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PM usará blindado israelense contra protestos em 2015

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Os 14 veículos blindados comprados pela Polícia Militar (PM) de São Paulo para operações especiais e controle de manifestações devem começar a chegar ao País em março.

A ideia inicial era que os blindados estivessem à disposição durante a Copa do Mundo no Brasil, mas o processo internacional de licitação atrasou. As duas empresas vencedoras, ambas de Israel, agora trabalham na conclusão das adaptações solicitadas pela PM para entregar os veículos, que serão usados pelo Comando de Policiamento de Choque e deverão ir às ruas a partir de junho.

São três modelos de blindados, um deles equipado com um canhão que poderá lançar jatos de água, tinta e gás lacrimogêneo a até 60 metros de distância, específico para o “restabelecimento da ordem pública” em protestos, utilizado por “várias polícias no mundo”, de acordo com a PM.

“Manifestação é um direito garantido a todos, o problema é quando se torna um grupo de pessoas reunidas com intenções violentas”, disse o capitão Sérgio Marques, porta-voz da PM-SP. No total, foram comprados quatro blindados com canhão de água, ao custo de R$ 7,6 milhões.

Os outros serão usados em ações táticas, para transporte de policiais: seis blindados de grande porte para até 24 PMs (R$ 22 milhões); e quatro veículos de pequeno porte para oito policiais (R$ 5,6 milhões).
As fabricantes são as empresas Hatehof Industries (Brand Group) Ltd. e Plasan Sasa Ltd. De acordo com o capitão Marques, o principal objetivo da compra da frota, que custou R$ 35,2 milhões ao governo do Estado de São Paulo, é garantir a segurança do efetivo. “(Os blindados) não têm caráter ofensivo, mas defensivo. Servirão para proteger aqueles que trabalham em situações de risco”, afirmou.

A ideia de comprar blindados começou a ganhar corpo após as manifestações de junho de 2013, mas a PM afirma que essa era uma demanda antiga. Segundo a corporação, naquele ano a capital foi palco de 679 protestos, e 54 PMs foram feridos nas ações. Quanto aos manifestantes, apenas no dia 13 de junho de 2013 – dia de maior repressão policial aos protestos pela queda da tarifa do transporte público – foram mais de cem feridos na capital paulista.

Críticas

Para a Defensoria Pública de São Paulo, a compra dos blindados antiprotesto é “desnecessária”. “As manifestações que acontecem no Brasil são, no geral, pacíficas, com focos pontuais de violência, que deveriam ser reprimidos também de forma pontual. Lançar jato de água ou de tinta não reprime um foco pontual de violência, mas a manifestação toda. Isso viola o direito de reunião”, afirmou o defensor Rafael Lessa. “Infelizmente, usam esses episódios isolados de violência e sua própria incompetência para justificar essa compra desnecessária, que só implica acirramento da tensão”, continuou.

De acordo com a PM, 2015 pode ser “um ano violento”. “Algumas pessoas que defendem ideologias antidemocráticas que já disseram que este será um ano violento, principalmente por conta do baixo crescimento do País”, afirmou o capitão Marques, citando monitoramentos realizados pela PM nas redes sociais e na imprensa.

Passe Livre volta às ruas

O Movimento Passe Livre (MPL), que liderou os protestos de junho de 2013, volta às ruas nesta sexta-feira para tentar revogar o aumento das tarifas de ônibus, trem e metrô em São Paulo, que passaram de R$ 3 para R$ 3,50 na última terça-feira. O “1º Grande Ato contra a Tarifa” terá concentração a partir das 17h no Theatro Municipal, no centro da capital. Mais de 46 mil pessoas confirmaram participação no evento, pelo Facebook.

A Polícia Militar informou que terá ao menos 800 homens e 50 viaturas no protesto, além do helicóptero Águia. De acordo com o major Larry de Almeida Saraiva, comandante da operação, a PM usará a estratégia de “acompanhamento aproximado”, que consiste em deslocar policiais – incluindo homens da “tropa do braço” – para andar ao lado dos manifestantes. Além disso, todos aqueles que “demonstrarem atitude suspeita” serão revistados. “Não serão permitidos explosivos, combustíveis, armas e munições”, disse o major Larry.

A participação de mascarados, contudo, ainda não poderá ser barrada. A lei que proíbe a presença de mascarados em protestos, sancionada pelo governador Geraldo Alckmin (PSDB) em 30 de agosto de 2014, ainda aguarda regulamentação. O prazo oficial é de 180 dias.

Fonte: Terra

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