O governo Dilma acabou, só os petistas que não perceberam isso – Alan Alex

A nomeação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva como ministro chefe da Casa Civil foi um ato de desespero. Era evidente que nos próximos dias sairia um pedido de prisão contra Lula, e por mais boa vontade que o governo tem em protege-lo, estava impotente. Dilma derrapou e saiu da pista ao nomea-lo para o cargo na tentativa de evitar o pior, ela apenas acelerou o inevitável processo de impeachment que tramita na Câmara dos Deputados.

Fazendo uma analogia a uma partida de xadrez, o governo estava em xeque, poderia se movimentar, mas entregou o rei, agora está em xeque mate. Questão de tempo para o jogo acabar.

O governo tenta culpar Sérgio Moro, juiz paranaense responsável pela operação Lava Jato, de ter causado ‘uma convulsão social’ ao divulgar os áudios de conversas entre Lula e diversas autoridades, entre elas a própría presidente. Muita ingenuidade acreditar que nessa altura do campeonato alguém vai se incomodar em discutir ilegalidades apontadas, tais como horário de encerramento dos grampos, ou se advogados estavam ou não grampeados. Sim, estavam todos. Há tempos que a Polícia Federal investiga dessa forma e com os avanços tecnológicos, e-mails, Whatsapp e Skype são monitorados. Quanto a legalidade disso, a discussão vai longe. A grande pergunta é, vale tudo para ganhar? O PT deu o primeiro passo ainda na campanha de reeleição de Dilma Roussef, ao ir contra todos os indícios que apontavam uma crise, mostravam que o PT poderia até ganhar, mas não levaria. Isso estava claro nos movimentos, só não viu quem estava cego com a possibilidade de continuar no poder por mais 12 anos. Ao fim do segundo mandato de Dilma, Lula voltaria triunfante, nos braços do povo para mais 8 anos de governo. É, eles estavam cegos.

O que difere os estadistas dos amadores é a capacidade de enxergar o futuro através das nuances que os cercam. Os diálogos de Lula ao telefone mostram que ele está longe de poder ser comparado a algum grande nome da história. Não pelos palavrões toscos e pobres, mas pela incapacidade de compreender o processo, de acreditar que alguns de seus nomeados sairiam em sua defesa ou mesmo interfeririam no processo de alguma forma, como Rodrigo Janot a quem ele cobrou ‘gratidão’. Não Lula, no jogo político não existe gratidão, existem interesses e eles são muito claros, principalmente em Brasília. A delação de Delcídio provou isso. Ele sabia que no momento em que foi preso, o jogo para ele estava acabado. Partiu para o tudo ou nada. Escapou da cadeia, não vai escapar da cassação, e pode até, quem sabe um dia, vir a ser governador do Mato Grosso do Sul, fazendo algum discurso emocionado dizendo que ‘foi influenciado’ e agora ‘está arrependido’, o tempo dirá.

Interessante observar que Lula não aprendeu absolutamente nada sobre processo político e social durante toda sua vida pública. Brigou com a imprensa, com o judiciário e principalmente, com a cara do povo. Desonrou as calças que veste ao tentar se esconder em um cargo que lhe daria foro privilegiado. Não tinha como funcionar, não em plena ‘convulsão social’. Outra diferença dos grandes estadistas para os amadores é saber quando recuar e quando avançar.

O PT chegou ao poder com uma configuração que sabia o que estava fazendo. Lula tinha um Zé Dirceu e uma militância aguerrida. Hoje o Zé está preso, e a militância perdida, atônita. O PT acabou, o mesmo rumo devem seguir os sindicatos ligados a ele. E já vão tarde. Atrasaram o país em 20 anos ou mais com políticas socialistas utópicas. O brasileiro é capitalista, ele só precisa que o Estado não atrapalhe e incentive. Mas para quem passou a vida toda sem trabalhar de verdade, fica difícil compreender isso.

Que acabe logo esse governo, que volte o liberalismo e vamos começar tudo de novo, porque a gente é brasileiro e não desiste nunca.

Alan Alex é editor de Painel Político

Alan Alex é jornalista, editor do site e da coluna Painel Político. Natural de Porto Velho foi criador e editor do site Portal364, trabalhou na redação dos jornais Diário da Amazônia, Folha de Rondônia, revista Painel Político, foi assessor de imprensa, é roteirista, editor de conteúdo e relações públicas. Também atuou como repórter de TV e rádio. É filiado à ABRAJI.

Deixe uma resposta