Para Bene Barbosa- Sobre liberar (ou não) o uso de armas no Brasil

Se você compra uma arma, deve arcar com as consequências de uso

O governo federal, na gestão Lula da Silva que surfava em alta popularidade, criou (e empurrou) o Estatuto do Desarmamento. Nos moldes que foi feito, deixou a população de bem desarmada e a vagabundagem liberada para fazer o que bem entendia. O PT tem essa mania, de querer impor essas idéias estapafúrdias em nome da “sociedade”. Fui contra o estatuto, votei contra ele por achar que as pessoas são responsáveis por seus atos, ou seja, se você compra uma arma, deve arcar com as consequências de uso.

Ocorre que sou contra a banalização da violência, e não acredito que o sujeito médio, que anda armado, vá ter qualquer chance contra um bandido que já tem a seu favor o fato de estar disposto a matar ou morrer. O cidadão de bem quer viver e tem muito a perder. Mas, repito, não sou contra o direito de comprar ou ter armas.

Em artigo publicado hoje pela manhã, não fui muito claro sobre o que eu queria dizer, então faço aqui um “mea culpa”. O presidente do grupo Movimento Viva Brasil, Bene Barbosa apresentou alguns argumentos (válidos) sobre minha posição. Li alguns de seus artigos e concordo com ele, mas repilo duas questões, a primeira, não tenho o que ele chama de “complexo de vira-latas”, pelo contrário, sou patriota e tenho certeza que o Brasil é uma grande nação, mas não basta eu achar isso. Escrevo sobre política diariamente e gostaria de ver os que defendem tanto o “direito a comprar armas”, terem opiniões tão acirradas e participassem com o mesmo fervor em questões políticas, e não precisam ser temas nacionais não. Cuide da corrupção em sua cidade, vá às sessões das câmaras de vereadores, da Assembleia de seu estado, enfim. Vamos voltar as armas.

O segundo ponto é a questão da maturidade. Quando me refiro a falta dela, quero dizer exatamente que, pelo fato de estarmos proibidos de ter armas, não temos expertise necessária para manusear no dia a dia. Ao fazer uma comparação com os EUA, um país onde crianças de 6 anos (em alguns estados), perdemos feio.

Defendo o direito de comprar/ter/usar armas para qualquer pessoa. Como disse acima, cada um responde por seus atos. Mas o que quero alertar é para que possamos ter um controle sobre quem compra/tem/usa essas armas. Seja através de um cadastro nacional atualizado, seja o impedimento por exames psicotécnicos ou através de um período de experiência para um porte definitivo.

Como se diz nos EUA, “armas não matam pessoas, pessoas matam pessoas”.

Alan Alex é jornalista, editor do site e da coluna Painel Político. Natural de Porto Velho foi criador e editor do site Portal364, trabalhou na redação dos jornais Diário da Amazônia, Folha de Rondônia, revista Painel Político, foi assessor de imprensa, é roteirista, editor de conteúdo e relações públicas. Também atuou como repórter de TV e rádio. É filiado à ABRAJI.

4 thoughts on “Para Bene Barbosa- Sobre liberar (ou não) o uso de armas no Brasil

  1. Aproveito para rebater os dois contra-argumentos:

    1 – Quanto à não-tradição na posse de armas, é verdade que perdemos feio para os EUA. Porém, há que se levar em consideração que a maioria dos “pesquisadores” toma como parâmetro apenas os habitantes da zona urbana. Nosso país tem áreas rurais e vazios demográficos imensos, onde a posse de uma arma e a habilidade em seu manejo são fatores necessários à sobrevivência em tais lugares – seja para caça ou defesa. Há locais do território nacional onde é possível vagar por dias sem se ver um único ser humano – quanto mais um supermercado ou um posto policial!

    Além disso, vale lembrar que, se a Constituição brasileira fosse cumprida, todo homem adulto deveria ser instruído no uso de armas. Afinal, o artigo 143 da Constituição prevê a obrigatoriedade do serviço militar.

