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Para minimizar perdas, varejo recorre com mais frequência às liquidações

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Estudo da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) mostra que, para minimizar perdas de receita em um ano difícil, o varejo tem recorrido, de forma cada vez mais frequente, às liquidações de estoques, até então atreladas ao calendário de datas comemorativas do setor ou a mudanças de estação do ano.

De acordo com a Divisão Econômica da CNC, com a confiança do consumidor registrando seguidamente novos pisos históricos e o nível recorde da taxa de juros dos empréstimos e financiamentos pessoais, o cenário atual de consumo tem se mostrado ainda mais adverso para aqueles segmentos que dependem mais das condições de crédito e do otimismo dos compradores. Não por acaso, as perdas nos ramos automotivo (-15,6%) e de móveis e eletrodomésticos (-11,3%) lideram as quedas nas vendas do varejo em 2015.

“A inflação mais baixa registrada no agrupamento de bens de consumo duráveis e semiduráveis no IPCA-15 é um indício de que, a despeito das pressões de custos, os varejistas responsáveis pela comercialização desses produtos não encontram mais espaço para repasses de preços, sob pena do agravamento do quadro atualmente delicado das vendas”, diz Fabio Bentes, economista da Confederação. Ele afirma que em agosto o IPCA-15 registrou a menor variação mensal do ano (+0,43%), e, mais uma vez, os bens de consumo duráveis (+0,06%) e semiduráveis (+0,12%) foram os grupos de produtos que mais contribuíram para a queda da inflação em relação a julho. “Mais do que isso, dos 77 itens com essas características, 32 (ou 41,6%) dos pesquisados ficaram mais baratos em agosto – maior percentual dos últimos seis meses”, complementa. Nos três últimos meses, quando a incidência de itens em deflação intensificou-se entre os produtos analisados, as maiores retrações acumuladas ocorreram nos preços de CDs e DVDs (-2,7%) e automóveis usados (-0,9%), ao passo que o índice geral avançou 2,0%.

Uma vez desagregada segundo categorias de uso, a evolução das vendas no acumulado do ano (-6,4%) revela que entre os segmentos caracterizados pela comercialização de bens não duráveis, como, por exemplo, alimentos, medicamentos e combustíveis, o recuo (-1,5%) tem sido menor do que aquele observado na receita proveniente das vendas de bens duráveis ou semiduráveis (-12,4%), como automóveis, eletrodomésticos e vestuário. “Passando pelo seu pior momento em mais de uma década, o comércio varejista vem buscando alternativas para amortecer os impactos negativos da atual recessão econômica no nível de consumo”, aponta Fabio Bentes. De acordo com o economista da Confederação, além da maior pressão sobre a matriz de custos exercida por fatores como o forte reajuste de preços administrados, o encarecimento do crédito e a rápida desvalorização cambial, o resultado das receitas do setor tem registrado, ao longo do ano, seu pior desempenho desde 2004.

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