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Oposição vai entrar em obstrução até a Câmara instalar a comissão do impeachment

Oposição apoiou medida, enquanto o líder do governo na Câmara pediu o apoio de militantes contra o que considera caráter político da Operação Lava Jato

Os partidos de oposição anunciaram na sexta-feira (4) que vão entrar em obstrução até a Câmara dos Deputados instalar a comissão especial que analisará o pedido de impeachment da presidente Dilma Rousseff.

O presidente da Câmara, Eduardo Cunha, ainda espera a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) em relação a dúvidas na tramitação do pedido de impeachment. Mesmo assim, já na segunda-feira, PSDB, DEM, PPS, PSB e PTB vão exigir dos líderes partidários a indicação dos deputados que vão integrar a comissão.

O líder do PSDB, deputado Antonio Imbassahy (BA), defende que a Câmara adote, de imediato, as normas já definidas pelo Supremo quanto à eleição aberta e sem candidatura avulsa na escolha dos membros da comissão. Imbassahy admitiu que os últimos desdobramentos da Operação Lava Jato foram determinantes para a mudança de estratégia da oposição.

“Esta é a nossa posição diante de dois fatos extremamente relevantes: a proposta de delação premiada do senador Delcídio Amaral e a Operação Lava Jato, que atingiu diretamente o núcleo político responsável por tudo o que aconteceu no País”, disse Imbassahy.

A oposição também vai pedir rapidez ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) na análise das ações que podem levar à impugnação da chapa de Dilma, vencedora das eleições de 2014. Outra frente de ação é ampliar a mobilização contra o governo e a favor do impeachment, programada para o dia 13.

Depoimento de Lula

A oposição também manifestou “apoio integral” à Operação Lava Jato pelo novo foco das investigações sobre o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, suspeito de ter recebido propina de empreiteiras envolvidas nas fraudes da Petrobras. Nesta sexta-feira, a Polícia Federal levou Lula para depor coercitivamente, em São Paulo, e fez ações de busca e apreensão em vários locais ligados ao petista, como a casa dele, o Instituto Lula e empresas dos filhos.

O deputado Danilo Forte (CE), vice-líder do PSB, aproveitou o momento de turbulência para reforçar a posição do partido favorável ao impeachment da presidente Dilma Rousseff. “Os acontecimentos dos últimos meses evidenciam um quadro de deterioração ética que foge à normalidade e leva o PSB a marchar em definitivo para a oposição a esse governo”, afirmou.

Já o líder do governo, deputado José Guimarães (PT-CE), mobilizou a militância petista e governista a reagir ao que ele chamou de caráter político da Operação Lava Jato.

“É uma ação que sinaliza claramente que eles declararam guerra ao nosso projeto, ao PT, ao ex-presidente Lula e à presidente Dilma. A democracia está em risco. Estamos mobilizando, em cada estado, os movimentos sociais e aqueles que defendem a ordem democrática para barrar essa sanha autoritária e arbitrária de setores do Ministério Público e da Polícia Federal”, declarou Guimarães.

Em entrevista em São Paulo, após o depoimento, Lula negou o recebimento de propina e outras irregularidades. Ele classificou a nova fase da Operação Lava Jato de “espetáculo de pirotecnia” para criminalizar o PT. O ex-presidente não poupou críticas ao juiz Sérgio Moro por ter autorizado sua condução coercitiva para depor e anunciou que vai percorrer o País para defender suas ideias e o governo Dilma.

“A minha indignação é pelo fato de, às 6 horas da manhã, vários delegados terem chegado em minha casa. Poderiam me convidar para ir a Curitiba ou a Brasília e eu iria. Mas eu me senti prisioneiro hoje de manhã. Não sou homem de guardar ressentimento nem mágoa, mas acho que o nosso país não pode continuar assim. Eu, sinceramente, fiquei indignado com esse processo de suspeição. Se a Polícia Federal, o Ministério Público ou quem quer que seja encontrar um real de desvio na minha conduta, eu não mereço ser desse partido. E quero dizer que não vou baixar a cabeça”, disse Lula.

Pronunciamento de Dilma

Em pronunciamento, também nesta sexta, a presidente Dilma Rousseff se disse inconformada com a condução coercitiva de Lula e com o vazamento da delação premiada em que o senador Delcídio do Amaral (PT-MS) acusa Dilma e Lula de interferência na Operação Lava Jato.

Já os partidos de oposição do Congresso, em nota conjunta, afirmam que “é hora de exigir respeito a um dos pilares mais importantes do Estado democrático de direito, que determina que nenhum brasileiro está acima das leis e da Constituição”. Também fizeram críticas ao que chamam de “lamentáveis e reiteradas ameaças de radicalismo, que só têm como objetivo esconder a verdade e dividir o País”.

O senador Ronaldo Caiado (DEM-GO) afirmou que o ex-presidente Lula, ao se defender, usou uma “retórica de agressão às instituições constituídas e incentivou a luta de classe”.

As informações são da Agência Câmara

Alan Alex é jornalista, editor do site e da coluna Painel Político. Natural de Porto Velho foi criador e editor do site Portal364, trabalhou na redação dos jornais Diário da Amazônia, Folha de Rondônia, revista Painel Político, foi assessor de imprensa, é roteirista, editor de conteúdo e relações públicas. Também atuou como repórter de TV e rádio. É filiado à ABRAJI.

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