Participação da mulher no cenário político eleitoral brasileiro é desoladora – Por Luciana Lóssio

Pratiquemos o discurso da inclusão social da mulher, tenho certeza que a sociedade brasileira muito ganhará!

No mês de março, quando o mundo celebra o Dia Internacional da Mulher, é importante relembramos a simbologia da data que surge no contexto de lutas femininas por melhores condições de vida, de trabalho e pelo direito ao voto.

Os motivos que embasavam os reclamos daquelas mulheres do século passado e retrasado continuam presentes em nossa sociedade. Afinal, ainda ganhamos menos do que os homens e ocupamos bem menos cargos de poder e de chefia do que eles. A participação da mulher no cenário político eleitoral brasileiro é desoladora! Apesar de sermos mais da metade da população, com 52,13% do eleitorado, as mulheres representam menos de 10% do número de deputados federais, e somos 13% no Senado da República. Em 2014, apesar de elegermos uma mulher para Presidência da República, foi eleita apenas uma governadora de Estado, de um total de 27 unidades federadas.

Já nas eleições municipais de 2016 elegemos apenas 13% de Vereadoras e 11% de Prefeitas, valendo registrar um singelo decréscimo quando comparamos os percentuais com os das eleições de 2012.

Os números chocam! E contra fatos e dados, não há argumentos. Essa é a realidade brasileira, a vida como ela é, parafraseando Nelson Rodrigues. E o que passa? Nós, brasileiras, temos o direito ao voto desde 1932, mas não nos fazemos representar. Ora, não queiramos apenas cumprir as leis, mas também fazê-las!

Os países com maior índice de desenvolvimento humano são aqueles que possuem alta representação feminina no parlamento, a exemplo dos países nórdicos, nos quais as mulheres são algo em torno de 40% dos mandatários.

Será a mulher brasileira diferente das suecas, dinamarquesas, ou até mesmo das argentinas e mexicanas, para falar de países do continente americano mais próximos à nossa realidade cultural e social, que também possuem aproximadamente 40% de vagas no parlamento?

O discurso de que a mulher brasileira é despida de ambição política — eleitoral, a justificar sua irrelevante participação na definição do futuro do país, não se sustenta. Basta olharmos para as salas de aula, onde a metade, pelo menos, dos que buscam se aprimorar e crescer profissionalmente são mulheres. E o mesmo se pode dizer em relação aos partidos políticos, já que somos 44% dos filiados.

Este é um mês de especial reflexão sobre o papel da mulher na sociedade brasileira, para que analisemos se esse é o Brasil que queremos construir, no qual as mulheres não conseguem vencer sequer barreiras intrapartidárias para serem candidatas em igualdade de chances com os homens. Lembremo-nos dos casos de candidatas-laranja, ou fictícias, que não tiveram nenhum voto sequer, mas foram lançadas apenas para assegurar a candidatura dos homens colegas de chapa, já que de 10 candidatos com zero votos, 9 eram mulheres.

O dilema é simples, para que alguém chegue ao poder, outrem deve sair, mas ninguém parece disposto a abrir mão do que já conquistado, e por isso se dificulta ao máximo a chegada de novas lideranças femininas.

 

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