Padre é condenado à 15 anos de prisão por abusar de menino com problemas mentais

O padre Fabiano Santos Gonzaga, de 29 anos, foi condenado nesta segunda-feira (5/6) a 15 anos de reclusão em regime fechado. O religioso, que pregava na Paróquia de Frutal (MG), foi preso em flagrante em junho do ano passado por abusar sexualmente de um adolescente brasiliense de 14 anos, dentro da sauna em um clube de Caldas Novas (GO). A idade mental do menino, segundo os advogados da família, é de sete a nove anos e, por isso, ele não teve como se defender.

O advogado Ueren Domingues de Sousa, que foi assistente da acusação no caso, afirmou que o padre se contradisse no momento em que foi interrogado no tribunal. “O réu sempre negou o fato. Quando perguntado sobre a sua promiscuidade, ele se calava ou negava. Chegou a dizer que não era homossexual, mas depois assumiu”, contou.

De acordo com Sousa, alguns elementos que compõem o processo apontaram a possibilidade de o réu ter conversado com outro garoto menor de idade. “Ele tentava marcar encontro, mas o menino dizia que teria que ser na ausência da mãe”, lembrou. O caso, no entanto, não teve materialidade o suficiente para a instauração de um inquérito.

O caso foi investigado pela delegada Sabrina Leles, da Delegacia de Atendimento à Mulher (Deam) de Caldas Novas. As fotos e as conversas encontradas pela delegada no celular do padre ajudaram na conclusão do inquérito. Sabrina disse que elas provam “um comportamento duvidoso” e “imoralidade em seus atos”. As imagens contrariam as informações dadas por ele sobre ser celibatário e heterossexual.

Na época, o portal braziliense Metrópoles obteve algumas fotografias que fazem parte do inquérito e não deixam dúvidas quanto à orientação homossexual do padre. “Não é a homossexualidade dele, aliás, que determinou sua atitude criminosa. Mas elas mostram a contradição do depoimento de Gonzaga, importante para a conclusão do inquérito”, afirmou à época a delegada.

Havia muitas fotos de rapazes nus (inclusive dele próprio) e apenas de cueca. Em uma das imagens, o religioso aparece ao lado de dois amigos, preparando-se para ir ao clube. O homem que passa protetor solar nas costas dele também é padre.

Padre tirava fotos de cuecas
Padre tirava fotos de cuecas

 

Conversas suspeitas foram encontradas no celular
Nesta imagem eles se preparam para ir ao clube. O homem que passa óleo nas costas do acusado também é padre

O padre acabou preso em um sábado em junho de 2016, depois que a polícia foi acionada pela direção do clube. A mãe do garoto, que mora no DF, denunciou o religioso. No depoimento, o adolescente contou que estava na sauna com o padre, que ele teria tocado nas suas partes íntimas e o obrigado a fazer sexo oral e beijá-lo.

A defesa do padre, ainda de acordo com o advogado Ueren Domingues de Sousa, usou técnicas para confundir a juíza Valeska da Silva Baruki. “Tentavam, de forma clara, desmerecer a palavra da vítima. Ora dizendo que o jovem era homossexual e consentiu com o ato. Ora apelando para supostas inconsistências no depoimento da vítima”, explicou.

Sauna reformada

Os advogados do réu chegaram a apresentar fotos da sauna que foram tiradas após uma reforma feita pelo clube para aumentar a segurança no local. A defesa tentou argumentar que as características da construção eram diferentes das narradas pelo adolescente. “A delegada que cuidou do caso, sabiamente, fotografou o ambiente na época do crime. Assim, ficou comprovado que a descrição feita pelo jovem é verídica”, finalizou Sousa.

A família aguarda ter acesso à íntegra da sentença para traçar os próximos passos, ou seja, avaliar se acionarão novamente a Justiça. Em nota, os parentes agradeceram  as manifestações de apoio e disseram acreditar “que o autor seja rigorosamente punido pela barbaridade de sua conduta, o que pode vir a se materializar através de sua recente condenação”.

Segundo os familiares, “esse tipo de crime evidencia a urgência de punições rígidas contra a violência sexual cometida contra crianças e adolescentes, em respostas rápidas do Poder Judiciário, como ocorreu no presente caso”. Destaca que a sociedade não pode tolerar a banalização de um crime hediondo, “mas, sim, direcionar todos os seus esforços para que outros jovens não sejam vítimas desse tipo de sofrimento”.

Testemunha

Durante o processo de investigação, um outro frequentador do clube compareceu espontaneamente à delegacia para contar o que viu naquele dia. Seu depoimento ajudou a fechar o inquérito. O homem, de 42 anos, estava com os dois filhos na entrada da sauna, enxugando as crianças, quando Gonzaga chegou ao local. Ele conta que o padre teria ficado olhando para as partes íntimas dos três.

Indignado, o pai perguntou ao homem o que ele olhava. O rapaz não teria respondido nada e entrado na sauna. Minutos depois, esse pai viu o desespero de uma mãe gritando com outra pessoa. Quando se aproximou da confusão, percebeu que era o mesmo rapaz que vira na entrada da sauna masculina: o padre Fabiano Gonzaga.

Preso no presídio de Caldas Novas, Fabiano Gonzaga chegou a realizar missas informais para os presos. Em junho do ano passado, a Arquidiocese de Uberaba (MG) o proibiu de “fazer uso de ordens”, ou seja, presidir ou administrar sacramentos, e realizar qualquer exercício do “ministério presbiteral” ou de “outro encargo eclesiástico”.

Alan Alex é jornalista, editor do site e da coluna Painel Político. Natural de Porto Velho foi criador e editor do site Portal364, trabalhou na redação dos jornais Diário da Amazônia, Folha de Rondônia, revista Painel Político, foi assessor de imprensa, é roteirista, editor de conteúdo e relações públicas. Também atuou como repórter de TV e rádio. É filiado à ABRAJI.

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