PF realiza 27ª fase da Operação Lava-Jato e prende ex-secretário do PT

O ex-secretário geral do PT Sílvio Pereira e Ronan Maria Pinto, dono do jornal Diário do Grande ABC, foram presos na manhã desta sexta-feira na 27ª fase da Operação Lava-Jato. Os dois tiveram prisão temporária decretada pelo juiz Sérgio Moro. O ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares e o jornalista Bruno Altman, do site Brasil 247 e ligado ao ex-ministro José Dirceu, são alvos de condução coercitiva. Cinquenta policiais federais cumprem ainda oito mandados de busca e apreensão nos municípios de São Paulo (3 mandados de busca ), Carapicuíba (1), Osasco (1) e Santo André (3), todos na Grande São Paulo. A 27ª Fase foi batizada de Operação Carbono 14, em referência a procedimentos utilizados pela ciência para a datação de itens e a investigação de fatos antigos.

Os presos serão encaminhados para a Superintendência da Polícia Federal em Curitiba/PR, enquanto aqueles conduzidos para depoimentos serão ouvidos na cidade de São Paulo. A investigação apura crimes de extorsão, falsidade ideológica, fraude, corrupção ativa e passiva e lavagem de dinheiro.

s primeiros documentos envolvendo Ronan foram apreendidos no escritório da contadora do doleiro Alberto Youssef. Eram contratos de mútuo (empréstimo entre empresas) da S2, do publicitário Marcos Valério, com a Remar Assessoria, do Rio de Janeiro. Em seguida, num segundo contrato do tipo, a Remar repassou o dinheiro para a Expresso Santo André, de Ronan Maria Pinto.

Em novembro passado, a Polícia Federal descobriu que o pecuarista José Carlos Bumlai, amigo do ex-presidente Lula, havia retirado empréstimo de R$ 12 milhões no banco Schahin para quitar dívidas do PT. O valor não foi pago. A quitação do empréstimo ocorreu fraudulentamente, quando um a das empresas do Grupo Schahin obteve contrato de UD$ 1,6 bilhão com a Petrobras.

– Havia corrupção na Prefeitura de Santo André e Ronan Maria Pinto teria participado do esquema. Foi inclusive condenado em primeira instância – afirmou o procurador Diogo Castor de Mattos, do Ministério Público Federal.

Mattos afirmou que eventuais provas deverão ser compartilhadas com a polícia paulista nas investigações sobre o assassinato de Celso Daniel, então prefeito de Santo André.

– Nosso objetivo é esclarecer a lavagem de dinheiro – disse Mattos.

O lobista Fernando Soares, o Baiano também contou, em depoimento de delação premiada, que ouviu de terceiros que o empréstimo “teria sido tomado para pagar chantagem que o presidente Lula estaria sofrendo”.

Um relatório da Receita Federal, datado de 11 de novembro e anexado ao processo da Justiça Federal de Curitiba, revela que há “grande possibilidade de que o real destino deste valor de cerca de R$ 12 milhões (…) teria mesmo de fato beneficiado, ao final, o cidadão Ronan Maria Pinto na aquisição em 2004 de 100% das ações do Diário do Grande ABC S/A”. A análise dos impostos de renda de Ronan indicaram “dívidas suspeitas”, segundo a análise do perito da Receita.

ara comprar parte das ações do Diário do Grande ABC, Ronan fez empréstimos de duas empresas de que ele mesmo é sócio: a Rotedali e a Expresso Nova Santo André. Embora tenham sido feitos em 2004, as duas dívidas não haviam sido inteiramente quitadas até 2014, ainda de acordo com a análise dos impostos de renda. O perito sugere que os fatos sejam melhor investigados, pois, na opinião dele, as dívidas não pagas poderiam ter servido para “dissimular a real origem dos recursos utilizados” na compra do jornal, que poderia ser o dinheiro de Bumlai.

Ronan sempre negou qualquer envolvimento na narrativa apresentada por Valério.

 

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