Números revelados pelo IBGE apontam que há 27,6 milhões de desempregados no País

Estadão/Painel Político/BandaB – No final do ano passado, ainda sob a perspectiva de aprovação da reforma da Previdência e com projeções de crescimento do PIB em 2018 que chegavam a superar os 3%, havia um certo otimismo em relação à queda do desemprego. Mas a realidade tem se mostrado bem diferente. A cada divulgação de dados sobre trabalho no País, consolida-se a convicção que o desemprego será um dos desafios mais urgentes a serem enfrentados por quem vencer a eleição para a presidência em outubro.

Dados anunciados nesta quinta-feira, 16, pelo IBGE mostram o tamanho desse desafio. No segundo trimestre, o número de pessoas que estão há mais de dois anos procurando emprego chegou ao recorde de 3,162 milhões. O número de desalentados, que são as pessoas que desistem de procurar emprego por acreditar que não vão mais encontrar, também foi recorde: 4,833 milhões. A taxa de desemprego do País, que estava em 11,8% em dezembro, fechou o segundo trimestre em 12,4% – são quase 13 milhões de desocupados.

Ironicamente, a própria disputa eleitoral é apontada como uma das causas da manutenção da desocupação em níveis tão altos. Com um cenário totalmente incerto, empresas seguram investimentos e, consequentemente, a abertura de novas vagas. “Estamos num momento de elevada incerteza, sem saber quem é o candidato com mais chances, o que vai fazer, o que propõe”, diz José Ronaldo de Castro Souza Júnior, do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). “Isso obviamente segura a retomada”.

‘Tem sido bem difícil, até os bicos sumiram’

Bruno Gabriel Lima, de 21 anos, procura por um emprego fixo desde 2017. Ele até conseguiu uma vaga temporária, de um mês, como operador de caixa em uma loja, após ter sido demitido com os colegas do antigo emprego ao mesmo tempo. Ele está há dois meses vivendo de bicos. “Bico que eu tive de aprender na marra. Meu pai, que também está desempregado, instala forros e divisórias em casas. Aprendi a refazer até a parte elétrica. Mas tem sido bem difícil, até os bicos sumiram.” Ele agora tenta voltar ao mercado para ganhar o bastante para pagar a faculdade de enfermagem.

‘Precisamos conseguir um emprego logo’

Elizabethe Chaves, de 57 anos, trabalhou por 12 anos como vendedora em uma loja de roupas, mas agora aceita qualquer vaga que aparecer, desde que não tenha mais de trabalhar nos fins de semana. “Estou com uma filha desempregada também e sei que precisamos conseguir um emprego logo, mas estou me concedendo esse luxo de ter o fim de semana para a família, depois de anos trabalhando sem parar.” Desde janeiro, ela percorre postos de emprego em busca de uma vaga formal. Das 40 vagas anunciadas na agência em que ela deixou o currículo na quinta-feira, 16, 20 eram temporárias.

‘Não sei o que estou fazendo de errado’

As aposentadorias dos pais e os salários das duas irmãs garantem que as contas da casa de Henrique da Cruz, de 31 anos, não atrasem. Desempregado há dois anos, ele teve de trocar o trabalho de analista em uma empresa de logística por bicos como entregador. “Mas até a esperança diminuiu. Eu deixo currículo toda semana e nem chamam para entrevistas. Não sei o que estou fazendo de errado.” Cruz acabou abandonando a faculdade particular, quando as mensalidades ficaram pesadas, e agora estuda para passar em uma Fatec. “Não dá para desanimar.”

Alan Alex
Alan Alex é jornalista, editor do site e da coluna Painel Político. Natural de Porto Velho foi criador e editor do site Portal364, trabalhou na redação dos jornais Diário da Amazônia, Folha de Rondônia, revista Painel Político, foi assessor de imprensa, é roteirista, editor de conteúdo e relações públicas. Também atuou como repórter de TV e rádio. É filiado à ABRAJI.

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