‘Não é lixo que está lá dentro, é ser humano’, diz mãe de preso no Amazonas

Familiares reclamaram de falta de informações na Cadeia Vidal Pessoa

Familiares dos presos que estão na Cadeia Vidal Pessoa voltaram a reclamar das condições dos detentos e da falta de informações. Na noite deste domingo (8), sete presos foram levados a hospitais de Manaus para tratar ferimentos. Menos de 24 horas antes, o local havia registrado uma rebelião com quatro mortos.

Fora da unidade prisional, parentes aguardavam por notícias. Após a saída das viaturas que levaram os presos para os hospitais, um grupo de familiares chegou a se envolver em uma confusão com policiais. “Nos dizem que [os presos] estão bem, mas a gente não sabe, porque tem alguns saindo para pronto-socorro. Se estivesse tudo bem, não sairiam para pronto-socorro. Não dão importância, eles não dão informação e deixam a gente nessa situação”, disse uma mãe de um preso, que não quis se identificar. “Não é lixo que está lá dentro. É um ser humano”, acrescentou.

Outra mãe de detento falou ,“eu ouvi que estavam jogando bombas e vim ver se estava tudo bem. Estou com muito medo, porque, enquanto estavam trazendo só o pessoal do Centro de Detenção Provisória, estava tudo bem. Mas quando começou a juntar o pessoal de todas as cadeias, todo mundo começou a se preocupar”, comentou.

A esposa de um preso afirmou à reportagem que tem obtido informações sobre o marido com outras mulheres de detento. “Ligaram para mim e falaram que estava tendo motim. Só que um dá uma informação e outro dá outra informação… A gente fica na angústia, porque aqui tem senhora de idade, tem gestante… Eu estou grávida de três meses e já passei mal hoje. Eles não dão informação”, reclama.

Rebelião
A movimentação dos detentos começou por volta das 3h do horário local (5h de Brasília). No momento do tumulto, apenas dois agentes penitenciários monitoravam o local, segundo o vice-presidente do Sindicato dos Agentes Penitenciários do Amazonas, Antônio Santiago.

Em nota, o Comitê de Gerenciamento de Crise informou que os presos iniciaram uma briga por motivo desconhecido. Dos quatro mortos confirmados, três foram decapitados e um asfixiado. A OAB-AM diz ainda que um quinto detento morreu após dar entrada em um hospital de Manaus. Outro preso segue internado com quadro clínico estável em uma unidade hospitalar após passar por cirurgia.

O policiamento foi reforçado pelo Batalhão de Choque da Polícia Militar. As mortes serão investigadas, segundo o comitê de crise. Os corpos foram levados para o Instituto Médico Legal (IML) para identificação.

Segundo o presidente da Comissão de Direitos Humanos da OAB-AM, Epitácio Almeida, cinco detentos estão desaparecidos. A ausência dos internos foi notada após a contagem de presos. “Cinco [detentos] não foram encontrados. Podem estar escondidos no forro, foragidos”, disse. Segundo ele, os presos já voltaram para as celas.

A Seap informou em nota que a Secretaria e a Polícia Militar estão realizando uma nova contagem na cadeia. A secretaria informou que a situação dentro da unidade é considerada “estável”.

Com G1

Alan Alex é jornalista, editor do site e da coluna Painel Político. Natural de Porto Velho foi criador e editor do site Portal364, trabalhou na redação dos jornais Diário da Amazônia, Folha de Rondônia, revista Painel Político, foi assessor de imprensa, é roteirista, editor de conteúdo e relações públicas. Também atuou como repórter de TV e rádio. É filiado à ABRAJI.

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