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“Não tem autoridade moral para colocar-se na posição de vítima”, diz PT sobre Aécio

Em nota, partido acusa senador de ser responsável pela crise, mas afirma que seu afastamento é inconstitucional

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Aécio Neves está sendo vítima de suas armações. No episódio envolvendo a prisão e cassação do então senador Delcídio do Amaral, fez campanha e achincalhou o colega de todas as formas. Defendeu a perda de mandato e gabou-se de ter presidido a sessão que destituiu o voto secreto em casos envolvendo senadores. Agora o tucano está na berlinda. Deveria também estar preso, mas por uma complacência da justiça com os tucanos, foi afastado. E de forma errada pelo STF.

E não foi falta de aviso. Renan Calheiros que é conhecido por sua sagacidade política, alertou Aécio na época. Cego pela derrota nas urnas, ele preferiu também se fazer de surdo. E agora amarga o fato de ter como aliados o PT, que ajudou a execrar e Renan, primeiro a sair em sua defesa.

Mas não é que morram de amores por Aécio, longe disso. Trata-se de uma questão constitucional e claro, corporativista. Os senadores sabem que podem ser vítimas de um processo que está longe de ser jurídico. É consenso tanto no Senado quanto na Câmara que parte do judiciário e Ministério Público estão ultrapassando todos os limites e invadindo competência. O legislativo está enfraquecido, o executivo moralmente estraçalhado e o equilíbrio seriamente afetado. Mesmo assim, a lei deve ser observada e respeitada.

Em dura nota emitida na última quarta-feira, o PT acusa Aécio de ter sido o principal responsável pela crise econômica e pela desestabilização da democracia do país, e, segundo o PT, “Aécio Neves defronta-se hoje com o monstro que ajudou a criar”.

Como político Aécio está acabado. Não se elege nem para deputado estadual em Minas. Como senador pode ter uma sobrevida, mas apenas isso. O futuro lhe reserva uma enxurrada de ações e complicações com a justiça e claro, o ostracismo que acolhe a todos que um dia já detiveram o poder e não souberam conviver com ele.

Abaixo, a íntegra da nota do PT:

Aécio Neves é um dos maiores responsáveis pela crise política e econômica do país e pela desestabilização da democracia brasileira.

Derrotado nas urnas, insurgiu-se contra a soberania popular e liderou o PSDB e as forças mais reacionárias da política e da mídia numa campanha de ódio e mentiras, que levou ao golpe do impeachment e à instalação de uma quadrilha no governo.

Para consumar seus objetivos políticos, rasgaram a Constituição e estimularam a ação político-partidária ilegal de setores do Judiciário e do Ministério Público.

Aplaudiram todas as arbitrariedades cometidas contra lideranças do PT e dos setores populares, as violações ao devido processo legal e ao estado de direito democrático.

Compactuaram com o processo de judicialização da política, que visou essencialmente a fragilizar os poderes eleitos pelo povo.

As repetidas violações ao direito criaram um monstro institucional que tem como cérebro a mídia, comandada pela Rede Globo, e tem como braços os setores do MP e do Judiciário que muitas vezes acusam, punem ou perdoam por critérios políticos.

Aécio Neves defronta-se hoje com o monstro que ajudou a criar.

Não tem autoridade moral para colocar-se na posição de vítima.

Vítimas são as brasileiras e brasileiros que sofrem com o desemprego, a recessão, o fim dos programas sociais e a volta fome ao país, sob o governo de que Aécio Neves é fundador e cúmplice.

Por seu comportamento hipócrita, por seu falso moralismo, Aécio Neves merece e recebe o desprezo do povo brasileiro.

Ele terá de responder um dia, perante a Justiça, pelos gravíssimos indícios de corrupção que o cercam. Terá de ser julgado com base em provas, dentro do devido processo penal.

Mas a resposta da Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal a este anseio de Justiça foi uma condenação esdrúxula, sem previsão constitucional, que não pode ser aceita por um poder soberano como é o Senado Federal.

Não existe a figura do afastamento do mandato por determinação judicial. A decisão de ontem é mais um sintoma da hipertrofia do Judiciário, que vem se estabelecendo como um poder acima dos demais e, em alguns casos, até mesmo acima da Constituição.

O Senado Federal precisa repelir essa violação de sua autonomia, sob pena de fragilizar ainda mais as instituições oriundas do voto popular.

E precisa também levar Aécio Neves ao Conselho de Ética, por ter desonrado o mandato e a instituição.

Não temos nenhuma razão para defender Aécio Neves, mas temos todos os motivos para defender a democracia e a Constituição.

Executiva Nacional do PT

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