Morgan Stanley: ‘A grande aposta’ prejudicou o crédito de risco

O consumidor americano está com medo de se endividar. A culpa é de Brad Pitt? Para o Morgan Stanley, sim. Em nota divulgada na quarta-feira, o banco americano afirma que “A grande aposta”, ganhador do Oscar de melhor roteiro adaptado e que concorreu em outras quatro categorias, como melhor filme, afastou quem precisa e aposta em empréstimos de alto risco, os chamados subprime.

A crise financeira internacional, cujo ápice aconteceu em setembro de 2008, com a quebra do banco Lehman Brothers, teve origem nos empréstimos imobiliários de alto risco, os subprime, que, empacotados pelos bancos em complexos mecanismos de investimento, contaminaram todo o sistema financeiro. O filme explica como isso aconteceu e o Morgan Stanley acha o sucesso da produção de Hollywood ajudou a afastar os clientes.

Os analistas do Morgan Stanley, liderados por Jeen Ng, indicam na nota que a estreia de “A grande aposta” — a versão cinematográfica do livro de Michael Lewis publicado em 2010 — tem gerado preocupações sobre uma nova classe de ativos.

Empréstimos para compra de veículos concedidos a tomadores de risco e em seguida, agrupados em títulos que são oferecidos a investidores, têm ocupado as manchetes há anos, com algumas preocupações sobre uma aparente semelhança entre o chamado mercado subprime de carros e o imobiliário — o estouro deste último provocou a crise de 2008, seguida pela recessão.

“As preocupações com crescentes riscos de recessão — e talvez até mesmo a popularidade do recente filme ‘A grande aposta’ — motivaram os investidores a investigar qualquer fonte potencial de fraqueza. Os setores de consumo que envolvem grandes despesas iniciais, tais como habitação e automóveis, são a área natural para se começar. Combine isso com as recentes manchetes da Fitch, sugerindo que a inadimplência em alguns setores do mercado de automóveis subiram ao maior patamar em 20 anos, e você terá um alvo perfeito para as preocupações dos investidores”, diz o Morgan Stanley.

O Morgan Stanley, no entanto, afirma que não acredita que o que os títulos subprime de carros vão seguir o mesmo caminho de seus equivalentes imobiliárias, cuja quebra ajudou a detonar a crise financeira internacional. “A atual estrutura de crédito desses negócios com carros continua bem resiliente.”

O filme mostra como o agente de Wall Street Michael Burry previu que o crédito imobiliário subprime estava fadado a falhar e como ele lucrou com isso. O papel foi interpretado por Christian Bale e conta também com nomes como Steve Carell, Ryan Gosling e Brad Pitt.

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