no período desde 2014. Mas, esse crescimento é concentrado em hiper e supermercados.

“O subsetor é o único do varejo que está puxando de forma mais significativa o emprego”, diz o economista-chefe da Confederação Nacional do Comércio (CNC), Fábio Bentes.

O recuo recente no preço dos alimentos ajuda, segundo ele, a manter o movimento nas lojas e em consequência as contratações em alta. O aumento da procura por etiquetadores e embaladores de mercadorias é um reflexo disso.

Nos 12 meses encerrados em julho, as vagas para as duas funções tiveram expansão de 25,5%, 10 vezes superior à média de todo setor.

“É a turma mais qualificada perdendo espaço. A crise desidratou o mercado não só em quantidade, mas também na qualidade. As oportunidades que surgem são para trabalhadores mais jovens, com pouca qualificação e experiência”, diz Bentes.

O crescimento em menos da metade das ocupações é “um termômetro da fraqueza da recuperação da economia pela via do consumo”, afirma.

“Em situações em que o nível de confiança dos empresários é mais elevado, como antes da crise, mais de 70% das profissões estariam crescendo.”

Uma melhora no quadro, segundo ele, vai depender da “exposição clara da condução da política econômica do novo governo” e se isso vai animar empresas nessa e em outras atividades a voltarem a investir.

“Mesmo com a inflação ainda baixa e com juros em queda, estamos passando por um processo de indefinição política que inibe a materialização dos investimentos”, diz, enxergando recuperação plena do setor, no cenário mais otimista, de 2020 em diante.

As dificuldades se refletem inclusive no período em que as lojas mais vendem, o Natal, afetando a contratação de trabalhadores temporários, comum no setor varejista.

As 72,7 mil vagas temporárias previstas até dezembro para atender esta demanda sazonal significam na verdade um recuo de 1,7% em relação a 2017 e são quase metade das abertas em 2013, ano que precedeu o início da crise no setor.

No segmento de vestuário, que em 2017 estimava contratar 47,9 mil temporários, este ano haverá 1 mil oportunidades a menos. Nas lojas de hiper e supermercados são quase 1,5 mil a mais, com um total de 11,5 mil vagas esperadas. Mas nem todos irão contratar.

A Riachuelo e a C&A, as maiores do segmento de roupas, confirmam novas vagas.

“Contratamos aproximadamente 7,5 mil temporários em 2017 e este ano ainda não temos os números, mas esperamos crescer cerca de 5%”, diz a Riachuelo.

As vagas são para auxiliar de logística, assistente de vendas, auxiliar de estoque e operador de caixa.

Na C&A, as oportunidades devem ser divulgadas a partir deste mês e serão para atender a demanda não só do Natal, mas também da Black Friday, em novembro.

Deverão ser contratados operadores de caixa, operadores de vendas e serviços, consultores de moda, líderes de loja, supervisores de equipe e assistentes de atendimento.

A CNC estima que 19% dos trabalhadores que entrarem serão efetivados após o fim do ano, contra 23% no Natal passado e 32% na média registrada de 2009 a 2014.

“É que a permanência deles exige um exercício de futurologia em relação a como vai estar a economia brasileira no início do ano que vem. E o ponto de interrogação é enorme.”

LEIA A REPORTAGEM COMPLETA NA BBC.

Painel Político
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