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O Facebook precisa ser regulamentado, antes que seja tarde demais

A rede social de Mark Zuckberg necessita de vigilância por parte dos órgãos de controle de todo o mundo. A rede, que pode ter sido utilizada para influenciar o resultado das eleições americanas pertence a uma pessoa, cuja biografia produzida por Hollywood, mostra que ética não é seu forte.

Os tais “algoritmos” que são largamente utilizados pela plataforma não passam por nenhum filtro de controle, e seres humanos são altamente influenciáveis conforme comprovam inúmeros estudos comportamentais. A “experiência de aprisionamento de Stanford“, realizado em 1971, comprovou que nós, humanos, ao sermos empoderados, passamos a agir de forma inconsequente, suplantando limites impostos pela coletividade, tais como ética, bom senso, honestidade. E a “rede” de Zuckberg dá a ele total poder sobre os mais de 2,7 bilhões de seres humanos que a utilizam diariamente.

Até onde se sabe (pelo que a empresa revelou), os algoritmos estão cada vez mais precisos em relação à classificação dos usuários. Atualmente é possível direcionar conteúdo com precisão para públicos muito específicos. Evidente que governos e pessoas mal intencionadas fazem uso dessas ferramentas. Enquanto grande parte dos usuários constrói bolhas de interação, o mundo a seu redor vai ficando cada vez mais distante. Não me surpreendo quando pessoas são informadas sobre eventos fora de suas “bolhas” que são largamente divulgados em outros meios e o usuário padrão do Facebook fala que “não sabia”. Criou-se um hábito perigoso, o de se informar apenas pelo feed da rede.

Acompanhando o dia a dia de pessoas que conheço, as vejo sempre postando as mesmas coisas, discutindo os mesmos assuntos, criticando os mesmos hábitos de diferentes pessoas inseridas em suas bolhas. Com o Facebook o debate não é mais ampliado, não é possível encontrar novos argumentos, os usuários estão resumindo temas complexos em frases de efeito coladas em imagens, como se isso fosse a solução da questão. O uso da rede deveria ser limitado a horários, mas atualmente é o inverso, os usuários passam mais tempo conectados. Em 2015 o relatório “Futuro Digital em Foco Brasil 2015” (Digital Future Focus Brazil 2015), divulgado pela consultoria comScore mostrou que os brasileiros são líderes no tempo gasto nas redes sociais. A nossa média é 60% maior do que a do resto do Planeta. O que antes era uma mera distração passou a ser regra. Pior, além dos usuários da rede estarem reduzindo cada vez mais seus círculos, o feed te mostra apenas o que o Facebook (ou quem está pagando) quer.

O Facebook não pode ter tanta influência e força sem nenhum tipo de controle ou punição. Ao existir a mera suspeita de influência em um processo eleitoral que afeta a vida de milhões de pessoas, os países envolvidos (e afetados) deveriam ter tomado providências urgentes para adotar mecanismos de controle e regulamentação. De longe o Facebook é a rede social mais perigosa. E suas práticas passam a ser disseminadas em todas as demais plataformas, como Instagram (que é de Zuckberg) e Whatsapp, que muito em breve estará adotando medidas de controle sobre o que poderá ou não ser enviado.

É necessário que se adotem providências em relação à regulamentação da rede (isso não quer dizer censura ou proibição), mas os algoritmos precisam ser mais claros e democráticos. Se eu vejo uma postagem paga de Bolsonaro, por exemplo, eu deveria também ver uma de Ciro Gomes, Lula, Collor, Huck ou seja lá quem for o candidato. Se não houver um equilíbrio, a disputa não é justa nem democrática.

E democracia não é o forte do Facebook. Exemplo é a forma autoritária que ela isola os usuários quando eles são “denunciados”. Abusos devem ser coibidos, mas com equilíbrio. Os algoritmos permitem que isso seja feito, o que falta é vontade.

Existem milhares de maneiras para que a rede seja realmente útil e faça a diferença na vida dos 2,7 bilhões de usuários, basta querer.

Alan Alex é jornalista, editor do site e da coluna Painel Político. Natural de Porto Velho foi criador e editor do site Portal364, trabalhou na redação dos jornais Diário da Amazônia, Folha de Rondônia, revista Painel Político, foi assessor de imprensa, é roteirista, editor de conteúdo e relações públicas. Também atuou como repórter de TV e rádio. É filiado à ABRAJI.

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