fbpx
Para deputado, crise da JBS abre novas oportunidades para pecuária em RO

Municípios podem aderir ao SISBI-POA do Ministério da Agricultura e ampliar exportações. Entenda

Os pecuaristas de Rondônia estão vivendo um dilema, temem vender sua produção à prazo para a JBS, e correm o risco de não receber devido a um colapso da empresa, que está no olho do furacão da crise política brasileira, ou vendem à vista, com preço reduzido que “na ponta do lápis” não cobre as despesas e nem deixa margem de lucro.

Como “terceira via”, muitos estão deixando os animais no pasto, na expectativa que a crise amenize ou que surja algo novo no horizonte. E a solução, de acordo com o deputado federal Luiz Cláudio (PR) pode vir através dos municípios.

O parlamentar explicou à PAINEL POLÍTICO nesta quarta-feira, que Porto Velho deverá ser o primeiro município do Estado a fazer parte do Sistema Brasileiro de Inspeção de Produtos de Origem Animal (SISBI-POA), que faz parte do Sistema Unificado de Atenção a Sanidade Agropecuária (SUASA), que padroniza e harmoniza os procedimentos de inspeção de produtos de origem animal para garantir a inocuidade e segurança alimentar.

Os Estados, o Distrito Federal e os Municípios podem solicitar a equivalência dos seus Serviços de Inspeção com o Serviço Coordenador do SISBI. Para obtê-la, é necessário comprovar que têm condições de avaliar a qualidade e a inocuidade dos produtos de origem animal com a mesma eficiência do Ministério da Agricultura.

Os requisitos e demais procedimentos necessários para a adesão ao SISBI-POA já foram definidos pelo Departamento de Inspeção de Produtos de Origem Animal (DIPOA) do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA).

Também foram instituídos gestores estaduais para atuarem como técnicos de referência junto às Superintendências Federais de Agricultura (SFA), responsáveis pela divulgação e orientação aos serviços de inspeção interessados na adesão ao sistema.

Luiz Cláudio explicou que no caso de Porto Velho, com a crise da JBS, algumas plantas vão ser reativadas e outras serão abertas. Ele citou como exemplo o frigorífico de Abunã que já possui SIF) e pertencia à JBS mas foi vendido para outro grupo, “Porto Velho tem hoje dois frigoríficos registrados e mais três serão reabertos. Com a integração ao sistema, todos poderão exportar seus produtos para outros estados e até para outros países já que o sistema permite um controle sobre a qualidade de produção”, explicou o parlamentar.

Luiz, que já foi secretário de Agricultura do Estado, explicou que a integração também vai resolver o problema do preço, “e é isso que importa ao produtor, que o valor possa cobrir as despesas e ainda dar uma margem de lucro”.

Fiscalização pelos municípios é a melhor alternativa para os pecuaristas, diz Luiz Cláudio (PR)

Embargo e fiscalização

Para fazer parte do SISBI-POA, é necessário que os municípios façam o pedido e criem estruturas de fiscalização, que hoje o Ministério da Agricultura não possui. De acordo com o parlamentar, o ministro Blairo Maggi autorizou a contratação emergencial de 300 fiscais sanitários, o que deve acontecer nos próximos 40 dias, mas existe a necessidade de 600. O deputado explicou que, se todos os frigoríficos que tem SIF passassem a operar, o Ministério da Agricultura não teria como fiscalizar devido a falta de pessoal.

OUÇA A ÍNTEGRA DO BATE PAPO COM O PARLAMENTAR

O deputado também falou sobre o embargo à carne fresca brasileira feito pelos Estados Unidos. Ele explicou que o grande problema foi que os americanos implicaram com os abscessos causados pela vacinação, que aparece em alguns animais. Luiz Cláudio minimizou o problema, que para ele se trata mais de uma questão comercial que técnica, propriamente dita, “no próximo dia 13 uma equipe do Ministério da Agricultura vai aos Estados Unidos para sanar todas as dúvidas. Além disso, no fim do mês o próprio ministro deve estar por lá, cumprindo agenda. É mais uma questão de mercado e marketing”, afirmou.

Ele esclareceu que o abscesso surge no animal em função da forma como é aplicada a vacina, “existe uma forma correta de manejo, é necessário um tronco adequado para o animal ser vacinado, quando isso acontece, não fica nenhum abscesso. Ocorre que eventualmente durante uma vacinação em larga escala, aplica-se em locais onde se cria o abscesso em função da inflamação, mas é apenas uma questão de manejo inadequado”, esclarece.

Mas Luiz Cláudio afirmou que a partir de maio de 2019 esse problema deve deixar de existir, “Rondônia vai alcançar o status de livre de aftosa sem vacinação, que atualmente apenas Santa Catarina conseguiu e nós somos o próximo da lista. Nosso sistema é confiável e mesmo sem o apoio adequado do atual governo a Idaron, os técnicos fazem um trabalho fantástico e exemplar”, finalizou o deputado.

Alan Alex é jornalista, editor do site e da coluna Painel Político. Natural de Porto Velho foi criador e editor do site Portal364, trabalhou na redação dos jornais Diário da Amazônia, Folha de Rondônia, revista Painel Político, foi assessor de imprensa, é roteirista, editor de conteúdo e relações públicas. Também atuou como repórter de TV e rádio. É filiado à ABRAJI.

Deixe uma resposta