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Motorista para ônibus no DF para vetar ‘pregação’ de passageiro; vídeo

Rodoviário pediu ajuda da PM e disse cumprir normas da empresa; associação confirma que manifestações do tipo são proibidas

Um motorista de ônibus do Distrito Federal entrou em conflito com passageiros, no último domingo (5), após interromper a viagem e pedir o desembarque de um homem que fazia pregação religiosa no interior do veículo. Após quase meia hora de “negociação”, a empresa teve de enviar outro motorista ao local para continuar a viagem. O caso não chegou a ser registrado em boletim de ocorrência.

A confusão começou quando o homem – que é humorista e costuma fazer “stand-up comedy” nos ônibus da região – começou a falar sobre religião com outros passageiros. Incomodado, o motorista parou em um posto policial do Lago Sul e pediu ajuda à equipe de policiais militares do local.

Imagens feitas por outro passageiro mostram que o motorista e o humorista chegaram a sair do veículo para conversar com os policiais. Segundo a PM, os militares não podiam tomar nenhuma atitude, já que a conduta do passageiro não era criminosa.

O motorista voltou ao veículo e indicou que seguiria a viagem mas, em seguida, parou novamente. De acordo com a PM, ele informou aos militares que “estava se sentindo ameaçado pelos passageiros” por ter interrompido o trajeto. Com isso, a Pioneira teve de enviar um outro motorista para concluir o roteiro.

Em uma postagem em rede social, o homem que entrou em conflito com o motorista classificou o caso como “uma situação bem desagradável”. “O talento que Deus me deu é de sobra. Mas que Deus tenha misericórdia desse motorista e faça justiça”, disse.


Motorista para ônibus para acabar com “pregação” por painelpolitico

‘Código de conduta’

Até a tarde desta segunda, a empresa de ônibus Pioneira e a Secretaria de Mobilidade não tinham registro de reclamação formal de nenhum dos envolvidos. À polícia, o motorista informou que estava “cumprindo orientações” e que, pelas regras da empresa, não podia permitir qualquer tipo de perturbação dentro do ônibus.

A associação que representa as viações do DF confirmou a regra, e disse que a norma evita constrangimento a pessoas que usam o tempo de trajeto para estudar, por exemplo, ou que estejam indispostas. A mesma regra vale para ambulantes, pedintes, músicos, artistas ou religiosos de qualquer denominação e, segundo a associação, não tem caráter preconceituoso.

De acordo com a Mobilidade, as regras vigentes estão listadas no Código Disciplinar Unificado do Sistema de Transporte Coletivo, que foi publicado no Diário Oficial do DF em 2002. O texto lista uma série de infrações que podem sujeitar os rodoviários ou as empresas a diferentes punições – advertência, multa ou recolhimento do veículo, por exemplo.

A lista inclui “permitir, no interior do veículo, o exercício de mendicância ou de comércio ambulante”, e “transportar pessoa visivelmente embriagada, drogada ou que de alguma forma comprometa a segurança ou conforto de passageiro”. Segundo a associação das empresas, esses quesitos autorizam a intervenção do motorista em casos como o do último domingo.

Alan Alex é jornalista, editor do site e da coluna Painel Político. Natural de Porto Velho foi criador e editor do site Portal364, trabalhou na redação dos jornais Diário da Amazônia, Folha de Rondônia, revista Painel Político, foi assessor de imprensa, é roteirista, editor de conteúdo e relações públicas. Também atuou como repórter de TV e rádio. É filiado à ABRAJI.

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