Morre aos 57 anos o cantor Prince

Cantor foi encontrado morto nesta quinta (21) em sua casa nos Estados Unidos

Morreu nesta quinta-feira, aos 57 anos, o cantor Prince. Dono de hits como “Purple Rain”, o músico foi encontrado morto em sua casa no Minnesota, nos Estados Unidos. A informação foi divulgada pelo site “TMZ” e a causa da morte ainda não foi confirmada.

Na última semana, Prince tinha dado entrada em um hospital após um pouso forçado de seu jatinho particular. A equipe do cantor afirmou que ele estava com gripe.

Prince, um cantor e compositor inovador cuja música combinou jazz, funk e disco, é mais conhecido por canções de sucesso como “Purple Rain”, “Kiss” e “Raspberry Beret”.

Ele ganhou fama no fim dos anos 1970 e ao longo das três décadas seguintes tornou-se conhecido como uma das forças mais inventivas e excêntricas da música pop norte-americana.

Prince, uma pessoa bastante reservada, ganhou vários prêmios Grammy e entrou no Rock and Roll Hall of Fame em 2004.

My name is Prince, and I am funky/ My name is Prince, the one and only“, apresentava-se no seu single My Name is Prince, de 1992. O ícone musical Prince morreu esta quinta-feira aos 57 anos, desaparecendo assim um dos mais profícuos autores das últimas décadas não só enquanto cantor mas também autor, instrumentista e performer. Um dos mais influentes artistas desde a década de 1970, é autor de Kiss, Little Red Corvette, Purple Rainou When Doves Cry. São alguns dos temas do músico que marcam a sua história, durante a qual chegou a ser símbolo – literalmente Prince logo.svg – e a ser O Artista Anteriormente Conhecido como Prince, uma de várias facetas da sua crítica aos mecanismos da fama, da indústria e da tecnologia.

Nos últimos anos, afirmou-se criativamente também com a marcação de concertos quase de surpresa, rejeitando as pressões da Internet, limitando ao máximo as entrevistas e presenças mediáticas e associando-se a serviços destreaming como o Tidal como reacção à massificação da divulgação musical na Internet. As imagens dos seus concertos, sejam fotos ou vídeos, são escassas por pedido expresso do músico. A sua marca cultural é, porém, indelével – além da sua criação em nome próprio, escreveu canções para inúmeros artistas e tocou temáticas variadas, da sexualidade à política.

Para Paulo Furtado, conhecido como The Legendary Tigerman, “foi o único músico da sua geração que compreendeu a essência da soul, do funk e de toda a música afro-americana. Fê-lo com uma capacidade de reformulação e de reinvenção impressionantes, como ainda mais ninguém fez. A influência dele no mundo moderno e na música de hoje é enorme e é uma pena que tenha morrido tão cedo e com tanto ainda para dar”.

A polícia tinha já confirmado que estava a acompanhar o caso de uma morte, que ainda não tinha identificado, na sua casa-estúdio em Paisley Park, em Minneapolis, no estado do Minnesota. O seu representante confirmou o seu falecimento à agência de notícias Associated Press, depois de o site TMZ ter anunciado a sua morte citando várias fontes sob anonimato. “É com profunda tristeza que confirmo que o lendário e icónico Prince Rogers Nelson morreu”, disse a relações públicas Anna Meacham, citada pela Reuters. A causa da morte não foi revelada.

O músico tinha cancelado no início do mês alguns concertos em Atlanta da sua digressão Piano & A Microphone Tour. Na semana passada, Prince chegou mesmo a ser hospitalizado de emergência por alguns dias. Mas no último sábado, o orgulhoso nativo de Minneapolis, deu uma festa na sua propriedade de Paisley Park, lembra o diário local Star Tribune. Os bilhetes custavam 10 dólares e Prince esteve presente, orgulhoso da sua nova guitarra roxa e tocando piano brevemente. A sua doença recente estava na mente dos presentes, mas Prince disse-lhes: “Esperem uns dias antes de desperdiçarem as vossas orações”.

De Purple Rain aos Grammy

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Símbolo adotado por Prince

Prince Rogers Nelson nasceu em 1958 em Minneapolis. Começou a trabalhar no final da década de 1970 e em 1984 lançou Purple Rain – uma afirmação criativa tripla. É um tema-chave dos anos 1980, o álbum que o impulsionou para o sucesso no mainstream e ainda o filme homónimo de Albert Magnoli que marca também a estreia de Prince como actor no cinema. Esse filme deu a Prince o seu único Óscar, de Melhor Banda Sonora Original, em 1985. Em 1993 mudava o seu nome legalmente para o símbolo  mas reverteria essa decisão e voltaria a ser conhecido como Prince.

Ao longo da sua carreira editou 39 álbuns, a solo ou com a New Power Generation (anos 1990) ou as 3rd Eye Girl (década de 2010), dos quais dois editados em 2015 – HITNRUN Phase One e Two. Recebeu sete Grammys e foi integrado no Rock and Roll Hall of Fame em 2004. Foi casado duas vezes e apesar de ser cioso da sua privacidade são-lhe conhecidos vários romances com estrelas. Tinha acabado de anunciar que iria publicar as suas memórias.

O músico Kalaf Ângelo classifica Prince como “importantíssimo” para a música – “Uma inspiração não só musical, mas também pela forma como reconstruiu a sua carreira e lutou pelos seus direitos. A forma heróica como Prince enfrentou as grandes editoras para reclamar os seus direitos e depois voltou ao mercado” é algo que destaca. No fundo, via Prince como “um artista a defender a sua música no sentido mais puro”, disse.

Em Agosto de 2013 passou pela última vez por Portugal num concerto marcado com pouquíssima antecedência com a sua banda 3rd Eye Girl, no Coliseu dos Recreios. A sua ligação a Portugal passa também pela colaboração com a fadista Ana Moura.

Tinha já actuado no Estádio de Alvalade em 1993, no Pavilhão Atlântico em 1998 – horas mais tarde esteve também na discoteca Lux – e no Super Bock Super Rock em 2010.

Músicos, actores ou realizadores estão a recorrer às redes sociais para manifestar o seu pesar pela morte de Prince. Um “King“, apenas, para Questlove dos Roots, “His Purple Badness” para Spike Lee, num dia em que “as pombas vão chorar lágrimas púrpura”, escreveu a actriz Rose McGowan. “O mundo perdeu muita magia”, lamentou Katy Perry, “que génio”, disse um Samuel L. Jackson “esmagado” no “pior dia de sempre” para Boy George, em que Justin Timberlake está “dormente. Atordoado”. Russell Simmons postula uma frase por muitos repetida: “Rest in power, Prince.” com Isabel Salema

Alan Alex é jornalista, editor do site e da coluna Painel Político. Natural de Porto Velho foi criador e editor do site Portal364, trabalhou na redação dos jornais Diário da Amazônia, Folha de Rondônia, revista Painel Político, foi assessor de imprensa, é roteirista, editor de conteúdo e relações públicas. Também atuou como repórter de TV e rádio. É filiado à ABRAJI.

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