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O PT e a enorme vontade de controlar a mídia no Brasil

O argumento é sempre o mesmo, “não é possível que emissoras de rádio e TV, concessões de serviço público, continuem, à margem da lei”

O Partido dos Trabalhadores deve sua existência à imprensa brasileira. Isso é fato. Aconteceu porque o país vivia um período de ditadura militar e grande parte dos jornalistas flertava abertamente com a esquerda. O PT surgia como um brilho de esperança, afinal não era comunista como o PCB e nem direita com o MDB e PFL. Com esse apoio o partido foi crescendo e tomando corpo, sempre ocupando espaços em editoriais, reportagens, divulgação dos eventos do partido para arrecadar fundos.

Quem por exemplo não lembra que as sedes do PT em todo o Brasil realizavam feijoadas aos sábados com preços, digamos, salgados, que serviam de justificativa apenas para que os simpatizantes (profissionais liberais, servidores públicos, empresários) pudessem ajudar o partido. Esses eventos eram divulgados gratuitamente, na maioria das vezes por malandragens dos repórteres que empurravam na última hora o anúncio petista e quando o editor via, já era tarde, o jornal tinha rodado.

Mas, quando o PT passou a ser alvo da imprensa, principalmente dos veículos de comunicação de massas, como rádios e emissoras de televisão, que os petistas alegam ser ‘necessário um controle da mídia’. Lula tentou. Seus ministros de comunicação sempre tiveram como meta criar uma forma de controlar a imprensa, chegaram a organizar eventos para isso, mas não deu certo. Mesmo assim, volta e meia o PT insiste com o discurso. Agora, em plena crise política, com o partido praticamente abatido, o presidente Ruy Falcão sai com essa, “não é possível que emissoras de rádio e TV, concessões de serviço público, continuem, à margem da lei, propagando e organizando o golpe.”

Mas não se trata de golpe. É evidente que a participação desses veículos continua sendo fundamental em qualquer processo político, afinal vivemos em um país onde grande parte da população é analfabeta funcional e o PT colaborou, e muito, para que continuasse dessa forma. Ao invés de tentar ‘controlar’ as emissoras existentes, o governo de Lula/Dilma deveria ter simplificado e facilitado as concessões para emissoras de rádio e TV no Brasil, que continuam restritas a políticos e famílias que obtiveram essas concessões sabe-se Deus a que preço. O Brasil continua sendo uma capitania hereditária, tanto na política quanto nas comunicações. Até mesmo a telefonia nesse país imenso, se restringe a quatro ou cinco operadoras. Se a população tivesse mais opções, certamente não ficaria hipnotizada com o Jornal Nacional, mudaria de canal. A concorrência melhora a qualidade, prova disso são as atuais produções da própria Rede Globo, que se viu perdendo espaço para a Record em uma área que sempre dominou, a teledramaturgia.

Portanto, antes do PT vir querer regulamentar qualquer coisa, precisaria ter feito algo para melhorar, de fato, a vida das população desse país e não apenas dar ‘bolsas’ e criando bolhas que deram a sensação temporária que o Brasil tinha saído da condição de país do terceiro mundo. Continuamos sendo uma republiqueta comandada por coronéis, sejam da comunicação, sejam da política. Pelo jeito que o PT conduziu as coisas, a única vida que eles melhoraram foram a deles mesmo. Alguém aí lembra quando foi a última feijoada do partido para arrecadar dinheiro?
Alan Alex é editor de Painel Político

Alan Alex é jornalista, editor do site e da coluna Painel Político. Natural de Porto Velho foi criador e editor do site Portal364, trabalhou na redação dos jornais Diário da Amazônia, Folha de Rondônia, revista Painel Político, foi assessor de imprensa, é roteirista, editor de conteúdo e relações públicas. Também atuou como repórter de TV e rádio. É filiado à ABRAJI.

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