No Acre, servidor público faz comentário homofóbico no Facebook após decisão de juiz do DF

O servidor público José Maria Cavalcante, que atua na Secretaria Municipal de Saúde (Semsa) de Rio Branco, fez comentários homofóbicos em sua página pessoal no Facebook após decisão de um juiz federal do Distrito Federal que liberou psicólogos a tratarem gays e lésbicas como doentes, podendo fazer terapias de “reversão sexual”. As declarações do funcionário foram feitas na terça-feira (19) e repudiadas pela Semsa.

Cavalcante alegou que teve o perfil pessoal invadido por terceiros e que as declarações não condizem com o pensamento dele em relação ao assunto. Após a repercussão negativa do caso, o perfil de José Maria na rede social foi excluído. “De alguma forma, alguém utilizou minha página pessoal para proferir opiniões diversas à minha. Tão logo tomei conhecimento do assunto, optei por excluir a referida página, uma vez que faço pouco uso dela”, defendeu-se o servidor público em nota enviada à Associação dos Homossexuais do Acre.

Ao G1, o funcionário da Semsa reforçou que não sabe como alguém teve acesso a sua conta para fazer ofensas. Ele observou ainda que a classe LGBT sofre muita opressão e garantiu ter total respeito pela diversidade. “Convivo harmoniosamente com muitos colegas homossexuais, bem como em meio familiar, onde percebo que a diversidade de opções sexuais em nada interfere em nosso bom convívio”.

Em nota, a Secretaria Municipal de Saúde da capital garantiu que o pensamento de José Maria não é o mesmo do órgão e que ele não responde pelos demais funcionários da pasta. Na publicação, a Semsa lamentou o episódio e desaprovou a atitude. “Temos mais de 7 mil servidores no município e esse posicionamento não é uma manifestação oficial, ao contrário, trata-se de uma manifestação pessoal em sua rede social, da qual não comungamos e não apoiamos”, destacou a instituição.

O servidor público pediu desculpas à comunidade LGBT. “Deixo os meus mais sinceros pedidos de desculpas a todo o público GLBT, bem como a seu representante Germano Marino [presidente da Associação dos Homossexuais do Acre], pessoa que merece total respeito pelas lutas travadas em busca de melhorias para o público ao qual representa”, enfatizou José Bezerra.

Entenda

A Justiça Federal do Distrito Federal liberou psicólogos a tratarem gays e lésbicas como doentes, podendo fazer terapias de “reversão sexual”, sem sofrerem qualquer tipo de censura por parte dos conselhos de classe. A decisão, do juiz Waldemar Cláudio de Carvalho, é liminar e acata parcialmente o pedido de uma ação popular. Esse tipo de tratamento é proibido desde 1999 por uma resolução do Conselho Federal de Psicologia. O órgão disse que vai recorrer.

A ação popular foi assinada por um grupo de psicólogos defensores das terapias de reversão sexual. A decisão é de sexta-feira (15). Nela, Carvalho mantém a integralidade da resolução, mas determina que o conselho não proíba os profissionais de fazerem atendimento de reorientação sexual. Além disso, diz que os atendimentos têm caráter reservado.

Na resolução 01/1999, o conselho estabelece as normas de condutas dos psicólogos no tratamento de questões envolvendo orientação sexual. De acordo com a organização, ela trouxe impactos positivos no enfrentamento a preconceitos e proteção de direitos da população homossexual no país, “que apresenta altos índices de violência e mortes por LGBTfobia”.

Para o Conselho Federal de Psicologia, terapias de reversão sexual representam “uma violação dos direitos humanos e não têm qualquer embasamento científico”. Desde 1990, a homossexualidade deixou de ser considerada doença pela Organização Mundial da Saúde.

Fonte: g1/ac

Painel Político, é um blog de notícias de Rondônia, com informações sobre política regional, nacional, economia, jurídico e variedades. Siga-nos nas redes sociais, visite-nos diariamente e fique sempre bem informado.

Deixe uma resposta