Paciente quebra vidros e computador de UPA por demora no atendimento médico em Porto Velho

Irritado com a demora para receber atenção médica, um paciente de 24 anos quebrou um computador e os vidros da porta e do guichê de atendimento na Unidade de Pronto Atendimento da Zona Leste (UPA Leste), em Porto Velho, nesta segunda-feira (10).

O paciente alegou sofrer de transtornos psiquiátricos, mas, como não apresentou laudo, acabou preso em flagrante por danos ao patrimônio público.

O paciente, segundo familiares, aguardava consulta desde às 9h da manhã. A diretora da unidade, Rafaela Castiel, disse que a demora é comum, porque a UPA está recebendo pacientes que, segundo ela, deveriam ser atendidos nas unidades de saúde da família.

“Atendemos primeiro os casos prioritários, então, quem aguarda consulta comum acaba tendo que esperar mais”, justificou.

Ainda segundo a diretora, a UPA conta com quatro médicos para atender cerca de 400 pessoas por dia.

“A questão é que um profissional está de atestado. Dos três que estão trabalhando, um fica permanente na sala de urgência e emergência e apenas dois fazem consultas. Mesmo assim, só hoje (segunda-feira) mais de 200 pessoas foram atendidas”, explicou. Sobre a prioridade no atendimento, Rafaela Castiel diz que a classificação é feita por cores. “As verdes são consultas comuns, a amarela é prioritária, espera de 30 minutos a uma hora, e a vermelha é risco de vida, atendimento de emergência”.

Apesar da classificação de risco para determinar a urgência do paciente, há casos classificados como prioritários que aguardam mais oito horas para receber atenção médica.

Um menino de 9 anos, por exemplo, filho da dona de casa Hilda Piedade de Paiva, entrou na unidade às 9h da manhã e até às 16h30 não havia passado pela triagem. “Meu filho está febril, com diarreia e vômito e ainda não foi atendido. A cor dele é amarela (que, segundo a diretora da UPA, deveria esperar no máximo uma hora)”.

Como o filho tem reclamado de dores, por conta própria, Hilda Piedade comprou remédio e medicou a criança. “Fiquei desesperada com meu filho chorando de dor”, lamentou.

Quem também reclamou da demora no atendimento foi idosa Maria do Socorro, de 62 anos.

Sofrendo de pressão alta e tendo surtos de diarreia, ela diz que chegou a UPA por volta das 14h em até ás 17h ainda não tinha passado pela triagem. “É muito triste”, disse em tom de lamento.

A mesma reclamação fez o idoso Vivaldino Batista de Oliveira, de 72 anos. “Estou aqui desde às 10h da manhã e ainda não fui atendido”, reclamou depois de sete horas de espera.

Para amenizar a superlotação na UPA Leste e outras unidades de pronto atendimento, a Secretaria Municipal de Saúde (Semusa) implantou sistema de plantão noturno no posto de saúde Maurício Bustani, na Avenida Jorge Teixeira, área Norte de Porto Velho, mas o efeito ainda não tem sido sentido na UPA Leste.

“É uma iniciativa válida, vai ajudar o Ana Adelaide, mas esse plantão também deve acontecer no posto Hamilton Gondin (na ZonaLeste)”, salientou Rafaela Castiel.

Fonte: g1/ro

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