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Mulher de João Santana diz que JBS pagou caixa 2 ao PT, diz O Globo

Monica Moura afirmou à Lava-Jato que a empresa quitou dívida com gráfica

O jornal O Globo publicou neste sábado que a mulher do marqueteiro João Santana, Monica Moura, afirmou a procuradores — em depoimento durante negociação para fechar acordo de delação premiada — que a JBS pagou caixa 2 à campanha pela reeleição de Dilma Rousseff. Segundo o relato, a empresa pagou diretamente a dívida do PT com a gráfica Focal Confecção e Comunicação Visual, de São Bernardo do Campo, no ABC paulista. Este pagamento não está declarado à Justiça Eleitoral. A JBS doou R$ 361,8 milhões nas eleições de 2014, legalmente. A empresa nega veementemente a afirmação, diz que vasculhou todos os seus arquivos e não encontrou registro do suposto pagamento.

A Focal é a segunda maior fornecedora da campanha de Dilma e Michel Temer, em 2014, e pertence ao empresário Carlos Cortegoso, que presta serviços ao PT desde os anos 90. Segundo Mônica, o então tesoureiro do PT, João Vaccari Neto, determinava que serviços gráficos de campanha deviam ser concentrados nas empresas de Cortegoso, porque ele aceitava receber os pagamentos depois das campanhas.

Os pagamentos em caixa 2 da JBS à campanha de Dilma foram citados por Mônica em um dos anexos produzidos por sua defesa e levados ao Ministério Público Federal para tentar acordo. Os procuradores têm resistido a aceitar, por considerar que a colaboração teria mais informações para relatar do que o apresentado.

Na última semana, Mônica e Santana foram denunciados pelo MPF por corrupção passiva e lavagem de dinheiro, por pagamentos feitos por fornecedores da Petrobras aos dois, no Brasil e no exterior.

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No fim de abril deste ano, a ministra do Tribunal Superior Eleitoral Maria Thereza de Assis Moura autorizou a Polícia Federal a realizar perícia contábil de vários fornecedoras da campanha da chapa Dilma/Temer, entre elas a Focal. Maria Thereza é a relatora da quatro ações que propõem a cassação da chapa.

A Focal é a 2ª maior fornecedora oficial da campanha de Dilma em 2014: recebeu R$ 23,9 milhões, valor que só não é maior do que o recebido pelo casal Santana (R$ 78 milhões). A empresa está registrada em nome de uma das filhas de Cortegoso — Carla Regina Cortegoso — e de um de seus motoristas, Elias Silva de Mattos, que também é motivo de apuração.

Outra empresa de Cortegoso, a CRLS Confecção Consultoria e Eventos Ltda., é alvo de inquérito na Lava-Jato que apura pagamentos feitos pelo operador petista Alexandre Romano com propina da Consist Software, empresa de SP beneficiada em acordo no âmbito do governo federal. À PF, Romano disse que passava parte do acerto com a Consist para a CRLS a pedido do ex-ministro Luiz Gushiken.

Delator da Lava-Jato em troca de redução de pena caso condenado, Romano prestou novas informações sobre a atuação de Cortegoso para o PT ano passado; os depoimentos seguem em sigilo. Por decisão do STF, o inquérito foi desmembrado de Curitiba e tramita hoje em SP.

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Alan Alex é jornalista, editor do site e da coluna Painel Político. Natural de Porto Velho foi criador e editor do site Portal364, trabalhou na redação dos jornais Diário da Amazônia, Folha de Rondônia, revista Painel Político, foi assessor de imprensa, é roteirista, editor de conteúdo e relações públicas. Também atuou como repórter de TV e rádio. É filiado à ABRAJI.

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