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O Brasil está voltando à condição de país miserável, e a gente só reclama no Facebook

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O título desse artigo não foi baseado em nenhuma pesquisa, mas em constatação pura e simples. Por mais que o governo de Michel Temer tente convencer que “a crise passou”, ou que “as reformas vão gerar empregos”, o que se vê nas ruas das grandes cidades é exatamente o contrário. Temos famílias inteiras morando em barracas na avenida Paulista, pessoas que antes da crise estavam empregadas e sonhavam com dias melhores, estão sendo empurradas para a condição de miséria. Não precisa ser “analista social”, basta olhar e enxergar “os invisíveis” que nos cercam.

Em Brasília percebe-se  movimentação diária de famílias pedintes, em portas de supermercados, padarias e em áreas públicas. A polícia retira praticamente todos os dias essas famílias, mas elas retornam porque não tem para onde ir. Isso é reflexo direto do desemprego e instabilidade social que nos remete a um passado que deveria estar sendo esquecido, mas infelizmente, graças a uma classe política corrompida, um sistema falido e a total falta de perspectivas a curto e médio prazo, rebaixam o país, que havia sido apontado como um modelo para os emergentes, está tornando os pobres cada vez mais pobres.

As chamadas “medidas de austeridade” que vem sendo implementadas pelo presidente Michel Temer vão tornar ainda mais difíceis a vida das populações mais pobres.

Estive recentemente em São Paulo e vi, em pleno Jardins e entorno, a volta da miséria, as queixas de comerciantes que vendem produtos populares e até o mercadão de São Paulo vazio, um retrato da recessão que arrasta o país para um poço que parece não ter fundo. Ao mesmo tempo, é perceptível no olhar das pessoas, a descrença, a sensação de perda, de falta de perspectiva no futuro.

E junto com a pobreza temos o aumento da violência e os estados praticamente falidos, com dificuldades de investimentos para questões básicas, e com isso as políticas sociais ficam para escanteio, não são prioridades. Se a crise está grave nos grandes centros, em regiões do Norte e Nordeste o cenário é muito pior. Com isso, cresce o discurso de que  violência se combate com violência, e estamos voltando a ser um país miserável e primitivo. A saída é educação, a história prova isso, mas os governantes brasileiros insistem em manter a população míope, para se manter no poder. Não precisamos de justiceiros, precisamos de lideranças que pensem na coletividade, e isso nós não temos. E seguimos ladeira abaixo.

Desemprego, pobreza e falta de perspectivas, assim é o Brasil a caminho de 2018

Já estamos com 14 milhões de desempregados, com a perspectiva de batermos a casa dos 16 milhões até o fim do ano. O Congresso corrompido adota medidas protetivas para tentar garantir o retorno de grande parte de sua composição atual, o presidente ilegítimo, cercado de denúncias de corrupção, acusações gravíssimas, se apóia nesse Congresso para permanecer no cargo com o aval de um judiciário onde os magistrados são estrelas que julgam para as câmeras, rasgando, deturpando e distorcendo leis claras, como se os mais de 200 milhões de brasileiros fossem totalmente imbecis e não percebessem os malabarismos de seus julgados.

O Brasil precisa reagir. O estado de letargia que se abate sobre os brasileiros é uma coisa bizarra, quase hipnótica, os governantes fazem, as pessoas reclamam, aceitam. Eles fazem de novo, as pessoas reclamam de novo e aceitam novamente. Por conta disso, temos uma das cargas tributárias mais altas do mundo, a vida no Brasil é absurdamente cara, e mesmo assim, aceitamos como patos. Quer um exemplo recente? As companhias aéreas cobram por bagagem. Todo mundo reclamou porque disseram que as passagens reduziriam. Elas aumentaram. 27,5%.  Todo mundo aceitou. E assim seguimos, reclamando e aceitando.

De acordo com o Impostômetro, que contabiliza a quantidade de impostos pagos no país em tempo real, de janeiro até hoje, já foram pagos pelos brasileiros mais de R$ 1 trilhão (isso mesmo TRI) 190 bilhões, 116 milhões.

Quem vive em Rondônia, por exemplo, já pagou esse ano em impostos R$ 4 bilhões, 725 milhões, é quase o orçamento anual do Estado, que é de pouco mais de R$ 6 bi.

E o número só aumenta. Imagine se esse dinheiro fosse revertido para políticas sociais, educação, saúde e segurança? Mas a grande pergunta é, onde esse dinheiro está indo parar? Parte dele já sabemos, é arrastado em malas pelas ruas por mensageiros, outra parte destinada às famigeradas “emendas parlamentares” o resto, bem…vai saber.

O que assusta e revolta é que nos próximos meses teremos de volta pautas na imprensa de coisas que haviam deixado de ser assunto, como das famílias que comiam palma no sertão porque não tinham um prato de arroz com feijão. Isso acontecia em 1999, e pelo jeito, muito em breve estará de novo em nossos televisores, tablets e smartphones. É o Brasil regredindo estarrecedoramente. E a gente reclamando no Facebook.

Alan Alex é editor de Painel Político

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