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O culpado não é o Facebook, nem o Whatsapp – Por Paulo Andreoli

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Acredito que deputados podem e devem receber auxilio, mas no mesmo valor que os servidores do legislativo recebem

E eis que a noticia da semana passada foi a aprovação de auxilio alimentação para os deputados estaduais de Rondônia. O protagonista foi o parlamentar de primeiro mandato, ex-soldado Jesuino Boubaid, que foi incumbido de relatar projeto. E com grande sapiência,  o fez na tribuna em apenas 4 segundos. Tudo muito rápido. Até seria sem dor, se não tivesse a tramóia caída em domínio público, graças as redes sociais.

O negócio escondia uma pegadinha. O valor teto para auxilio alimentação era de R$ 9.600,00 por deputado. Para tanto o parlamentar, pegava nota fiscal do estabelecimento e recebia ressarcimento do valor gasto.

Acontece que a grande maioria dos deputados não gasta os quase 10 mil de auxilio. No ano passado, produzi reportagem sobre o “brocado” Lazinho da Fetagro que gastava cerca de 2 mil por mês em churrascaria. E era um espanto o valor. (Leia aqui)

Pois bem, um “lua preta” teve a ideia de embolsar o dinheiro integralmente. Assim pensaram. Vamos diminuir para 6 mil e não falaremos para opinião pública que não precisa mais de nota fiscal. O valor seria incorporado sem a necessária e justa prestação de contas. E para o povão, ainda diria que houve economia. Boa ideia. Mas de jerico. O povo anda atento graças as redes sociais.

Para piorar, hoje, o deputado relator do processo, Jesuino Boubaid fez publicar em veículos de comunicação que comem no mesmo cocho, que o povo não entendeu o “beneficio”. Que o povo teria sido manipulado e não teria “entendido” o auxilio alimentação.

Primeiro diz que deputado quando viaja, leva assessores e tem que pagar a comida deles. Mentira, servidor recebe diária para suas despesas, desde alimentação até hospedagem.

Segundo argumento – diz que quando recebem “autoridades”, tipo vereadores do interior, tem que pagar almoço para eles por cortesia. Ótimo, mas que o faça com seu dinheiro e não com recursos públicos. Não temos que bancar seus regabofes.

Na sua defesa, disse que no Tribunal de Contas e Tribunal de Justiça, os conselheiros e desembargadores também recebem. Pois bem, dei uma checada e no TCE, servidores e conselheiros recebem o mesmo valor, cerca de 1000 reais. E olha que dá para fazer um bom ‘rancho’ com este montante.

Então. Acredito que deputados podem e devem receber auxilio, mas no mesmo valor que os servidores do legislativo recebem. Ponto.

Outra situação é o valor de 15 mil para combustível. Acho muito, mas sugiro que a casa de leis, instale GPS nos seus carros para checar se rodam isto tudo mesmo. Uma ação verdadeiramente benéfica para o contribuinte. Mais uma situação diz respeito ao auxílio moradia, no valor de cinco mil reais. Por exemplo, o deputado Jesuino tem casa própria em Porto Velho, mas mesmo assim recebe. È legal, mas completamente imoral para quem prega bandeira contra a corrupção.

Para finalizar, vai uma sugestão ao brioso Ministério Público de Rondônia.

Deêm uma checada nas verbas indenizatórias dos deputados. Os sérios normalmente pagam com cheques nominais as empresas que lhes prestam serviço. Outros fazem transferência bancária. Os supostos malandros sacam o recurso no banco, para em espécie para pagar os fornecedores e supostamente, tirar sua ‘parte’. Basta ver qual deputado está fazendo previsão de saque e ir aos seus fornecedores para ver se o valor total da nota deu entrada no caixa da empresa. Tipo assim, tem advogado que recebe 10 mil por mês de deputado: bora ver se é em cheque ou dinheiro e se deu entrada no caixa do escritório. Simples né. Com certeza os fiscais diligentes da lei podem encontrar desvio de dinheiro público.

E neste dia, não vão poder colocar a culpa nas redes sociais. E muito menos a Imprensa.

Paulo Andreoli escreve as “Curtas do Andreoli” no Rondoniavivo

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