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‘Não é a CPI da JBS, é a CPI do Ministério Público’, diz Janot

Para procurador-geral da República, comissão quer atingir a Procuradoria: 'Isso é muito grave', afirma

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Em entrevista a jornalista Beatriz Bulla, do Estado de S.Paulo nesta segunda-feira, o ex-Procurador Geral da República, Rodrigo Janot alegou que a CPI da JBS, que nas últimas sessões tem “mirado” o acordo quase paternal feito pela procuradoria (então sob seu comando) com os executivos da JBS, se transformou em uma “CPI do Ministério Público”.

Janot considera uma “reação orquestrada” de políticos contra Ministérios Públicos na América Latina. No Brasil, segundo ele, a investida contra os procuradores vem por meio da CPI mista da JBS. “Vamos falar bem claro, é a CPI do Ministério Público Federal. Isso é muito grave.”

A continuidade dos trabalhos da Lava Jato, para o ex-procurador-geral, passa pela articulação “transnacional” para investigar as reações políticas e pelo apoio da sociedade. Responsável pela condução das investigações contra parlamentares, ministros e presidentes nos últimos quatro anos, Janot aposta em 2018 como um ano decisivo no qual “as urnas julgarão” os políticos. Nenhum envolvido em escândalos merecerá seu voto, afirma.

Janot diz ainda que “faria exatamente a mesma coisa” na negociação da delação com a J&F. Segundo ele, a Lava Jato não é uma questão só do Ministério Público: “É da sociedade brasileira e dos países atingidos”.

Como o sr. vê as reações a Ministérios Públicos e a internacionalização da Lava Jato?

Ou é muita coincidência ou tem uma relação. O que chama a atenção é que essas reações começaram a surgir mais ou menos ao mesmo tempo. É uma coincidência de conteúdo e tempo. As autoridades desses países estão reagindo de forma muito conforme, muito orquestrada por fatos de corrupção praticados por empresa ou empresas brasileiras fora do território brasileiro. Só esse fato já merece ser investigado.

O que o sr. considera uma reação orquestrada?

O que existe é uma reação política ao processo técnico jurídico (cita casos em países como Venezuela, Argentina e Panamá). Aqui nós temos a famosa CPI da JBS e que não é CPI da JBS, vamos falar bem claro, é a CPI do Ministério Público Federal. É a CPI que como diz o deputado Carlos Marun (PMDB-MS) numa reportagem: ‘A nossa finalidade é investigar os investigadores, é interrogar quem nos interrogou’ por atos de ofício. Isso é muito grave. Eu já estou velho demais para acreditar em todas essas coincidências.

Se arrepende de algo envolvendo delações da J&F?

Faria exatamente a mesma coisa, não teria como agir de outra forma. Quando se vê um presidente da República e um senador da República cometendo crime em curso eu não poderia permitir que isso continuasse sem tomar nenhuma providência.

Como o sr. vê a atuação do ex-procurador Marcello Miller nesse caso?

Miller fez o que achou que deveria fazer. Ele já não estava mais na equipe quando fez as besteiras que fez. Acho que foi por uma ganância.

LEIA A ÍNTEGRA DA ENTREVISTA NO ESTADÃO

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