Painel Político
A maior agência de notícias em seu Whatsapp do Brasil

Noiva cai em golpe da decoradora e é envenenada no dia do casamento

0

Prestadora de serviço não conseguiu cumprir contrato e tentou matar a cliente; ela foi condenada a pagar R$ 100 mil

“Quando alguém conta essa história, conta como se fosse uma história de novela, mas isso mostra que algo foi feito em termos de Justiça em favor da minha vida”, afirma a pedagoga Kenia Freitas Santos Silva, de 32 anos. Sete anos e meio se passaram desde que ela e Clayton Ricardo da Silva, de 31 anos, se casaram, mas até hoje ela se recorda, com felicidade e tristeza, do dia 10 de janeiro de 2009.”

Naquela data, horas antes de subir ao altar, Kênia foi envenenada com carbofuran, conhecido como chumbinho (veneno usado para matar ratos), por Maria Cristina Pinheiro do Amaral, funcionária da empresa responsável pela decoração da igreja. O caso ocorreu em Contagem, na região metropolitana de Belo Horizonte. Neste mês, a Justiça condenou Maria a indenizar o casal em R$ 100 mil por danos morais.

Hoje, Kenia e Clayton, que têm um filho de 2 anos, assumem esse momento como uma página virada na vida, mas não se esquecem dos momentos difíceis que passaram após perceber que haviam sido vítimas de um golpe. “Passei mal durante quase um mês por efeitos dos remédios e até hoje preciso de ajuda terapêutica”, diz a pedagoga.

Nos autos do processo consta que o casal procurou uma loja de serviços de decoração, em que Maria trabalhava, para contratar serviços para o matrimônio. Maria, então, negociou com com os dois, por telefone a contratação de um serviço de bufê da loja, por R$ 5.000. A loja, porém nunca ofereceu esse tipo de serviço.

O casal pagou a quantia antecipadamente a Maria. No dia da festa, contudo, ela foi até o salão de beleza em que Kenia se encontrava e ofereceu uma garrafa de isotônico misturado com o veneno para que a noiva tomasse. “Duas mulheres que estavam me maqueando também tomaram da bebida e passaram muito mal”, afirmou Kênia.

A fraude foi descoberta pelos 350 convidados do casal quando eles chegaram ao salão de festas, que estava com mesas sem forro, mal decorados e com poucos alimentos. “Naquele momento eu tive a sensação de que perdi o meu chão. Não senti os pés. Eu sou filha única. Estudei e casei. Fiz tudo o que os pais esperam de uma filha. Foi tudo feito com muito carinho pelos meus pais. Preparamos tudo para acontecer conforme um casamento deve ser”, contou a vítima.

Além de ter perdido dinheiro e uma festa que era preparada havia mais de um ano, Kenia ainda teve que passar por acompanhamento psicológico. “Durante muito tempo não aceitei nada que me fosse oferecido por estranhos”, completou a pedagoga.

Mais justo

Em primeira instância, a Justiça condenou Maria a pagar R$ 10 mil ao casal, mas a desembargadora Mariza Porto entendeu que R$ 100 mil seriam mais “justos e razoáveis”.

Presa por 10 anos

Maria foi condenada, em 2014, a dez anos de prisão por tentativa de homicídio. No início deste mês, a Justiça determinou que ela indenizasse as vítimas em R$ 100 mil por danos morais, e em mais R$ 3.143,00 por danos materiais. “Isso não paga o que aconteceu. O que pagaria era se o tempo voltasse e o casamento acontecesse como planejado. Eu daria tudo para não ter sido a noiva envenenada”, disse Kenia.

‘No meu caso, a justiça se deu’

“O mais importante para mim é viver meu casamento feliz, independentemente dessa história. O mais relevante para mim é a paz”, declarou Kênia. A pedagoga acredita que a justiça foi feita no momento em que Maria foi condenada pela tentativa de homicídio, em 2014. “Nesse país que a gente vive, em que pessoas estão soltas, cometendo diversos crimes, no meu caso, a justiça se deu”, afirmou a pedagoga.

Agora, Kenia quer fazer mais uma faculdade na área de educação, para se especializar e criar o filho de 2 anos. “Quero tocar a vida, mas não sei se dá para esquecer o que aconteceu. Quem me conhece sabe que isso faz parte da minha história e, infelizmente, isso é uma coisa que mexeu muito comigo”, afirma Kenia.

*A imagem usada na capa desta matéria é ilustrativa – A reportagem é do O Tempo/MG

Comentários
Carregando