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Padre é suspenso por dar uma benção na casa de um casal gay em Goiás

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O padre César Garcia, de 53 anos, de Goiânia, foi afastado de suas funções religiosas – suspensão de ordem – pelo arcebispo da cidade, dom Washington Cruz, por ter dado uma benção na residência de um casal homossexual no dia 20 de maio. O padre foi comunicado na terça-feira pelo bispo de sua decisão. Em entrevista ao GLOBO na manhã desta quarta-feira, o padre Garcia contou que não estimulou a união homoafetiva e nem simulou o sacramento, como o casamento entre os casal, que já está junto há onze anos. Ele não vestia qualquer paramento e usava roupa comum. A Arquidiocese de Goiânia confirmou o afastamento, mas ainda não respondeu com detalhes.

O padre Garcia disse que fez uma celebração da palavra, como uma forma de abençoar a nova casa do casal. O religioso classificou a atitude do bispo como uma truculência, diz que não feriu qualquer lei canônica e que comunicou previamente ao bispo que compareceria nesta celebração. Está proibido de executar os ritos sacramentais, como casamento e batizado, celebração de missa.

– O bispo se deixou guiar por interpretações fantasiosas, como se eu estivesse estimulado a união entre os dois. Não celebrei nenhum casamento. Sou muito prudente, quem me conhece sabe disso. Respeito os sacramentos e as pessoas. Tenho lisura nos meus atos. Não contrariei as leis canônicas – disse o padre César Garcia.

O bispo foi pressionado por setores religiosos para adotar uma punição ao padre, que, agora, será julgado por um tribunal eclesiástico.

– Fiz uma comunicação prévia. Por que então tomou essa atitude posterior? Com essa atitude, ele está matando a Igreja, o direito de ir e vir das pessoas aos encontros. Quem sou eu para julgar. Sua santidade o Papa Francisco deixou isso claro no início do seu pontificado a ser questionado sobre os homossexuais. Houve um pré-julgamento.

O bispo Washington Cruz comunicou a decisão ao padre sem considerar, segundo o padre, suas razões. Ele disse que tem recebido ligações de padres de vários lugares, que respeita a decisão do seu superior, mas que quer fazer esse debate. Ele critica o que entende ser excesso de poder nas mãos do bispo.

– O bispo tem poder absoluto. Funciona como uma monarquia. Tanto que ele fez a condenação a mim sem ouvir testemunhas. Sem a presunção da verdade. Ele se baseou nos entretantos. Com base em fotos de internet e sob a pressão de assessores e de setores fundamentalistas da igreja.

O padre César Garcia afirmou que o bispo deu um tratamento legalista ao direito canônico.

– Não é questão legalista, mas de tratar as pessoas com respeito, bondade e acolhimento. Como padre, sou filho da Igreja. Não sou empregado da Igreja. E, com esse ato, ele baniu um filho, desagregou a família. E o filho tem o direito de pensar diferente. De ter suas razões.

Para o religioso, o bispo agiu de forma fundamentalista.

– Numa sociedade plural, numa pastoral urbana não é possível mais recorrer aos resquícios do fundamentalismo e usar a própria Igreja para punir aqueles que estão acolhendo as pessoas. O que ocorreu comigo foi uma condenação sumária e intempestiva.

O padre foi ordenado há 30 anos e atua na paróquia São Leopoldo, no bairro Jaó. Ele irá recorrer da decisão do bispo.

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