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MPF reforça pedido de condenação de Bumlai e mais 9 réus da Lava Jato

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Entre os outros réus estão Nestor Cerveró e João Vaccari Neto.
Corrupção e lavagem de dinheiro estão entre os crimes citados

O Ministério Público Federal (MPF) reforçou o pedido da condenação judicial contra o pecuarista José Carlos Bumlai, o ex-diretor da área Internacional da Petrobras Nestor Cerveró, o tesoureiro do PT João Vaccari Neto e outros sete réus de uma ação penal da Operação Lava Jato. Entre os crimes citados estão corrupção ativa e passiva, gestão fraudulenta contra instituição financeira e lavagem de dinheiro.

As alegações são a última etapa na tramitação dos processos, antes da sentença do juiz. O documento foi protolado no sistema eletrônico da Justiça Federal do Paraná na noite de segunda-feira (18).

A denúncia, aceita pelo juiz Sérgio Moro em dezembro de 2015, afirma que, em 2004, o Banco Schahin concedeu empréstimo de R$ 12 milhões a José Carlos Bumlai e que o destinatário real seria, no entanto, o PT.

Em tese, o empréstimo deveria ter sido pago até novembro de 2005, o que não ocorreu. Assim, o montante foi sendo corrigido para incorporar os encargos não pagos. Os valores foram quitados na sequência, após o Banco Schahin conceder empréstimo de R$ 18 milhões à empresa AgroCaieras, do próprio Bumlai.

Os valores do novo empréstimo, que ultrapassaram R$ 20 milhões, seguiram sem pagamento até janeiro de 2009, quando foi feito um contrato de venda de embriões de gado bovino das fazendas de Bumlai para empresas do Grupo Schahin, de acordo com as investigações.

No documento de alegações finais, o MPF pediu a devolução do montante mínimo de R$ 53.540.145,86, mais US$ 1 milhão referente à propina oferecida ao ex-gerente da Petrobras Eduardo Musa, como forma de reparar os danos causados à Petrobras no contrato de operação do navio-sonda Vitória 10.000.

Bumlai cumpre prisão domiciliar desde o dia 18 de março com tornozeleira eletrônica para um tratamento médico. No documento, os procuradores do MPF solicitaram o recolhimento a um estabelecimento prisional assim que terminar o tratamento.

Veja as denúncias contra os réus
José Carlos Marques Bumlai, pecuarista: corrupção passiva, lavagem de dinheiro e gestão fraudulenta contra instituição financeira;
Maurício de Barros Bumlai, filho de Bumlai: gestão fraudulenta contra instituição financeira e lavagem de dinheiro;
Salim Taufic Schahin, executivo do Grupo Schahin: corrupção ativa, gestão fraudulenta contra instituição financeira e lavagem de dinheiro;
Fernando Schahin, executivo do Grupo Schahin: corrupção ativa;
Nestor Cerveró, ex-diretor da área Internacional da Petrobras: corrupção passiva;
Jorge Zelada, ex-diretor da área Internacional da Petrobras: corrupção passiva;
João Vaccari Neto, ex-tesoureiro do PT: corrupção passiva;
Fernando Soares, lobista: corrupção passiva;
Milton Taufic Schahin, executivo do Grupo Schahin: corrupção ativa e gestão fraudulenta contra instituição financeira.

Os procuradores pediram a suspensão da ação em virtude do acordo de delação premiada para Eduardo Musa. O MPF solicitou ainda a absolvição de Maurício de Barros Bumlai pelo crime de corrupção passiva por falta de provas.

O MPF reforçou ainda que não há dúvida da participação do ex-ministro José Dirceu no esquema do empréstimo fraudulento de Bumlai com o Banco Schahin. Dirceu está preso no Complexo Médico-Penal, em Curitiba, e não é mais réu neste processo.

“O telefonema de JOSÉ DIRCEU para SALIM SCHAHIN, visando, de alguma forma,
confirmar o interesse do Partido dos Trabalhadores na concessão do empréstimo em favor de
JOSÉ CARLOS BUMLAI, chegou na época ao conhecimento de SANDRO TORDIN, presidente do Banco SCHAHIN. A toda a evidência, a ligação do então Ministro da Casa Civil para SALIM SCHAHIN não teve outro motivo senão confirmar o interesse de integrantes da alta cúpula do Governo Federal e do Partido dos Trabalhadores na concessão do empréstimo para JOSÉ CARLOS BUMLAI, o que fica cristalino diante do fato de que JOSE DIRCEU nunca mais manteve contato com SALIM SCHAHIN”, declarou o MPF.

O que dizem as defesas
O advogado de Bumlai Edward de Carvalho disse que só vai se pronunciar nos autos do processo.

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