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Morre Ângelo Angelim, mas você sabia que ele foi “governador biônico”?

Ele governou o Estado durante a transição entre ditadura e a democracia

O ex-governador Angelo Angelim (1935-2017) faleceu em Cuiabá na última segunda-feira, vítima de uma diverticulite (Inflamação ou infecção em uma ou mais das pequenas bolsas do trato digestivo). Aos 82 anos, graduado em Letras, Filosofia e Administração de Empresas, residia em Rondônia desde 1977, quando migrou para Vilhena e abriu uma madeireira.

No mesmo ano, foi nomeado secretário de Educação do município e foi indicado como administrador do distrito de Colorado do Oeste. Em 1982 elegeu-se deputado estadual e foi o relator da comissão que criou a Constituição do Estado de Rondônia. Foi presidente da Assembleia Legislativa e vice-presidente estadual do PMDB.

Em 1985 foi nomeado pelo presidente José Sarney para ser o primeiro governador biônico do Estado, no período de transição entre o regime militar e a democracia.

Mas, o que era um cargo biônico?

Cargos biônicos são aqueles cujos titulares foram investidos mediante a ausência de sufrágio universal (voto direto) e cujo parâmetro para escolha era a sanção das autoridades de Brasília à época do Regime Militar de 1964 nas décadas de 1960, 1970 e 1980. Tal centralismo garantiu a continuidade do regime e impediu que os objetivos traçados pelos militares fossem alvo de sedições políticas. Na prática, as regiões sob o jugo de governadores e prefeitos biônicos possuíam autonomia reduzida visto que as decisões de relevo vinham do governo central, o que diminuía a influência das forças políticas locais.

Angelo Angelim em 1987, no então distrito de Corumbiara

O termo “biônico” foi popularizado no Brasil graças ao seriado O Homem de Seis Milhões de Dólares. Nele o Coronel Steve Austin (Lee Majors) recebeu implantes cibernéticos que salvaram-lhe a vida após um grave acidente e como compensação passou a trabalhar como agente especial do governo americano usando para isso suas capacidades ampliadas. Transposta para o mundo político, tal designação serviu para apontar quem ascendeu ao poder sem o desgaste de uma campanha eleitoral.

A partir de 1966 surgiram os governadores biônicos, prefeitos biônicos em certas categorias de municípios e até senadores biônicos. No caso dos senadores o termo “biônicos” derivou também do Pacote de Abril de 1977 que alterou as regras para o pleito de 1978. Nele, cada estado escolheria um nome pela via indireta na renovação de dois terços das cadeiras mediante votação de um colégio eleitoral, o que deu à ARENA 21 das 22 cadeiras em jogo impedindo a repetição da rotunda vitória do MDB em 1974. Na disputa pelas vinte e três vagas a serem preenchidas por voto direto os arenistas conquistaram quinze. No total o placar das eleições para a Câmara Alta do parlamento foi de trinta e seis a nove para o governo.

Angelim tentou o senado

Nas eleições de 1989, Angelo Angelim tentou uma vaga ao Senado, mas perdeu para Odacir Soares. Após esse fato desligou-se da política e passou a residir em Vilhena até seu falecimento. Angelo Angelim será enterrado em São Paulo, na cidade de Capivari, onde nasceu.

Alan Alex é jornalista, editor do site e da coluna Painel Político. Natural de Porto Velho foi criador e editor do site Portal364, trabalhou na redação dos jornais Diário da Amazônia, Folha de Rondônia, revista Painel Político, foi assessor de imprensa, é roteirista, editor de conteúdo e relações públicas. Também atuou como repórter de TV e rádio. É filiado à ABRAJI.

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