PM indicia capitão por lesão corporal grave contra estudante agredido em protesto

A Polícia Militar indiciou nesta segunda-feira (12) o capitão Augusto Sampaio por lesão corporal grave contra o estudante Mateus Ferreira, cometida durante um protesto em Goiânia. O policial segue afastado das ruas e exercendo funções administrativas.

De acordo com as provas, imagens, testemunhas e o próprio investigado, constata-se que ele agiu sem a intenção de produzir o resultado morte. Ele produziu incapacidade laboral por mais de 30 dias, o que configura a lesão corporal grave”, explicou o tenente-coronel Denilson de Araújo Brito, que presidiu a investigação.

Agressão

O caso aconteceu no dia 28 de abril, durante uma manifestação contra as reformas Trabalhista e Previdenciária, no Centro de Goiânia. Após ser atingido por um cassetete, Mateus foi socorrido por outros manifestantes, que o colocaram em cima de uma placa onde recebeu atendimento do Corpo de Bombeiros.<

Em seguida, o estudante foi levado para o Hospital de Urgências de Goiânia (Hugo), onde ficou internado por 18 dias, sendo 11 deles na Unidade de Terapia Intensiva (UTI).

O estudante passou por duas cirurgias. Na primeira, os médicos retiraram pedaços do osso quebrado. O segundo procedimento foi para reconstruir a parte afetada pela pancada na testa. Para isso, foram usados pinos e cimento ortopédico.

Afastamento
O comandante geral da PM-GO, coronel Divino Alves de Oliveira, explicou que o capitão Sampaio foi afastado do patrulhamento das ruas no dia 1º de maio e ficou exercendo apenas atividades administrativas enquanto o Inquérito Policial Militar (IPM) que investiga a conduta dele estava em andamento.
“Houve excesso, não há como fugir a esta situação, houve o excesso na ação praticada por esse policial militar e, em decorrência disso, o comando da instituição instaurou o inquérito policial militar que irá apurar as responsabilidades”, explicou o coronel à época do fato.
Em nota, a corporação explicou que instaurou o procedimento “diante das imagens que circulam em redes sociais, quando da intervenção policial militar, que mostram a clara agressão sofrida” pelo estudante.

Inquérito da Polícia Civil

Após investigação da Polícia Civil, o capitão da PM Augusto Sampaio foi indiciado por abuso de autoridade, como explica o assessor de imprensa da corporação, Gylson Ferreira.

“Qualquer atentado contra a incolumidade física do cidadão configura esse abuso de autoridade. Houve uma desproporção na ação do policial, que provocou o segundo crime, que é a lesão corporal grave. Como ele estava em serviço, isso passa ser um crime militar. Vamos encaminhar ao juiz, que deve enviar cópia do inquérito para o Ministério Público Estadual e para o Ministério Público Militar”, disse.
O inquérito também concluiu que não houve tentativa de homicídio, levando em consideração que os dois não se conheciam e que o Mateus não era o alvo do policial. “O estudante não era alvo do capitão, eles não se encontram em nenhum momento anterior a agressão. Qualquer pessoa que passasse por ali seria agredida”, explicou o assessor de imprensa.

Segundo Ferreira, com a análise das imagens, ficou comprovado que o PM não tinha intenção de acertar a cabeça do estudante. “É possível notar que o policial avança com o cassetete contra o estudante e o estudante, em uma atitude de reflexo, flexiona os joelhos, diminuindo a silhueta. Em seguida, ele é atingido”, concluiu.

O delegado explica que a Polícia Civil ainda investiga os casos de depredação ao patrimônio que aconteceram no dia do protesto. No entanto, ressaltou que, após a análise das imagens e de ouvir dezenas de testemunhas, a polícia concluiu que Mateus participava do ato de forma pacífica e não efetuou qualquer tipo de depredação.

“Não há nenhum elemento no inquérito que envolva Mateus em atividade de depredação. Foram analisadas mais de 40 horas de gravação”, afirmou.

G1/GO

News Reporter
Alan Alex é jornalista, editor do site e da coluna Painel Político. Natural de Porto Velho foi criador e editor do site Portal364, trabalhou na redação dos jornais Diário da Amazônia, Folha de Rondônia, revista Painel Político, foi assessor de imprensa, é roteirista, editor de conteúdo e relações públicas. Também atuou como repórter de TV e rádio. É filiado à ABRAJI.

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