    2 – A exigência de habilitação psíquica e técnica, num primeiro momento, parece salutar. Mas o que vemos é que o próprio estado dificulta a habilitação técnica, uma vez que, devido ao monopólio da CBC, temos a munição mais cara do mundo, além de leis absurdas que restringem a quantidade a poder ser adquirida.

    3 – Mais um ponto: o Estatuto do Desarmamento é inócuo contra os criminosos. Quando uma arma de fogo é usada para cometer crimes, o crime de porte ilegal de arma (crime-meio que possui uma pena menor) é absorvido pelo crime-fim, de pena maior (roubo, homicídio, estupro ou tráfico de drogas), de modo que suas penas simplesmente não são aplicadas contra os verdadeiros inimigos da sociedade.

    Há quem diga que, nesses casos, o Estatuto é eficiente quando o criminoso é apanhado antes de cometer o crime. Teoricamente, sim. Mas, se tivéssemos um policiamento tão eficiente, talvez nem nos preocupássemos em ter uma arma para defesa pessoal.

    Por outro lado, temos vistos até idosos, sem nenhum antecedente criminal, serem presos em suas residências (muitas vezes rurais) por possuírem armas velhas, prisões estas normalmente acompanhadas de um tremendo estardalhaço da mídia.

  2. “Se você compra uma arma, deve arcar com as consequências de uso”. O brasileiro não está descobrindo isso, ele dá aula disso! O brasileiro quer, pelo amor de Deus, exercer essa responsabilidade e todas as premissas que dela decorrem, porque isso é viver de fato.

  3. “Mas o que quero alertar é para que possamos ter um controle sobre quem compra/tem/usa essas armas. Seja através de um cadastro nacional atualizado, seja o impedimento por exames psicotécnicos ou através de um período de experiência para um porte definitivo.”

    E quem é que não defende esse controle?!?! Quem quer a revogação do estatuto do desarmamento, simplesmente defende o direito do cidadão poder comprar uma arma, desde que se cumpra os requisitos mínimos exigidos. Você fala como se quem quisesse a revogação do estatuto quisesse que armas fossem vendidas como bala na padaria. Não faz sentido dizer o óbvio quando ninguém o está questionando. O foco é o direito de escolha do cidadão, nada mais nada menos.

  4. Bom , vamos lá!
    Ontem , o Professor Bene e Eu respondemos ao seu texto e, pelo twitter, em montagem que fiz , sugeri a troca dos termos, logo, a questão suscitou opiniões de várias pessoas e o que fica claro disso tudo é que estamos falando de fatos e focos diferentes.

    Eu continuo discordando de seu ponto de vista mesmo após a considerável melhora do seu texto final.
    O fato principal nobre Alan é que LEIS são feitas pra cidadão de bem! Cidadãos esclarecidos e que não querem incorrer em crime ou contravenção.

    Logo, a teoria de que brasileiro não tem cultura pra “andar armado” não faz sentido pois, o imbecil, aquele que brigaria no transito como tantos falam, esse retardado já tem arma… e é ilegal , sem controle e o pior , sem preparo.

    O que precisa ser explicado é que, nós que estamos lutando pelo direito à defesa somos os que defendemos o preparo, a avaliação técnica e psicológica, nós respeitamos as leis e estamos sim preparados para acatá-la e agir, se for o caso, dentro do estrito rigor da legislação pertinente.

    Criminosos e gente irresponsável compram facilmente uma arma clandestina e pronto!

    Não é justo que a maioria pague de forma absurda pela arbitraria decisão do Estado em desarmar apenas o cidadão de bem.
    Quanto ao titulo de sua matéria, claro “Se você compra uma arma, deve arcar com as consequências de uso” … Isso se aplica à compra de um automóvel, de um liquidificador, à construção de uma piscina que, pode ser objeto de morte por asfixia mecânica, enfim, nós , cidadãos de bem, somos responsáveis pelos nosso atos ao contrario da criminalidade e dos alienados que por aí estão.

    Abraço,

    GARCIA

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